No dia seguinte acordei com Evan em pé numa postura reta em minha frente, ele realmente queria que eu fizesse amizades na prisão, mesmo que eu não visse isso com bons olhos e que isso me ajudaria em algo, mas precisava arrumar uma grana, porém se eu fosse fazer amizades, não poderia ser apenas por interesse, nunca fiz isso e não é por que estou na prisão que vou fazer isso, acho que as pessoas acham que quando está na prisão é por que a mudança completa vai acontecer e que fazemos coisas que nunca pensamos fazer, espero nunca chegar a esse ponto.
– Está pronto? – perguntou com um sorriso em seus lábios.
Sorri e levantei-me da cama. Ele continuava com aquele seu sorriso largo e por incrível que parecesse os seus dentes eram um dos mais brancos e limpos que eu já vi, tinha que assumir isso, e olha que ele não ia para o dentista, mas mesmo assim conseguia de alguma forma ter dentes limpos, um cheiro bom, queria descobrir qual era esses favores que ele fazia para os policiais.
– Sim e você? – perguntei.
– Estou pronto pra que?
– Pra ser ridículo...? – Falei – Eu não entendo por que caralho você quer que eu conheça as pessoas daqui?
O sorriso saiu de sua face, depois de um tempo ele ficou cabisbaixo e eu não sabia o que dizer, mas assim que ia falar qualquer besteira que eu pudesse dizer, ele me interrompeu e olhou fixamente em meus olhos.
– Você precisa entender que a única coisa que eu quero para ti, é que você seja feliz, cara de longe dá pra perceber que você não está legal, aí quando alguém tenta te ajudar tu as fazes ficarem com raiva de ti? – Respirou por um tempo e seu olhar continuava fixo em meus olhos, ele me excitava tanto, seu corpo, seus olhos e seu sorriso provocava algo em mim que eu não sabia nem controlar e nem descrever como era, só sabia que era algo sobrenatural. – Mano cê tá me entendendo?
– Eu só quero que você entenda que... – Tente completar, mas ele no mesmo segundo acabou por me interromper.
– NÃO MESMO! QUEM TEM QUE ME ENTENDER AQUI, É VOCÊ! – Falou apontando o dedo pra mim e com a voz um pouco mais intensa. Acho que naquele momento todos Já estavam nos olhando imaginando o que poderia estar acontecendo de tanto ali, e provavelmente pensando o pior de mim.
– Calma cara. Fala direito. – intrometeu-se Gustav em nossa conversa o que fez ter certeza que todos já estavam olhando nossa possível briga ali.
Ele apontou o dedo pro meio pra Gustav e saiu da sala, acho que ele levou a discussão muito a sério ou ele tinha um ego muito grande que não tolerava que alguém dissesse um não para suas ordens ou não aceitasse ser seu cachorrinho que ele tratava mal.
Nunca fui cachorrinho de ninguém e nunca vou ser, pode ter certeza disso. Não vou deixar ninguém me tratar mal do jeito que ele quis tratar, só passando por cima de meu cadáver e aqui ele não passa nem pelo cadáver dele imagina pelo meu.
Sai da sala com raiva e percebi que todos estavam olhando, mas foda-se e daí.
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SUPREMOS - Contos
RomanceContos da série Supremos. Contos que antecedem os livros da série.
