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ENTRE DOIS MUNDOS
Os dois caminhos pulsavam diante dela.
O da superfície era pálido, instável, como uma lembrança mal fixada — ruas conhecidas, vozes distantes, uma vida que insistia em parecer normal.
O outro não tinha forma definida. Não era escuro nem claro. Era profundo. Como se não levasse a um lugar, mas a um estado.
s/n sentiu o peso da decisão apertar o peito.
— Se eu atravessar… — ela começou — eu ainda sou eu?
Pennywise não respondeu de imediato. Ele observava os caminhos como quem encara algo antigo demais para ser explicado com palavras simples.
— “Você nunca deixou de ser,” — disse por fim.
— “Mas vai deixar de fingir.”
Ela respirou fundo.
— E se eu voltar?
— “Você vai esquecer partes,” — ele respondeu, com honestidade cruel.
— “Não tudo. Nunca tudo.”
Ele a encarou.
— “Mas o suficiente para sobreviver.”
s/n fechou os olhos por um segundo.
Ela pensou nos meninos.
Na cidade.
No medo constante que sempre sentiu sem saber por quê.
Na sensação de nunca pertencer completamente a lugar nenhum.
E pensou nele.
Não como monstro.
Mas como algo preso, antigo, dividido entre fome e consciência.
— Você ficaria sozinho — ela disse, abrindo os olhos.
Pennywise desviou o olhar.
— “Eu sempre estive.”
Ela deu um passo à frente.
— Mas não precisa mais.
Ele a encarou bruscamente.
— “Não escolha por mim.”
— Não estou — ela respondeu. — Estou escolhendo por mim.
O lugar reagiu.
O lago brilhou forte, lançando reflexos que mostravam versões dela mesma:
criança,
adolescente,
agora.
Todas olhando de volta.
— Eu não quero esquecer — s/n disse. — Nem fingir que nada disso existe.
Ela caminhou lentamente em direção ao caminho profundo.
Pennywise não a impediu.
Mas a voz dele saiu baixa, carregada.
— “Se você atravessar… eu não vou mais poder mentir pra você.”
— “Nem te proteger do que eu sou.”
Ela parou por um segundo.
— Então não minta — respondeu. — E não me proteja do que eu posso ser.
Silêncio.
Então, algo mudou nele.
Não fisicamente — mas internamente.
O sorriso desapareceu por completo.
Os olhos deixaram de brilhar de forma caótica.
Ele parecia… inteiro.
— “Você entende,” — disse, quase em reverência.
s/n estendeu a mão para ele.
— Não totalmente.
Ela sorriu de leve.
— Mas o suficiente.
Ele hesitou.
Pela primeira vez, Pennywise hesitou por medo de tocar, não de destruir.
Mas tocou.
No instante em que as mãos se encontraram, o mundo rasgou.
Não como antes.
Não com violência.
Foi como atravessar água morna.
s/n sentiu o corpo inteiro vibrar, como se cada memória fosse reorganizada. Não apagada — reposicionada.
Ela não estava desaparecendo.
Estava se expandindo.
Vozes ecoaram — não ameaçadoras, mas curiosas.
— Ela atravessou.
— Ela escolheu.
— Ela vê.
Pennywise segurou firme a mão dela.
— “Ignore,” — murmurou. — “Eles não mandam mais.”
Quando tudo se acalmou, o lugar era outro.
Não era Derry.
Não era o esgoto.
Não era o mundo humano.
Era um espaço liminar — silencioso, vasto, estável.
s/n respirou fundo.
— Eu ainda estou aqui — disse, surpresa.
— “Está,” — Pennywise confirmou.
— “Mas agora… você não está presa.”
Ela o encarou.
— E você?
Ele fechou os olhos por um instante.
Quando abriu, algo nele estava diferente.
Menos máscara.
Menos ruído.
— “Eu não sou mais só aquilo,” — disse. — “Porque você me viu… e não se desfez.”
Ela sentiu um arrepio profundo.
— O que eu sou agora? — perguntou.
Pennywise se aproximou, não como predador, mas como igual.
— “Você é um ponto de equilíbrio,” — respondeu.
— “Algo que não deveria existir.”
Ela engoliu em seco.
— Isso é perigoso?
Um sorriso lento surgiu — não cruel.
— “Para muitos.”
O espaço ao redor se moveu, revelando, à distância, o mundo humano — Derry dormindo, inconsciente.
— Posso voltar lá? — ela perguntou.
— “Sim,” — ele disse. — “Mas não como antes.”
Ela assentiu.
— Então… vamos aprender.
Ele inclinou a cabeça.
— “Aprender o quê?”
s/n sorriu, sentindo algo novo pulsar dentro de si — não medo, não curiosidade.
Propósito.
— A existir sem destruir tudo.
Pennywise riu baixo.
— “Isso,” — disse, — “vai ser difícil.”
Mas pela primeira vez…
Ele parecia disposto a tentar.
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Pennywise O Palhaço Assassino
ParanormalContém:. Morte. Palavras de baixo calão. Sexo. O pior que imaginarem tem aqui. não me responsabilizo pelo pagamento da psicóloga.
