O QUE SE MOVE QUANDO SE APRENDE
O espaço liminar não tinha céu, mas havia algo acima — uma presença suave, como um peso que não esmagava. O chão não era sólido nem instável. Ele aceitava quem pisava.
s/n caminhou alguns passos, sentindo que o lugar respondia a ela. Não obedecia — reconhecia.
— Isso reage a mim… — ela murmurou.
Pennywise a observava com atenção silenciosa, como alguém que estuda algo raro demais para tocar sem cuidado.
— “Porque você não entrou aqui como invasora,” — explicou.
— “Entrou como escolha.”
Ela parou.
— E você?
Ele demorou a responder.
— “Eu sempre fui uma força,” — disse por fim. — “Nunca um ponto fixo.”
— “Este lugar… não foi feito para mim.”
s/n virou-se para encará-lo.
— Mas você está aqui.
— “Porque você me trouxe.”
A frase não soou como acusação. Soou como constatação — e algo próximo de gratidão.
O espaço ao redor se moveu lentamente, formando algo parecido com círculos de luz no chão. Dentro deles, imagens surgiram: Derry, o esgoto, a rua do bueiro, rostos que ela reconhecia… e outros que não.
— São futuros? — ela perguntou.
— “Possibilidades,” — Pennywise corrigiu. — “Algumas se rompem. Outras… insistem.”
Ela se aproximou de um dos círculos. Nele, via a si mesma caminhando por Derry, sentindo algo errado antes que qualquer outra pessoa percebesse. Em outro, estava sozinha. Em outro… ele não estava lá.
s/n sentiu um aperto estranho no peito.
— Nem todos incluem você — ela disse.
— “Não,” — ele respondeu com honestidade crua. — “E não deveriam.”
Ela o encarou.
— Isso não te incomoda?
Ele sorriu de leve, sem humor.
— “Me assusta.”
O espaço pareceu se contrair com a palavra.
s/n respirou fundo.
— Então é aqui que eu aprendo a controlar isso?
Ela gesticulou vagamente, tentando nomear o que sentia dentro de si — não poder, não dom.
Consciência ampliada.
— “Aqui,” — Pennywise assentiu. — “E lá.”
Com um gesto lento, ele apontou para Derry ao longe, visível como um reflexo distante.
— “O equilíbrio não se mantém fora do mundo.”
Ela entendeu.
— Eu vou ter que voltar.
— “Sim.”
— Sozinha?
Ele não respondeu de imediato.
O silêncio entre eles não era vazio. Era carregado de coisas não ditas.
— Você pode me acompanhar? — ela perguntou, sem impor, sem exigir.
Pennywise fechou os olhos por um instante. Quando abriu, havia algo novo ali: limite.
— “Eu não posso atravessar como antes,” — disse.
— “A cidade não me aceita do mesmo jeito… e eu também não.”
Ela assentiu lentamente.
— Então você vai ficar entre.
— “Como sempre estive.”
Ela deu um passo mais perto.
— Não exatamente.
Ele a encarou, surpreso.
— Você não está sozinho agora — ela completou. — Mesmo que eu não esteja sempre com você.
Algo no espaço se moveu — não reação, mas registro.
Pennywise soltou uma risada baixa, quase desacreditada.
— “Você redefine tudo com frases simples.”
Ela sorriu de leve.
— Eu passei a vida inteira tentando entender coisas que ninguém explicava.
O espaço começou a se desfazer lentamente, como névoa se dissipando.
— Pennywise — ela disse, antes que a transição se completasse. — Quando eu voltar… eu ainda vou te sentir?
Ele se aproximou, ficando à mesma altura que ela, sem ameaça alguma.
— “Enquanto você não fingir que esqueceu,” — respondeu.
— “Eu vou estar.”
A luz mudou.
O chão sob os pés dela tornou-se familiar demais rápido demais.
Asfalto.
Frio.
Noite.
Derry.
s/n piscou algumas vezes, sentindo o peso do mundo humano retornar — sons distantes, limites claros, gravidade emocional.
Ela estava sozinha.
Mas não vazia.
Algo dentro dela se ajustou, como um compasso encontrando o norte.
Ao longe, um bueiro estalou levemente.
Ela não se virou.
Não precisava.
— Eu sei — murmurou.
O vento soprou entre as ruas.
E, pela primeira vez desde que tudo começara, Derry não parecia faminta.
Parecia… cautelosa.
Porque algo havia retornado à cidade.
Algo que não pertencia totalmente a lugar nenhum.
E isso mudava tudo.
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Pennywise O Palhaço Assassino
ParanormalContém:. Morte. Palavras de baixo calão. Sexo. O pior que imaginarem tem aqui. não me responsabilizo pelo pagamento da psicóloga.
