A noite chegou sem anúncio.
Sem pôr do sol dramático.
Sem mudança brusca.
A luz apenas… desistiu devagar.
E Derry respirou junto com ela.
—
Ninguém foi embora.
Isso, por si só, já era estranho.
Normalmente, depois de qualquer encontro com o impossível, havia fuga. Estratégia. Planos urgentes.
Agora havia permanência.
Bill percebeu primeiro.
Eles estavam sentados.
Simplesmente sentados.
Na sala de s/n.
Como pessoas normais tentando entender algo que não cabia em normalidade nenhuma.
—
Richie quebrou o silêncio:
— Então… alguém mais acha estranho que ainda estejamos vivos e não gritando?
Eddie respondeu imediatamente:
— Eu estou gritando por dentro.
— Isso conta — Richie disse.
—
Beverly caminhava lentamente pela sala, observando os detalhes.
Fotos.
Objetos comuns.
Vida cotidiana.
— Ele consegue ver tudo daqui? — ela perguntou.
s/n respondeu:
— Sim.
Uma pausa.
— Mas ele não vê como antes.
Bill olhou para o espaço vazio.
— Como agora?
Silêncio.
Então Pennywise respondeu:
— “Antes eu observava pontos fracos.”
Uma pausa.
Mais longa.
— “Agora eu observo escolhas.”
—
Ben absorveu aquilo em silêncio.
— Isso deve ser… confuso.
— “É.”
A honestidade continuava desconcertante.
—
Do lado de fora, um carro passou lentamente pela rua.
O som pareceu alto demais.
Real demais.
Como se o mundo comum estivesse voltando aos poucos.
Mas algo ainda observava.
Sempre observava.
—
Stanley falou sem levantar a voz:
— Eles ainda estão aqui.
s/n assentiu.
— Mais distantes.
— Avaliando estabilidade — Stan completou.
— “Sim.” — confirmou Pennywise.
—
Eddie esfregou as mãos nervosamente.
— Certo, então temos espectadores cósmicos, um ex-monstro em reabilitação existencial e nenhuma instrução clara. Excelente cenário.
Richie apontou para ele.
— Eu votaria em você como líder em crises, Eds.
— Eu morreria em cinco minutos.
— Justamente por isso seria memorável.
—
Bill ignorou a troca.
Algo o incomodava.
— Derry está calma demais.
Todos perceberam quando ele disse.
Era verdade.
A cidade nunca ficava neutra por tanto tempo.
Sempre havia sinais.
Pequenos erros.
Coincidências erradas.
—
E então aconteceu.
Um som.
Distante.
Uma bola quicando na calçada.
Uma.
Duas.
Três vezes.
Todos congelaram.
Eddie sussurrou:
— Não…
Richie olhou para a janela.
— Isso não é ele, né?
O silêncio respondeu antes das palavras.
Pennywise falou, firme:
— “Não sou eu.”
—
s/n já estava andando em direção à porta.
Não impulsiva.
Mas chamada.
Bill a seguiu imediatamente.
Os outros vieram atrás.
Não por coragem.
Por hábito.
—
A rua estava vazia.
Exceto por uma bola vermelha parada no meio do asfalto.
Imóvel.
Perfeitamente centrada.
Como se tivesse sido colocada ali com intenção matemática.
O ar ficou mais pesado.
Diferente da presença de Pennywise.
Mais frio.
Menos… consciente.
—
Stanley falou primeiro:
— Isso é imitação.
Ben concordou:
— Algo tentando recriar o padrão antigo.
Eddie deu meio passo para trás.
— Eu odeio padrões antigos.
—
A bola rolou sozinha.
Parou aos pés de Bill.
Ele não a tocou.
Dessa vez, ele não reagiu como a criança que foi.
Ele apenas observou.
— Isso é a cidade? — perguntou.
Pennywise respondeu lentamente:
— “Não exatamente.”
Uma pausa.
— “É o eco do que eu fui.”
—
O vento soprou.
As luzes da rua piscaram.
E por um segundo —
formas quase visíveis tremularam no ar.
Não criaturas.
Possibilidades.
Como memórias tentando se tornar reais novamente.
—
s/n sentiu a tensão crescer.
Não medo.
Expectativa falhando.
— Eles estão esperando ele reagir como antes — ela disse.
Bill entendeu.
— Provocação.
Stanley assentiu.
— Teste de recaída.
Richie murmurou:
— Isso ficou oficialmente psicológico demais pra mim.
—
A bola quicou sozinha novamente.
Mais forte.
Como insistência.
O ar pressionou.
Esperando.
Empurrando.
Pedindo a velha resposta.
Medo.
Violência.
Domínio.
—
Silêncio.
Longo.
Difícil.
Então Pennywise falou.
Não alto.
Mas absolutamente firme.
— “Não.”
A bola parou instantaneamente.
O peso no ar vacilou.
Como uma equação recebendo um resultado inesperado.
—
Nada aconteceu.
Nenhum ataque.
Nenhuma transformação.
Apenas… ausência de reação.
—
E isso pareceu confundir a própria realidade.
O frio diminuiu.
As luzes estabilizaram.
As formas desapareceram.
A bola perdeu cor lentamente até parecer apenas… comum.
—
Eddie piscou várias vezes.
— Funcionou?
Ben respondeu em voz baixa:
— Acho que sim.
Stanley corrigiu:
— Não terminou.
—
O ar ao redor suavizou.
Uma sensação distante recuou.
Observadores anotando algo invisível.
—
Pennywise falou novamente, quase surpreso:
— “Eles aceitaram essa resposta.”
Richie colocou as mãos na cabeça.
— Certo. Então ignorar o horror existencial é oficialmente uma estratégia válida.
—
Bill finalmente pegou a bola.
Nada aconteceu.
Ele a colocou na calçada.
Sem medo.
Sem raiva.
Apenas encerramento.
—
s/n sentiu algo novo surgir.
Não vindo de fora.
Vindo dele.
Algo pequeno.
Frágil.
Mas real.
— Você está aprendendo — ela disse suavemente.
Silêncio.
Depois:
— “Eu estou escolhendo.”
—
E pela primeira vez—
Derry não respondeu com resistência.
A cidade apenas continuou.
Um cachorro latiu ao longe.
Uma janela se acendeu.
Vida normal retomando espaço.
—
Mas bem acima deles,
em um lugar que não era exatamente céu,
algo ainda observava.
E agora não avaliava perigo.
Avaliava possibilidade.
—
Richie olhou para o grupo.
— Então… alguém mais sentindo que acabamos de passar do tutorial?
Bill quase sorriu.
— Sim.
—
E enquanto voltavam para dentro da casa,
ninguém percebeu imediatamente
que a placa da cidade,
alguns quarteirões dali,
mudara outra vez.
População - Derry. 33.148
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Pennywise O Palhaço Assassino
ParanormalContém:. Morte. Palavras de baixo calão. Sexo. O pior que imaginarem tem aqui. não me responsabilizo pelo pagamento da psicóloga.
