Pov Chloe
Elis acabou pegando no sono primeiro, eu no entanto, ainda estava acordada encarando o teto pensando nas palavras da minha mãe sobre o passado de Lucas e a sede de vingança nos olhos e no que poderia ter acontecido com o Lucas.
Elis: Amor?- a voz dela saiu baixa, me trazendo de volta.
Chloe: Oi, desculpa. Eu estava pensando.
Elis: No Theo?- Ela se afastou um pouco para me olhar.- Eu vi como ele olhou para você. Ele ainda sente algo por ti, não é? E agora que o pai morreu, ele parece que vai se agarrar a qualquer coisa para não desmoronar.
Chloe: Eu não quero que você se preocupe com isso. Ele não tem mais espaço na minha vida, nem como "quase irmão", nem como nada.
Elis: Eu sei mas ele já causou tantos problemas entre nós antes.- Ela desviou o olhar.
Chloe: Não se preocupe com ele, nada vai nos separar de novo.- Puxei o rosto dela para perto e a beijei.- Vou ao banheiro.- Assim que sai do quarto, escutei um barulho na varanda, fui até lá e encontrei o Theo.
Theo: Veio me dar um sermão sobre deixar a polícia trabalhar?
Chloe: Vim ver como você está, Theo, apesar de tudo nós fomos quase família.
Theo: Claro né, até eu me apaixonar por você e estragar o clima familiar, não é? E agora você está aí, protegendo a Elis como se eu fosse o vilão da história.
Chloe: Você não é o vilão, Theo mas você é instável e essa sede de vingança vai te matar.
Theo: Meu pai não era um santo, Chloe, eu sei disso melhor que ninguém mas ele ultimamente estava estranho, ligava tanto para um tal de Henrique.
Chloe: O pai da Elis? Por que ele falaria com o Henrique?
Theo: É o que eu vou descobrir. Se o pai da sua namoradinha tiver algo a ver com o sangue no chão daquele armazém, Chloe, não vai haver amor no mundo que salve esse relacionamento de vocês.
Chloe: Não ouse envolver o Henrique nisso sem provas.
Theo: Eu vou achar as provas e quando eu achar, espero que você saiba de que lado está.
Ele passou por mim, esbarrando no meu ombro com força. Voltei para o quarto com as pernas bambas. Elis estava quase dormindo mas despertou quando me deitei.
Elis: O que foi? Você está pálida.
Chloe: Nada, meu amor. Só o cansaço.- menti.
Pela primeira vez em muito tempo, eu estava com medo de que a verdade destruísse tudo o que tínhamos reconstruído.
Tentei fechar os olhos e fingir que estava dormindo mas o silêncio do quarto me torturava, não fazia o menor sentido ser o Henrique, o Henrique era um homem de família, um pouco reservado mas Lucas era o submundo.
Senti o braço de Elis envolver minha cintura e ela se aconchegou mais a mim. O calor do corpo dela que antes me trazia paz, agora me trazia uma agonia terrível. Se eu contar, ela vai achar que eu estou desconfiando do pai dela e se eu não contar e o Theo fizer uma loucura, eu a perco para sempre.
Na manhã seguinte, o clima na cozinha era tenso. Minha mãe evitava olhar para o Theo que comia em silêncio, Elis tentava ser gentil puxando assunto mas as respostas dele eram monossilábicas.
Elis: meu pai me ligou mais cedo, Chloe. Ele disse que fez aquele empadão que você gosta e quer que a gente vá almoçar lá hoje. Você quer ir?- Senti um calafrio percorrer minha espinha. Olhei para o Theo de relance e vi o canto da boca dele subir em um sorriso quase imperceptível.
Chloe: Claro, vamos sim.
Theo: Eu também vou sair.- ele disse, levantando-se e batendo a mão no ombro da Elis de um jeito que me deu náuseas.- Divirtam-se no almoço em família. O Henrique é um cara de sorte por ter uma filha como você, Elis. Uma pena que o passado sempre dá um jeito de aparecer na sobremesa.
Ele saiu da cozinha antes que qualquer uma de nós pudesse reagir.
Elis: O que deu nele? Ele está cada vez mais estranho.
Chloe: Ele está de luto, amor. Não liga para o que ele diz.- Forcei um tom casual mas minhas mãos tremiam embaixo da mesa.
Terminamos de comer e fomos nos arrumar para ir a casa do Henrique. Assim que chegamos, o Henrique estava agindo normalmente sendo o anfitrião atencioso de sempre mas agora eu o observava com olhos de detetive.
Henrique: Você está muito calada hoje, Chloe. Aconteceu algo?
Chloe: A morte do Lucas mexeu com o pessoal lá em casa.
Henrique: Compreensível. O Lucas era uma figura complicada mas a polícia vai resolver, não se preocupem com isso. O importante é que vocês duas estão bem.
O celular dele que estava em cima do aparador, vibrou. Eu estava sentada de um ângulo que consegui ver a notificação, era um número desconhecido. Ele não atendeu apenas bloqueou a tela com uma rapidez que me pareceu suspeita. Depois do almoço, Elis foi ajudar a Letícia com a louça, Henrique foi para o escritório resolver alguns assuntos e eu vi isso como uma chance.
Chloe: Preciso ir ao banheiro.- Gritei para as duas na cozinha.
Caminhei pelo corredor na ponta dos pés. A porta do escritório estava entreaberta, Henrique estava de costas para a porta falando ao telefone em um tom de voz que eu nunca tinha ouvido antes. Era baixo, rouco e autoritário.
Henrique: Eu já disse que não quero o garoto envolvido. O Theo é instável, se ele continuar farejando onde não deve, as coisas vão complicar para o lado dele e não, eu não me arrependo. Eu faria de novo para mantê-la segura, só garanta que os rastros sumiram com o fogo.
Nesse momento minhas pernas perderam as forças e eu tive que me escorar na parede para não cair. Eu estava prestes a recuar quando meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem do Theo.
Mensagem: "Estou no portão da casa dele. Tenho as fotos do Henrique perto do Cais na hora do crime ou você sai e me ajuda a confrontá-lo agora, ou eu entro e a Elis vai descobrir da pior forma possível."
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
