59

20 1 0
                                        

O primeiro a chegar foi Ben.

Não com anúncio.

Não com certeza.

Apenas com a necessidade silenciosa de estar ali.

Derry não o recebeu com hostilidade.

Recebeu com reconhecimento.

Ben Hanscom parou na entrada da cidade, dentro do carro ainda desligado. Suas mãos estavam apoiadas no volante, mas ele não olhava para a estrada.

Ele olhava para o ar.

Como se esperasse que algo tomasse forma.

Nada tomou.

E isso era o mais estranho.

Porque antes, sempre havia sinais.

Balões.

Sombras.

Reflexos errados.

Agora havia apenas… espaço.

Ele saiu do carro.

Respirou fundo.

O ar de Derry ainda era o mesmo.

Mas não era idêntico.

Era como uma casa depois de uma reforma invisível.

Estrutura intacta.

Essência alterada.

Mike estava esperando.

Não na estrada.

Mas sabendo exatamente quando Ben pisaria na calçada da biblioteca.

Ele abriu a porta antes mesmo que Ben levantasse a mão para bater.

Eles se olharam por um momento.

Anos comprimidos naquele silêncio.

— Você também sentiu — Ben disse.

Não como pergunta.

Mike assentiu.

Mike Hanlon parecia mais velho do que Ben lembrava.

Mas não mais fraco.

Mais… estável.

— Não é um retorno — Mike disse.

— Eu sei.

Ben entrou.

Seus olhos percorreram o lugar.

Memórias encaixando nos mesmos espaços físicos.

Mas sem a dor aguda de antes.

Isso o confundiu mais do que qualquer coisa.

— Onde ele está? — Ben perguntou.

Mike demorou um segundo para responder.

— Aqui.

Uma pausa.

— Mas não está caçando.

Do outro lado da cidade, s/n sentiu o momento em que Ben entrou em Derry.

Não como presença física.

Mas como reforço estrutural.

Ela estava sentada perto da janela quando Pennywise falou.

— “Mais um.”

Ela não perguntou como ele sabia.

Ela apenas assentiu.

— Isso torna mais estável — ela disse.

Pennywise O Palhaço AssassinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora