Cap. 44

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O calor do corpo de Travis contra o seu era a única coisa real naquele matagal. Claire descontou sua frustração tentando se soltar daquele abraço, mas Travis a manteve firme contra o peito, colando o queixo em seu ombro enquanto respirava fundo, buscando as palavras que guardara por tantos dias.

- Eu fui um covarde por ficar calado, Claire. - ele confessou, a voz saindo rouca e falhada perto do ouvido dela. - Mas não ouse dizer, nem por um segundo, que eu acho que você ou esse bebê são um erro.

Claire parou de se debater, sentindo os braços dele tremerem de leve ao redor de sua cintura. As lágrimas ainda escorriam por seu rosto, mas o amargor deu lugar a uma confusão dolorosa.

- Então por que sumiu? - ela perguntou em um fio de voz, virando o rosto de leve para tentar encará-lo. - Por que me tratou como se eu fosse um fardo de vidro desde que aquela clínica nos deu a notícia?

Travis soltou um suspiro longo, desfazendo o aperto na cintura dela apenas para segurar em suas mãos, virando-a de frente para ele na margem do rio. Os olhos verdes dele estavam marejados, exibindo uma vulnerabilidade que quebrou qualquer resto de raiva que Claire ainda sentia.

- Eu fiquei cego de medo. - ele admitiu sincero, olhando nos olhos dela. - Quando a Kate me contou sobre a gravidez do passado... sobre a dúvida e o aborto, o mundo desabou na minha cabeça. Eu passei dias pensando no filho que eu nunca pude conhecer, sentindo uma dor que eu nem sabia que existia. E aí, no meio desse turbilhão, o médico diz que você está grávida.

Ele deu um passo à frente, colando suas testas e segurando o rosto de Claire entre as mãos com uma delicadeza extrema.

- Eu não fiquei mudo porque não queria o bebê, Claire. Eu travei porque senti o maior terror da minha vida. O terror de perder vocês dois. A minha cabeça só conseguia pensar em como a Kate perdeu aquela criança, e o medo de que algo acontecesse com você ou com o nosso filho me deixou maluco. Eu tentei cuidar de você porque era a única forma que meu cérebro encontrou de garantir que nada desse errado de novo. Eu me isolei porque não conseguia admitir que estava apavorado.

Claire engoliu em seco, sentindo o peito desarmar por completo diante da revelação. Suas teorias dolorosas sobre Kate e o arrependimento dele se desfez em segundos. Ele não estava com saudades do passado; ele estava lidando com o luto e com o peso de um recomeço.

- Eu também estou apavorada, Travis. - ela confessou baixo, deixando que ele limpasse suas lágrimas com o polegar. - Eu passei a vida fugindo da ideia de ser mãe, com medo de perder quem eu sou... de ser submissa a alguém.

Travis soltou um meio sorriso de canto, aquele carisma rotineiro voltando aos poucos aos seus lábios. Ele roçou o nariz no dela, selando sua bochecha com carinho.

- Você? Submissa? Eu teria mais medo de você do que do touro Exodus ao tentar te mandar alguma coisa, Claire Campbell. - ele brincou suavemente, fazendo-a soltar uma risada fraca entre o choro. - Nós dois estamos com medo, e eu sei que mudei meus planos e os seus. Mas nós vamos enfrentar isso juntos.

O alívio foi tão intenso que as pernas de Claire fraquejaram, mas Travis a segurou pela cintura, unindo seus lábios em um beijo demorado, cheio de saudade, desejo e uma promessa silenciosa de que dali para frente não haveria mais barreiras entre eles. 

O beijo que começara suave logo ganhou pressa, transformando a promessa de perdão em uma urgência que ambos tentavam sufocar há dias. Travis a apertou contra si com mais força, aprofundando o contato enquanto sua língua pedia por passagem, encontrando a de Claire em um ritmo compassado e ardente. Ela envolveu os braços no pescoço dele, enterrando os dedos nos fios escuros de seu cabelo, esquecendo-se completamente de qualquer medo ou insegurança.

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