| Do I Remind U Of Him? |

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— Nunca contei isto a ninguém...

Disse, agarrando os meus joelhos.

— Não confias em mim?

Perguntou ele, olhando para mim.

— Alguma vez deste razões para confiar?

— Não...

— A confiança é algo que se constrói, não aparece de um minuto para o outro.

Informei.

— Eu confio em ti.

— Porquê?

— Já disse... És diferente.

— A única diferença entre mim e as tuas amigas é que elas são oferecidas.

Ele riu.

— E não só. Sei que és diferente porque, por alguma razão, eu consegui baixar a minha guarda para falar sobre o meu passado.

'' Não caias no jogo dele. ''

— Como é suposto eu acreditar no que dizes?

— É irónico, sabes? Terias que confiar em mim, mesmo que não confies.

Suspirei.

— Se te contasse, não seria capaz de parar de chorar.

Ele sorriu:

— Eu estarei aqui para limpar as tuas lágrimas.

Respirei fundo e ponderei o que fazer ao olhar para as minhas mãos inquietas devido ao nervosismos que passava pelo meu corpo.

Nunca tinha me pronunciado acerca daquela noite que assombrava a minha mente durante estes últimos anos porque sabia exatamente como iria reagir ao recordar aquela noite de terror.

Sabia que ia chorar ayé os meus olhos incharem e que ia sentir-me fraca e frágil, algo que odiava ser.

— Ele foi o meu primeiro amor. Estava tão apaixonada por ele, que nem consegui ver as suas cores verdadeiras. Com o passar do tempo, as coisas passaram de flores e arco-íris a um ambiente controlador, compulsivo e agressivo, assim que as coisas não corriam da sua maneira. Todas as borbuletas que antes sentia no estômago foram substituídas por bolas densas de medo que causavam dor e desconforto, em vez de felicidade e prazer. Chegou a uma altura que até medo de falar tinha, pois temia dizer algo errado e como consequência, ficar marcada na cara.

— ... Meu deus, Safyra. Faço-te lembrar dele?

Ignorando a sua pergunta, continuei:

— Na noite que ganhei coragem de finalmente pôr os pontos nos ''is'', as coisas pioraram.

Falei com a voz a falhar por deixar a primeira lágrima cair.

O Justin passou a sua mão pela minha bochecha para que pudesse limpar a lágrima solitária que escorria pela minha face abaixo.

— Não precisas de continuar.

Disse ele num tom compreensivo.

No entanto, eu sentiria-me incompleta se não acabasse de descarregar a carga toda:

— Depois da discussão, saí do apartamento a correr. Era de noite, por isso as ruas daquele bairro encontravam-se vazias. Ouvi passos pesados atrás de mim, por isso escondi-me num beco, mas os seus olhos cheios de raiva encontraram-me.

Suspirei e pus a mão no peito, para tentar controlar a minha respiração.

Engoli em seco e continuei:

— Ele agrediu-me como nunca antes e encostou-me ao caixote do lixo... Enquanto sussurava coisas nojetas ao meu ouvido.

Fechei os olhos e deixei mais umas tantas lágrimas cair.

— Não digas mais nada.

Implorou o Justin, agarrando nas minhas mãos e olhando para os meus olhos que já lacrimejavam por todos os lados.

— Eu pedi que ele parasse, Justin!

Sussurei soluçando.

— Eu gritei e ninguém ouviu.

Pus a mão na boca e baixei a cara enquanto chorava.

O Justin puxou-me para perto dele, oferecendo um ombro amigo para sugar as minhas lágrimas.

Agarrei-me a ele e deixei tudo ir.

A sua mão passava pelo me rosto, nunca deixando uma lágrima sequer terminar o seu percurso. Cumprindo dessa forma a sua promessa.

— Ele apoderou-se de mim e depois, atirou-me para o chão, dando mais uns pontapés na minha barriga, como se fosse um guardanapo usado.

— Shh...

Murmurou ele.

— Nunca me senti tão suja e inútil na minha vida como naquele momento.

— A culpa não foi tua.

Disse o Justin, passando a mão pelo meu cabelo.

— Não foi? Se eu não tivesse acabado com ele, nada disto teria acontecido. Não teria sido violada por quem julhuei por breves momentos ser o homem da minha vida.

— Podias ter sido pior.

— Pior?

Perguntei incrédula, afastando-me dele para o olhar de frente:

— Se não tivesses acabado com ele, mais tarde ou mais cedo, morrerias nos braços dele. Tipos de homens como ele, não são conhecidos por parar. Eles não param.

— Às vezes me pergunto o porquê de não ter sido o suficiente para ele. Sou assim tão horrível?

— Não há nada de errado contigo. Apenas foste vítima de um ato repugnante do qual não tens culpa nenhuma. Fizeste denúncia?

— Não. Como disse, ninguém soube disto. Ele também acabou por desaparecer da cidade. Nunca mais o vi.

— Espero que tenha sido morto.

Murmurou ele.

— Justin, credo!

— Credo? Ele iria sentir a dor que te causou ou ainda pior e assim, iria aprender.

— Isso não ia mudar nada. Mesmo ficando ele com a cara deformada, eu ainda iria ficar com o meu ser destruído.

— Como conseguiste esconder isto de toda a gente?

— Mantendo a boca fechada. Eu não queria ninguém preocupado nem queria ser aquela rapariga que foi violada da escola, muito menos receber pena daqueles que nunca quiseram saber de mim.

— Nem mesmo aos teus pais?

— Muito menos aos meus pais. Eles já tem tantos problemas a resolver durante o seu dia... Tantas preocupações.

— Independentemente do que eles fazem durante o dia a dia, tu sempre serás a prioridade deles.

— Nem sempre.

Respondi, olhando tristemente para as minhas mãos.

Senti a mão do Justin a pousar na minha bochecha, e de seguida, puxando a minha cara para cima de modo a encará-lo:

— Tu és mais forte do que pensas, Safyra.

— Não, Justin.

Respirei fundo e respondi:

— Eu dou-me para forte, mas no interior, não passo de um rapariga cheia de cicatrizes do passado.

Undefined Love || J.BHistórias para pegar e não largar. Descubra agora