Sentei-me á frente da caixa e olhei para o que tinha á minha frente. Faço ou não faço? Eu sei que não devia fazer, porque me faz mal e essas tangas todas, mas eu preciso. Eu preciso de me esquecer disto tudo. Eu preciso disto.
Peguei no saco que continha um pó branco e espalhei um pouco no chão. Abaixei-me e com um dedo tapei uma narina e com a outra narina inspirei o pó. Assim que inspirei cocei o nariz. Muita gente pensa que somos malucos por nos drogamos, mas a droga ajuda-nos a descontrair.
Graças a deus eu não estou viciada. Só me drogo quando preciso realmente.
Assim que senti a droga a fazer efeito repeti mais umas quantas vezes, até não conseguir mais. Seguei ao ponto em que via tudo á minha volta desfocado. Abri a garrafa de vodka preta e bebi como se fosse água e estivesse no deserto cheia de cede. Á medida que bebia as lagrimas iam-me caindo.
Eu odeio esta vida. Nem mesmo mudando de cidade os meus problemas vão todos embora. Por mais anos que passem o meu pai nunca vai deixar de beber. Ele até pode parar durante um tempo, mas depois tem sempre uma recaída. E ai estraga tudo! A minha mãe sobre! Pensando bem, ela também sofre por minha causa. Se eu não falasse torto para o meu pai quando ele está bêbado nada disto acontecia. A minha mãe não tinha tantas nódoas negras e podiam usar qualquer tipo de roupa sem medo de se ver as nódoas. Se calhar eu nem devia ter nascido. Os meus pais só se casaram por minha causa. Se eu não tivesse nascido eles não se tinham casado e podiam estar com pessoas melhores. Eu nasci graças a um descuido. Nenhum deles estava a contar comigo. Se calhar o melhor é eu morrer. Assim eles não vão ser obrigados a ficarem juntos. Podem finalmente separar-se e viverem felizes separados.
Peguei numa lâmina que tinha na caixa e por mais que não quisesse, fiz um corte no meu braço. Comecei por cortes pequenos e não muito profundos. Á medida que ia enchendo o meu braço com cortes, ia aumentando a profundidade. Cada vez eram mais fundos e cada vez saia mais sangue. Quando dei por mim tinha as pernas e o chão cheio de sangue.
Meti os cotovelos nas pernas e as mãos na minha cabeça.
Porquê que eu tenho esta vida? Que mal é que fiz para sofrer assim tanto? Será que não posso ter uma vida normal?
Bebi mais um pouco de vodka preta e guardei as coisas todas na caixa. Levantei-me da poça de sangue que tinha no closet e fui guardar a caixa no sítio. Fiquei a olhar para o chão coberto de sangue e para os meus braços. Um dia isto ainda vai-me calhar mal.
Fui para a casa de banho e tomei um banho. Vesti o meu pijama e deitei-me na cama. Liguei o meu computador e comecei a fazer um trabalho que tinha que fazer. O trabalho era em grupo, mas eu prefiro fazer o trabalho todo sozinha do que ir para casa de um desconhecido ou passar uma tarde na biblioteca da escola.
Ouço a tentarem abrir a porta e olhei para as horas. Devia de ser a minha mãe.
- Já vou! – disse e fui abrir a porta.
Assim que abri a porta o meu corpo todo ficou tenso. Era o meu pai.
- O que queres? – disse seca indo deitar-me outra vez na cama.
- Anda comer! – ordenou.
- Obrigada, mas não tenho fome. – continuei a fazer o trabalho.
- Mas alguém te perguntou se tinhas fome? Eu disse para vires comer.
- E mandas?
- Tu não me provoques! – disse mais alto.
- Eu não te estou a provocar. Tu é que pensas que mandas em alguém!
- Sou teu pai. Tem respeito por mim.
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Depressed (Parada)
FanfictionMais uma rapariga vítima de Bullying. Mais uma rapariga que se corta; Que sofre em segredo; Que toma comprimidos em excesso; Que chora todos os dias; Que tenta o suicídio; Que se acha gorda; Que deixa de comer; Mais uma rapariga com depressão. Mai...
