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A primeira falha não foi visível.

Foi sentida.

Como quando uma nota errada é tocada em uma música conhecida — pequena demais para interromper a melodia, mas suficiente para fazer o corpo inteiro perceber que algo saiu do lugar.

s/n estava acordada quando aconteceu.

Não havia barulho. Nenhuma explosão. Nenhum grito.

Apenas o silêncio… ficando atento demais.

— Penny — ela disse, sem se mover.

A resposta demorou.

Isso, por si só, já era errado.

— “Eu senti.”

A voz de Pennywise não veio de um ponto específico. Veio do espaço entre os pensamentos.

— Onde? — ela perguntou.

— “Não onde.”
— “Quem.”

Ela se levantou devagar.

A casa parecia normal. As paredes. O ar. A respiração dela.

Mas havia algo novo.

Não uma presença.

Uma ausência.

— O garoto — ela disse.

Silêncio.

Confirmação.

O estômago dela apertou.

— O que fizeram com ele?

— “Nada direto.”
— “Ainda.”

Ela caminhou até a janela. A rua estava quieta demais para aquele horário. Não vazia. Apenas… contida.

Como se a cidade estivesse esperando permissão para continuar.

— Eles estão observando? — ela perguntou.

— “Sim.”

— Ele está em perigo?

Outra pausa.

Mais longa.

Mais honesta.

— “Ele está visível.”

Isso era pior.

Muito pior.

Porque significava que o garoto não era mais apenas alguém que sentiu.

Ele era alguém que foi percebido de volta.

Do outro lado da cidade, o garoto estava sentado na própria cama, olhando para as mãos.

Nada havia mudado.

E ainda assim, tudo havia.

Ele não conseguia explicar.

Mas o mundo já não parecia completamente sólido.

Como se fosse possível, se olhasse do jeito certo, ver as coisas antes de decidirem o que eram.

Ele não sentia medo.

Sentia expectativa.

E isso não era dele.

s/n fechou os olhos.

— Eles querem um evento — ela disse.

— “Sim.”

— Então vão usar alguém que a cidade não teme ainda.

— “Sim.”

Ela respirou fundo.

— Uma testemunha limpa.

— “Sim.”

A palavra ficou suspensa entre eles.

Testemunha.

Não vítima.

Ainda não.

— A gente precisa chegar nele primeiro — ela disse.

— “Você já chegou.”

Ela franziu a testa.

— Não completamente.

— “O suficiente.”

O ar mudou levemente, como se algo tivesse se inclinado mais perto.

Não invasivo.

Protetor.

— Ele confia em você — Pennywise disse.

— Ele não deveria precisar confiar — ela respondeu.

— “Mas precisa.”

Isso era o que as entidades não entendiam.

Medo era rápido.

Mas confiança…

Confiança era irreversível.

Naquela mesma noite, o garoto olhou pela janela do quarto.

E por um segundo—

apenas um segundo—

ele achou que viu alguém olhando de volta.

Não um palhaço.

Não um monstro.

Apenas uma silhueta.

Parada.

Imóvel.

Esperando.

Ele não gritou.

Não correu.

Apenas disse, em voz baixa:

— Eu sei que você está aí.

A silhueta não respondeu.

Mas também não desapareceu.

E em outra parte da cidade, s/n sentiu isso acontecer.

Sentiu o momento exato em que o medo não venceu.

— Ele não entrou em pânico — ela sussurrou.

E pela primeira vez desde que tudo começou…

Pennywise soou diferente.

Não aliviado.

Mas orgulhoso.

— “Então eles vão ter que tentar algo maior.”

O vento mudou de direção.

Em algum lugar, algo antigo percebeu que estava perdendo controle.

Não da cidade.

Mas da narrativa.

E pela primeira vez em muito tempo—

Derry não estava reagindo ao medo.

Estava observando de volta.

— Isso começou — s/n disse.

— “Não.”

Uma pausa.

— “Isso respondeu.”

E agora, algo mais estava vindo.

Não para destruir.

Mas para corrigir o que não aceitava ser mudado.

Pennywise O Palhaço AssassinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora