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Não aconteceu de uma vez.

Foi aos poucos.

Como quando uma música começa a sair do tom e ninguém percebe exatamente em que momento deixou de ser harmonia e virou tensão.

s/n sentiu na manhã seguinte.

Nada visível. Nada concreto.

Mas o ar estava… preciso demais.

Ela estava sentada à mesa, observando a luz entrar pela janela, quando um copo de vidro vibrou sozinho. Não caiu. Não quebrou.

Só vibrou.

— Penny — ela disse, sem se mover.

A resposta veio imediatamente.

— “Eles começaram.”

Ela não perguntou quem.

Ela já sabia.

— Onde?

Uma pausa.

— “Ainda não escolheram um ponto.” — “Estão testando a estrutura.”

O copo parou.

Mas o silêncio que ficou não era natural.

Era observado.

s/n se levantou e foi até a janela. Derry parecia igual — carros passando, pessoas andando, rotina intacta.

Mas havia pequenos erros.

Um homem parado tempo demais antes de atravessar a rua.
Uma criança olhando para o céu sem motivo.
Um pássaro que não batia as asas, apenas planava, imóvel demais.

— Eles estão procurando o melhor lugar para concentrar medo — ela disse.

— “Sim.”

— E quando encontrarem?

— “O evento começa.”

Ela fechou os olhos por um instante.

— Então precisamos interferir antes disso.

— “Interferir diretamente vai acelerar.” — “Eles interpretam resistência como confirmação.”

Ela abriu os olhos novamente.

— Então a gente faz o oposto.

Silêncio curioso da parte dele.

— “Explica.”

Ela respirou fundo.

— A gente reduz o terreno fértil. — O medo cresce quando ninguém entende o que está sentindo. — Mas diminui quando alguém permanece estável.

Pennywise absorveu isso.

Ela sentiu.

Ele estava aprendendo não como entidade.

Mas como presença.

— “Você quer que eu… não reaja.”

— Quero que você exista sem assumir o papel que eles querem.

O ar ao redor dela aqueceu levemente.

Não fisicamente.

Mas como aprovação silenciosa.

— “Isso é mais difícil do que qualquer forma que já usei.”

Ela sorriu de leve.

— Eu sei.

Naquele momento, algo aconteceu do outro lado da cidade.

Ambos sentiram.

Não como dor.

Como um ponto sendo marcado.

s/n levou a mão ao peito.

— Eles escolheram um lugar.

— “Sim.”

— Onde?

A resposta veio mais baixa do que antes.

— “O antigo reservatório.”

Ela prendeu a respiração.

O reservatório abandonado.

Lugar vazio. Esquecido. Perfeito para algo começar sem ser interrompido.

— Ainda temos tempo? — ela perguntou.

Uma pausa.

Mais longa.

Mais honesta.

— “Muito pouco.”

O mundo não tremia.

Não ainda.

Mas algo havia sido posicionado.

Como a primeira peça de um dominó que ninguém lembrava de ter alinhado.

s/n pegou a jaqueta.

— Então vamos.

— “Você tem certeza?”

Ela abriu a porta.

O ar da cidade encontrou seu rosto como um aviso e um convite ao mesmo tempo.

— Não — ela respondeu. — Mas vou mesmo assim.

E, em algum lugar profundo sob Derry…

algo que não tinha olhos

começou

a prestar atenção de volta.

Pennywise O Palhaço AssassinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora