Nathalia
Demos os nomes na entrada e pegamos as pulseiras do camarote, os meninos já estavam lá e fomos recebidas com drink de graça ali embaixo. O ficante da Lauren apareceu no caminho e ela ficou conversando enquanto subíamos.
— E aí gostoso, solteiro? — cheguei por trás do Diego que se virou sorrindo.
— Solteiro sim, mas uma loira já tomou conta do meu coração.
— Eita, que loira sortuda.
— Ela é mesmo, tem que agradecer a Deus — falou e eu ri empurrando seu ombro, ele puxou minha mão e me abraçou rapidamente — Tá demais, hein — me olhou de cima a baixo.
— Eu sempre estou.
— Não dá pra negar.
Fui cumprimentar o resto do pessoal e minutos depois o Léo apareceu com a Luana, eu não sabia se jogava ele ou ela ali de cima. Ele falou com Diego e veio até mim, enquanto a Luana ficava parada mexendo no celular.
— Fala aí, Nathi — me abraçou e me deu um beijo no rosto.
— E aí sumido, de boa?
— Tranquilo e você?
— Não conversa mais com a sua amiga, tá namorando? — falei e olhei pra Luana que olhava pra gente também.
— Naquelas né — ele riu — Mas o pai tá apaixonado.
— Hum, que bom Leo, felicidades — sorri.
— Igualmente, irmã — fez um carinho rápido no meu cabelo e foi cumprimentar o resto.
Luana passou quase esbarrando em mim e rolei os olhos, Diego conversava com a Mavi e voltei até eles.
— Quem chamou essa daí? — Mavi disse.
— Fazer o que né — falei tomando um gole do drink e logo Henrique e Marcelo vieram conversar com a gente.
— E a Lauren? — Marcelo perguntou.
— Achou um corpinho lá embaixo.
— Olha como ela tá — Diego disse.
— Vivendo né — Marcelo completou.
— E essa cara de bosta? — falei pro Henrique que estava quieto.
— Tava sem vontade de vir, esses caras me arrastam pra encher a cara.
— Também fui arrastada — Mavi disse olhando o celular.
— Vamos viver gente, nossa senhora — falei bebendo mais um pouco.
— Sem se passar hoje né? — Diego disse e eu ri alto.
— Que cara de pau, como se não bebesse todas também.
— Eu não — riu.
Lauren apareceu um tempo depois e tiramos umas fotos do nosso grupo, Marcelo logo largou no insta e o pessoal já estava começando a enlouquecer.
— Patricinha foi flagrada na porsche de pouca roupa, Nino quer saber de nada, solteiro quer que se foda — eu e as meninas cantávamos alto.
— Nunca foi truta do cara então receba o seu doce — Léo e Marcelo apareceram cantando e quando olhei pra trás a Luana pegava o copo da mão do Diego, já senti meu corpo estremecer. Ele pegou de volta e veio até mim sem dar palco pra maluca.
— Acalma o coração, gata — ele chegou passando a mão na minha cintura.
— É só ela não chegar perto de você, simples — ele riu.
— Não tem que se preocupar loira, deixo essa louca falando sozinha — deu uns goles na bebida — Você sabe bem que só tenho olhos pra uma.
— Não sei, você é cachorro e não confio em homens — bebi do seu copo e ele riu me puxando mais pra ele e descendo a mão pra minha bunda.
— Eu sou louco em tu mulher, cada dia que passa eu te quero mais — olhou pra minha boca — Te curto pra caralho e você sabe, quero só você, gostosa — meu sorriso saiu automaticamente e ele me beijou. Não quero me apaixonar... era o que passava na minha cabeça e ao mesmo tempo eu sentia um misto de sensações boas dentro de mim.
Mavi
Eu estava dançando com a Lauren quando senti uma mão me puxando devagar pelo braço.
— Que foi, Henrique?
— Cara, não tem como eu deixar isso quieto, tu tem noção?
— Vai começar de novo?
— Olha as marcas no teu braço, Maria Vitória, tá entendendo a situação?
— Eu já te falei que não é nada, deixa de ser louco.
— Tu tá com um cara que te agride, porra, eu juro que vou matar esse filho da puta.
— Henrique, para! Só para — meus olhos marejaram e eu já estava com vontade de sumir.
— Tu nem ama esse cara pra tá aceitando isso, Mavi, qual foi?
— Tá tudo bem aqui? — Léo apareceu e eu saí dali, lágrimas já rolavam no meu rosto e desci as escadas rapidamente. Nathi e Diego já tinham ido pra casa e o resto estava se divertindo, então iria pedir um uber pra ir embora.
Há exatos 3 dias atrás eu havia questionada o Tomás sobre a ex dele, nem me surpreendi quando a Lauren me contou porque eu já sabia, mas sabe quando tu fica apegada numa versão da pessoa que não existe mais? É difícil aceitar que não é mais a mesma coisa, eu estava presa nos momentos bons. Enfim, acabamos brigando e ele me segurou firme pelos pulsos, deixando marcas. Não foi a primeira vez mas depois sempre vinham flores com desculpas, jantares e carinho prometendo mudança, aí é foda.
Henrique me viu um dia depois e ironicamente ele é a pessoa que mais presta atenção em mim, então é óbvio que percebeu. Eu tentava esconder com maquiagem, massagem, tudo que é coisa até pros meus pais não verem, mas o Henrique é o Henrique.
Assim que eu saí lá fora me deu uma tontura horrível e me encostei na parede, fechei os olhos e respirei fundo. Coloquei a mão no rosto e mais lágrimas saíram, eu estava com um aperto no peito e uma sensação ruim.
Senti alguém me abraçando e sabia quem era só pelo perfume e o carinho no cabelo, eu chorei no ombro do Henrique e parecia até que o abraço dele afastava o sentimento ruim, ele me confortava sempre. Olhei pra ele que limpou meu rosto e colocou meu cabelo pra trás, enquanto eu o olhava pensei no tanto que eu amava esse garoto mais do que eu imaginava.
Ficamos uns minutos com o rosto perto em silêncio e ele acariciava meu cabelo.
— Eu vou acabar tudo com ele — falei.
— Você é foda pra caralho pra estar aceitando esse tipo de coisa, e sabe bem.
— Obrigada por sempre cuidar de mim, mesmo sem eu merecer — segurei sua mão e ele deu um sorrisinho — E eu quero que... — suspirei antes de falar — Que você espere por mim, Henrique.
— Ta bebada? — eu ri.
— Eu só invisto em cara errado enquanto o que eu sempre quis tava aqui o tempo todo, eu demorei pra aceitar os sentimentos que eu tenho por você — ele me olhava surpreso — Mas eu tô me sentindo mal pra caralho com essa situação e não quero que você fique nessa minha confusão, entende? Eu também nem sei o que tô sentindo em relação ao Tomás, eu tô confusa.
— Relaxa Mavi, não precisa quebrar a cabeça pensando, eu entendi. Vamos embora? — eu concordei e ele me guiou ate o carro com a mão na minha cintura, minha visão estava turva e assim que entrei no carro fechei os olhos.
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Era pra ser
RomanceSeria uma viagem de réveillon normal como as outras, ou pelo menos Nathalia e Diego pensavam que seria até se conectarem um ao outro. Como se não bastasse ser encontro, foi amor.
