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Hoje marcava o meio da terceira semana de aulas da Glen View High.
Duas semanas já se tinham passado desde daquela tarde que eu e o Justin partilhamos as nossas tristezas e eu, as minhas lágrimas...
Posso afirmar que o ambiente entre nós melhorou, não somos propriamente melhores amigos mas também não somos inimigos.
Na escola, as palavras, como sempre, são substítuidas por olhares profundos mas curtos devido aos olhares de morte da Chanel. Sim, eu e a Emily ainda deitamos a lingua de fora cada vez que vemos aqueles dois agarrados a cada esquina da escola a lambuzarem-se um no outro! Eu acho que já são oficiais ou será que a carência do Justin ainda não esgotou, como a Em previa?

Despertei com o som da campainha que marcava o fim da minha primeira aula prática de Biologia. Os nervos invadiram a minha barriga quando vi a professora à porta com um molho de folhas na mão, que diminuia cada vez que um aluno passava pela porta.
Presumi que fosse o teste que tinhamos feito na semana passada e receava da minha nota. Assim que me aproximei da porta, a professora, que já tinha cara de aborrecida desde nascença, entregou-me o teste e logo, bufei um suspiro de alivio:

- Parabéns Crystal. Foste a melhor da turma. - ao terminar a sua frase, a sua boca esboçou um sorriso.

Um grande '' A+ '' situava-se no canto superior direito da minha folha de teste.
Sorri para a professora e saí da sala... Tinha medo que o drama que tenho passado com Justin fosse me distrair dos meus estudos, mas cá está a prova viva, que eles permanecem intactos. Apesar de não estar nesta escola por vontade própria, eu tinha que fazer disto da melhor contribuição para o meu futuro. Aliás, os meus pais deixaram muito claro que esse era o objetivo.
A minha manhã estava preenchida com duas aulas práticas, logo os meus intervalos eram passados dentro da Secção B, que é uma espécie de pavilhão de madeira com apenas um andar com vários laboratórios.
Dez minutos se passaram e a campainha tocou de novo, dando início à aula pratica de Química. Entrei na sala e sentei-me na segunda carteira da fila do meio...
Não gostava de estar demasiado à frente nem demasiado atrás.
A mesa era feita de mármore, tinha um lavatório e um espaço longo para realizarmos as experiências, sendo que os materiais necessários estavam num armário branco e rústico, que se localizava no canto da sala. Enquanto punha o meu caderno e estojo em cima da mesa, vi um rapaz familiar a entrar de costas na sala. Quando ele se virou, logo vi os seus olhos verdes carregados a cruzarem se com os meus.

- Sentem-se individualmente. Daqui a pouco, eu irei escolher os vossos pares! - declarou a professora.

Desviei logo o olhar, pegando na minha caneta para começar a escrever o sumário que já se encontrava escrito no quadro. Depois de alguns minutos, a sala encontrava-se silênciosa e pouco agitada, já que toda a gente estava nas suas bancadas a apontar as indicações da professora.

- Muito bem. Está tudo preparado para escolher os seus pares? - fez uma pequena pausa à espera de uma resposta. Alguns alunos acenaram com a cabeça de forma positiva. - Os números pares podem vir escolher um papelzinho, que terá o nome do vosso colega de laboratório até ao fim do ano.

Eu era o número 26 por isso, levantei-me e tirei um papel da secretária da professora. Quando o abri, o numero 3 estava estampado. Olhei para a minha professora, confusa, porque não sabia quem era o número 3. Quando mostrei o papel, ela olhou para a sala:

- Número 5!

- Sou eu. - ouvi uma voz rouca familiar a vir do fundo da sala.

- É preciso ter muito azar... - murmurei para mim mesma quando vi o Brian com a mão no ar.

- Dirigam-se para a vossa bancada, vão buscar ao armário os materiais necessários e leiam o protocólo com atenção.

Fui até à minha bancada, onde já estava o Brian sentado. Vesti a minha bata e coloquei os oculos de proteção ao meu pescoço, caso fosse preciso...
Sem nenhuma palavra pronunciada, fomos os dois buscar os materiais e procedemos com o protocolo. O ambiente entre nós estava pesado, obviamente porque havia coisas por resolver. Este papel de fingirmos que não nos conhecemos de lado nenhum e que os nossos lábios não se tocaram naquela noite era rídiculo.
Eu queria quebrar o silêncio, mas estava indignada pelo facto de ele não se ter preocupado em mandar mensagem depois da festa e, também não queria romper a minha concentração. Ouvi-o a suspirar e a murmurar:

Undefined Love || J.BHistórias para pegar e não largar. Descubra agora