Capítulo 14

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Deixar para trás pode ser libertador, cada metro que o taxi se afastava da cidade onde nasci mas meu coração ficava aliviado, olhei para o envelope que segurava como se minha vida dependesse disso e uma lágrima rolou sobre meu rosto e caiu sobre o papel, eu não sabia se abria ou intocava esse envelope no fundo de uma gaveta.

Mudanças ao mesmo tempo que eram boas porque significava que se estava vivo eram assustadoras porque nao se sabia o que nos aguardava depois.

Eu sabia que se abrisse aquele envelope minha vida mudaria drasticamente, porque por enquanto a pessoa que minha mãe amou e que tem a outra metade do meu DNA não passa de uma história de amor contada em uma carta e depois que abrisse esse envelope ele não seria só um rosto que desenhei em meus pensamentos mas teria um nome e poderia ser procurado e caberia a mim tomar essa decisão.

Eu não sei se queria aquilo mas ao mesmo tempo saber que não foi o meu pai que fez tudo aquilo comigo que agora eu era só a mãe do meu filho, nao era de uma forma maluca também sua irmã mais velha enchia meu coração de alegria e isso só se tornaria uma realidade se abrisse aquele envelope e foi tomada por esse impulso que comecei a rasgar as laterais daquele pedaço de papel.

Thomas de Assis Baumer.

Ler esse nome e saber do amor que o dono dele e minha mãe sentiram e do sofrimento de ambos por não terem podido viver esse amor fez meu coração doer e outra lágrima se libertou dos meus olhos e caiu encima do nome que agora eu sabia pertencer ao meu pai.

Será que eu tinha seus olhos, os da minha mãe eram verdes e os meus azuis, será que ele seria feliz se soubesse que eu estava a caminho?, será que me ensinaria a andar de bicicleta e beijaria meus machucados todas as vezes que caisse dela?, sera que ficaria feliz se minha primeira palavra fosse papai, eu queria tanto fazer milhares de perguntas para ele e eu o procuraria e faria todas elas e quando essa decisão foi tomada o táxi parou na frente do orfanato.

Já eram quase sete horas da noite eu tinha ultrapassado e muito a hora que falei que iria voltar para a irmã Raquel e sai correndo do táxi logo depois de pagar a corrida, estranhei ao ver o carro da July na frente do orfanato achei que estaria cansada depois de passar o dia todo fazendo provas e não viesse ver o Matheus hoje, sim porque agora eu não existia mais, ela so se importava com ele, eu só ria das suas atitudes perto dele, ela ficava conversando com aquela voz boboca e fazendo aqueles barulhos estranhos que os adultos sempre faziam perto dos bebês, coisa que ela disse que jamais iria fazer porque ela achava que traumatizaria qualquer criança, ela disse que os bebês deviam achar que no planeta terra só tinha gente maluca e mesmo falando tudo isso a primeira coisa que fez quando olhou o Matheus foi falar com aquela voz esganiçada como ele era o bebê mais lindo do mundo mas eu não podia criticar muito já que fazia o mesmo e ele ja estava aprendendo a sorrir com as nossas palhaçadas.

Foi só pensar no sorriso do meu filho que a vontade de vê-lo se multiplicou e corri os poucos metros que faltavam para entrar no orfanato, quando abri a porta todas as irmãs, a madre superiora e a July estavam reunidas na sala, estranhei mais um pouco já que a July não suportava a madre.

- eu sei que me atrasei, me desculpe irmã isso não vai mais acontecer, ele já está dormindo queria ter tanto dado um beijo de boa noite.

Olhei para todas elas quando me sentei em um dos sofás da sala e todas estavam com um semblante preocupado, só a madre que continuava com aquele olhar de indiferença que já era comum no seu rosto.

- o que aconteceu? Parece que viram um fantasma.

- Ana...

A July começou a falar mas eu logo a interrompi.

Eu vou te encontrar.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora