Harry Potter, A Toca, 25 de dezembro, 9h44.
Harry estava sentado em uma poltrona diante da lareira d'A Toca, brincando distraidamente com o relógio de bolso que ganhara de presente da Sra. Weasley. Perdido em meio aos sons do caos da casa e à voz de Celestina Warbeck, mantinha os olhos fixos nas chamas da lareira enquanto Delphini, enroscada em seu colo, cochilava, já que nunca fora muito chegada às manhãs, e ele acompanhava baixinho a melodia da cantora galesa que saía do Rádio Bruxo.
Sua mente vagou para o outro lado do mundo, até sua mãe e suas irmãs, que naquele momento estariam comemorando as Saturnais, uma celebração da qual ele ainda nunca participara. Perguntava-se como seria, como seria o Acampamento Meio-Sangue. Harry ouvira inúmeras histórias sobre o pequeno acampamento em Nova York, mas nunca sentira um interesse genuíno em conhecê-lo.
Algumas das semideusas entre suas irmãs lhe contaram o quanto achavam o acampamento sufocante: as regras, as exigências, a superlotação do chalé de Hermes; tudo parecia pressioná-las de todos os lados. Zoë o descrevera como uma prisão e um refúgio ao mesmo tempo para os semideuses, um lugar para onde iam quando inevitavelmente se metiam em problemas no mundo mortal e eram enviados para lá pelo próprio bem. Já Artemis o descrevera como uma civilização em miniatura, onde artesãos, filósofos e soldados conviviam. Normalmente ela demonstrava desprezo por esse tipo de organização, mas, ao falar do acampamento, sua voz carregava um respeito que Harry raramente ouvira quando o assunto surgia.
Não era um lugar que Harry acreditasse que gostaria, mas era onde suas irmãs estavam naquela época do ano, e ele não conseguia afastar a saudade que sentia de vê-las novamente. Principalmente naquele ano, o primeiro de uma longa sequência sem Sirius e Atalanta. Seu peito doía só de pensar nisso. A perda ainda era recente em seu coração e, embora tivesse enfrentado seus pesadelos na caverna de Melinoë e aceitado suas mortes sob Patiti, sabia que aquele sentimento de vazio ainda permaneceria por muitos anos.
Com um leve movimento do pulso, Harry fez o relógio de bolso girar ao redor da mão antes de apanhá-lo novamente. Seus olhos deixaram as chamas e pousaram no relógio. Era um objeto velho, bastante gasto, que já carregava muitos anos de uso antes mesmo de chegar às suas mãos. Fora um presente da Sra. Weasley e pertencera ao irmão dela, Fabian Prewett, um homem que, ao lado do irmão gêmeo Gideon, obrigara cinco Comensais da Morte a se unirem para derrotá-los.
Seu polegar deslizou sobre um amassado na tampa traseira do relógio, imaginando de onde viera aquela marca enquanto o tique-taque acompanhava o ritmo do relógio de pêndulo da sala de estar; como as batidas constantes de um coração, lembrando Harry da maneira como a Sra. Weasley agira depois que ele derrotara a sombra daquele monstro.
Ela o puxara para um abraço desesperado e preocupado; não se importara nem um pouco com o fato de ele estar coberto de sangue e vísceras ou vestido para a batalha. Naquele instante, a Sra. Weasley não agia como uma adulta, mas como uma mãe aflita diante de alguém que considerava seu próprio filho. Ficou examinando-o de cima a baixo em busca de qualquer ferimento enquanto dizia repetidamente que estava tudo bem, tentando consolá-lo como se ele fosse apenas uma criança assustada.
Só mais tarde Harry percebeu que ela, na verdade, estava falando para si mesma, já que Bill e Ron também haviam sido feridos no ataque. Foi então que Harry agradeceu por ter conseguido puxar Avernus para longe da plataforma; se o monstro tivesse permanecido ali, sem dúvida teria ido atrás de Molly.
Depois que a Ordem apareceu, Harry, Delphini e Luna tentaram se despedir e voltar para Grimmauld Place, mas a Sra. Weasley não quis nem ouvir falar disso e arrastou os três para A Toca para passarem o Natal.
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Sob a Lua dos Caçadores Vol.5 A Filosofia do Medo - Harry Potter ( Tradução )✓
Fanfiction[Parte cinco de O Herdeiro da Caçada.] A guerra está chegando e, enquanto um Lorde das Trevas se levanta, mais poderoso e terrível do que nunca, o herói destinado a destruí-lo não está em lugar nenhum, enquanto o sangue corre nas ruas, o mundo divin...
