Capítulo X

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Como não tinha nada pra fazer, e eu não queria ter que me deitar ao lado do tal Sanchez, fiquei sentado próximo ao banheiro. Neste tempo, poderia pensar um pouco em minha vida, o meu desastre de vida. Era bem melhor ter se arriscado a ficar preso por matar os próprios pais e sair em todos os jornais, do que ter ficar sendo controlado de pessoa por pessoa. Primeiro o Sr. Vinci, e depois, estes malucos que não querem revelar o próprio nome e deixam o amigo na toca do lobo.

Eu até me perguntaria o motivo de não ter me deitado ao lado daquele cara, provavelmente ele queria foder comigo, e foi justamente isto que me fez recusar a ideia, cansei de servir como se fosse uma prostituta, preferia ganhar crédito de outra maneira, se eu continuasse a servir como uma puta para todos os caras que eu conheço, eu me perderia em minha própria tormenta.

Fico pensando, quando foi que a solidão da vida adulta me engoliu... Com certeza, a pior época, é um dia depois de fazer dezoito anos, você cai na realidade, vê os problemas que irá enfrentar e batalhar para não ser atingido, muitas vezes, esforços grandes não valem a pena quando você está destinado a ser derrotado.

Talvez o sonho de um filhinho de papai é chegar aos dezoito anos, claro, eles poderão finalmente assumir a personalidade deles publicamente, de pessoas gananciosas e sedentas por dinheiro. O sonho do burro, é completar dezoito anos. A luta que enfrentamos é por todos os lugares, para mostrarmos a sociedade que não somos lixo, e muitas vezes, não somos compreendidos, somos xingados, somos dilacerados e feridos com palavras, mas nunca seremos entendidos.

A dor contaminava meu corpo. O vírus da melancolia, do cansaço me incomodava fazia dias. Eu sentia uma tristeza não tão comum, não tão estranha, mas sentia. Talvez já senti isto, quando tinha catorze ou quinze anos, quando queria me assumir, quando estava com muito ódio dos meus pais por serem quem são. Com estes pensamentos, cai no sono, lá mesmo, próximo do banheiro, e com as costas doendo.


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