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    Com os olhos focados na estrada sem fim e as mãos bem firmes no volante, comecei a refletir o quanto ela mexia comigo. Com ela, foi possível esquecer o quão revoltado estou com a minha vida. Foi possível esquecer a raiva que sinto em relação ao Jeremy, a tristeza que invadia o meu coração com o desaparecimento da minha irmã pequena e a desilusão que sentia de mim mesmo ao relembrar o olhar de sofrimento da minha mãe. Por meros instantes, todos esses sentimentos desvaneceram. Apenas eu e ela, abraçados ao pôr-do-sol, sem comprimissos, partilhavamos o nosso calor humano ao som das ondas inquietas como se tudo tivesse certo. Aliás, tudo parecia certo. 

  Já perto da minha urbanização, notei que estava um número irregular de carros parqueados na minha rua. Arqueei a sobrancelha por poucos segundos, mas depois conclui que pudesse haver um jantar na casa de algum dos meus vizinhos. Após estacionarmos os carros na garagem, ao sairmos dos mesmos, reparamos que se conseguia ouvir vozes vindas de dentro de casa. Abri a porta, com os olhos semicerrados na dúvida de quem puderia estar cá em casa nesta altura. Uma onda de nervos passou pelo meu corpo inteiro quando deparei-me com certas pessoas sentadas na sala de estar a conversar de cabis baixo, acompanhadas, não pela minha mãe, mas sim por copos de vinho:

- Mas o que que se está a passar aqui? - perguntei, sem hesitação.

Ninguém se deu ao trabalho de responder, continuaram na sua conversa e a servir-se como se isto fosse a casa do povo:

- Quem são estas pessoas, Justin? - sussurou a Safyra, que estava atrás de mim.

- São os meus familiares. - disse com um tom pouco feliz. - Importaste de subir para o quarto? Não quero apresentar-te a esta gente. 

Surpreendentemente, ela acenou com a cabeça e subiu as escadas. Entrei na sala e olhei para todos, marcando a minha presença. Estes finalmente olharam para mim:

- O que que vocês estão aqui a fazer? - perguntei.

- Oh querido, Justin! Estás tão grande... - disse a tia Kelly, irmã mais velha do meu '' pai '' .

- Eu fiz uma pergunta. - disse frio.

- Foi uma pergunta parva, não é, Justin? Viemos cá apoiar-vos. - disse o tio James, irmão do meu '' pai ''. 

- Nós não precisamos do vosso apoio para nada! - cuspi as palavras.

- Justin! - ouvi a voz da minha mãe a vir da cozinha. - Vem cá agora.

Abandonei a sala com todo o mundo chocado com a minha resposta e fui à cozinha ter com a minha mãe. Ela estava a cozinhar no fogão quando entrei na mesma:

- Justin... Por favor, não comeces!

- Pelo amor de Deus, mãe, já reparaste quem são as pessoas que estão na nossa sala? É tudo família da parte do Jeremy.

- Eu sei, Justin, eu sei.

-  Não te lembras, mãe? Eles foram os primeiros a cortar relações connosco quando tu e o Jeremy se separaram, depois das bocas sujas que ele andou para aí a difamar. 

-  Eu não podia nem posso simplesmente mandá-los embora quando eles vieram para cá de bom coração.

- De bom coração? Olha à tua volta, mãe. Depois de um dia tão stressante, cá estás tu a fazer comida para dez pessoas, que nunca tiveram a delicadeza de telefonar para saber se estavamos vivos ou não. Algum deles está aqui ajudar-te? Algum deles disse para não te incomodares a fazer comida? Algum deles aconchegou-te e disse que ia ficar tudo bem? 

Undefined Love || J.BHistórias para pegar e não largar. Descubra agora