Capitulo 70

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Pov Chloe

Elis acabou pegando no sono primeiro, eu no entanto, ainda estava acordada encarando o teto pensando nas palavras da minha mãe sobre o passado de Lucas e a sede de vingança nos olhos e no que poderia ter acontecido com o Lucas.

Elis: Amor?- a voz dela saiu baixa, me trazendo de volta.

Chloe: Oi, desculpa. Eu estava pensando.

Elis: No Theo?- Ela se afastou um pouco para me olhar.- Eu vi como ele olhou para você. Ele ainda sente algo por ti, não é? E agora que o pai morreu, ele parece que vai se agarrar a qualquer coisa para não desmoronar.

Chloe: Eu não quero que você se preocupe com isso. Ele não tem mais espaço na minha vida, nem como "quase irmão", nem como nada.

Elis: Eu sei mas ele já causou tantos problemas entre nós antes.- Ela desviou o olhar.

Chloe: Não se preocupe com ele, nada vai nos separar de novo.- Puxei o rosto dela para perto e a beijei.- Vou ao banheiro.- Assim que sai do quarto, escutei um barulho na varanda, fui até lá e encontrei o Theo.

Theo: Veio me dar um sermão sobre deixar a polícia trabalhar?

Chloe: Vim ver como você está, Theo, apesar de tudo nós fomos quase família.

Theo: Claro né, até eu me apaixonar por você e estragar o clima familiar, não é? E agora você está aí, protegendo a Elis como se eu fosse o vilão da história.

Chloe: Você não é o vilão, Theo mas você é instável e essa sede de vingança vai te matar.

Theo: Meu pai não era um santo, Chloe, eu sei disso melhor que ninguém mas ele ultimamente estava estranho, ligava tanto para um tal de Henrique.

Chloe: O pai da Elis? Por que ele falaria com o Henrique?

Theo: É o que eu vou descobrir. Se o pai da sua namoradinha tiver algo a ver com o sangue no chão daquele armazém, Chloe, não vai haver amor no mundo que salve esse relacionamento de vocês.

Chloe: Não ouse envolver o Henrique nisso sem provas.

Theo: Eu vou achar as provas e quando eu achar, espero que você saiba de que lado está.

Ele passou por mim, esbarrando no meu ombro com força. Voltei para o quarto com as pernas bambas. Elis estava quase dormindo mas despertou quando me deitei.

Elis: O que foi? Você está pálida.

Chloe: Nada, meu amor. Só o cansaço.- menti.

Pela primeira vez em muito tempo, eu estava com medo de que a verdade destruísse tudo o que tínhamos reconstruído.

Tentei fechar os olhos e fingir que estava dormindo mas o silêncio do quarto me torturava, não fazia o menor sentido ser o Henrique, o Henrique era um homem de família, um pouco reservado mas Lucas era o submundo.
Senti o braço de Elis envolver minha cintura e ela se aconchegou mais a mim. O calor do corpo dela que antes me trazia paz, agora me trazia uma agonia terrível. Se eu contar, ela vai achar que eu estou desconfiando do pai dela e se eu não contar e o Theo fizer uma loucura, eu a perco para sempre.

Na manhã seguinte, o clima na cozinha era tenso. Minha mãe evitava olhar para o Theo que comia em silêncio, Elis tentava ser gentil puxando assunto mas as respostas dele eram monossilábicas.

Elis: meu pai me ligou mais cedo, Chloe. Ele disse que fez aquele empadão que você gosta e quer que a gente vá almoçar lá hoje. Você quer ir?- Senti um calafrio percorrer minha espinha. Olhei para o Theo de relance e vi o canto da boca dele subir em um sorriso quase imperceptível.

Chloe: Claro, vamos sim.

Theo: Eu também vou sair.- ele disse, levantando-se e batendo a mão no ombro da Elis de um jeito que me deu náuseas.- Divirtam-se no almoço em família. O Henrique é um cara de sorte por ter uma filha como você, Elis. Uma pena que o passado sempre dá um jeito de aparecer na sobremesa.

Ele saiu da cozinha antes que qualquer uma de nós pudesse reagir.

Elis: O que deu nele? Ele está cada vez mais estranho.

Chloe: Ele está de luto, amor. Não liga para o que ele diz.- Forcei um tom casual mas minhas mãos tremiam embaixo da mesa.

Terminamos de comer e fomos nos arrumar para ir a casa do Henrique. Assim que chegamos, o Henrique estava agindo normalmente sendo o anfitrião atencioso de sempre mas agora eu o observava com olhos de detetive.

Henrique: Você está muito calada hoje, Chloe. Aconteceu algo?

Chloe: A morte do Lucas mexeu com o pessoal lá em casa.

Henrique: Compreensível. O Lucas era uma figura complicada mas a polícia vai resolver, não se preocupem com isso. O importante é que vocês duas estão bem.

O celular dele que estava em cima do aparador, vibrou. Eu estava sentada de um ângulo que consegui ver a notificação, era um número desconhecido. Ele não atendeu apenas bloqueou a tela com uma rapidez que me pareceu suspeita. Depois do almoço, Elis foi ajudar a Letícia com a louça, Henrique foi para o escritório resolver alguns assuntos e eu vi isso como uma chance.

Chloe: Preciso ir ao banheiro.- Gritei para as duas na cozinha.

Caminhei pelo corredor na ponta dos pés. A porta do escritório estava entreaberta, Henrique estava de costas para a porta falando ao telefone em um tom de voz que eu nunca tinha ouvido antes. Era baixo, rouco e autoritário.

Henrique: Eu já disse que não quero o garoto envolvido. O Theo é instável, se ele continuar farejando onde não deve, as coisas vão complicar para o lado dele e não, eu não me arrependo. Eu faria de novo para mantê-la segura, só garanta que os rastros sumiram com o fogo.

Nesse momento minhas pernas perderam as forças e eu tive que me escorar na parede para não cair. Eu estava prestes a recuar quando meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem do Theo.

Mensagem: "Estou no portão da casa dele. Tenho as fotos do Henrique perto do Cais na hora do crime ou você sai e me ajuda a confrontá-lo agora, ou eu entro e a Elis vai descobrir da pior forma possível."

Sem medo de amarOnde histórias criam vida. Descubra agora