Capítulo doze

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Aceitei o emprego. Iria fazer o que? Um ensino médio não iria valer nada em minha vida. Era tudo ou nada, não tinha nem carteira de motorista pra trabalhar com qualquer coisa, não tinha conhecidos e nem experiência para engajar em algo novo, precisava me virar com o que eu tinha naquele momento, e era isto. 

Neguei mil vezes enquanto estava com o Nathan que eu não era uma puta, pra me tratar da forma que me tratava. E olha só? Essa era minha profissão agora.

Eu estava terminando de me 'vestir' com a roupa que aquele mesmo cara me entregou, quase não podia se chamar disto, pois era só uma calça de couro preta e uma cueca com uma abertura na bunda que eu só via nos filmes pornôs americanos.

Sai do banheiro, e naquele corredor só havia eu e ele. Vesti rápido pois ele estava impaciente, segundo ele, tinham muitos clientes naquele dia por ser dia de sexta, e era quando os homens decidiam soltar sua fúria na cama com alguém que não seja a pessoa idiota que acreditou no papinho deles no altar.

- Ficou ótimo, está com camisinha aí? - Perguntou.

- Não. - Respondi.

Ele tirou do bolso e me entregou bem umas dez.

- Pronto, agora vá lá, se senta em um dos bancos do bar ou vá dançar, vai de você se quer ganhar mais dinheiro ou não. Tudo que pegar no bar, você paga com o que recebe no dia, ok? E faça direito, você tem experiência. - Tentei responder, mas ele me atrapalhou na hora. - Enfim, só vá lá e faça direito, se não souber fazer, espero que pegue um profissional para te ensinar direito ou um inexperiente...

Ele saiu depressa e eu segui ele com o passo lento, estava com as camisinhas na mão e coloquei no bolso. 

Entrei lá e as luzes estavam muito fortes, até tampei o rosto. Sentei no bar e fiquei lá bebendo e ficando pensativo. As pessoas chegavam lá e pediam bebidas e voltavam para onde estavam, era pouquíssimos aqueles que ficavam lá, e pareciam ser solitários.

- Vá lá e dance, já estamos perto de fechar, e você bebeu bastante hoje. Encontre caras que pareçam pobres, pois eles que são os ricos. - O cara me disse quando foi pegar uma bebida. Eu trabalhava para ele, e nem mesmo sabia o seu nome, incrível como é as coisas, não é mesmo?

Olhei para todas pessoas ali e havia uma galera sentada ao redor de uma mesa, devia ter cinco caras ali, quatro estavam com uma mulher e um estava sem ninguém, apenas bebendo.

Aproximei ali perto, eu totalmente não sabia o que fazer, não tinha a mínima noção. Quando eu vi que as mulheres olharam pra mim e dois caras olharam para mim se aproximando eu desviei o olhar e a direção. Passei perto para eles não perceberem que eu ia pra lá, quando eu percebi que colocaram um pé em minha frente. Tarde demais... Tropecei e cai no cão. Ouvi grandes risadas, mas antes de me levantar e olhei para trás, ele permaneceu ali e estendeu sua mão para eu levantar.

- Desculpa. - Ele disse.

Ouvi mais risadas.

- Deixa de coisa, Márcio. - Um dos caras falou bastantes à vontade, por assim dizer, mas era a bebida. - Pergunta logo quanto é o programa.

- Nem sei se é garoto de programa. - O tal Márcio respondeu. 

Fiquei lá em pé sem nem saber o que fazer, e me sentia incomodado.

- Você é? - Ele perguntou.

- Sim. - Respondi encabulado.

Ele tinha cabelos loiros, um físico malhado e também tinha olhos castanhos, bastante atraente. Devia ter entre os seus vinte e três a vinte e cinco anos.

- Quanto é o programa? - Perguntou.

- Cheguei hoje. - Respondi. - Estou confuso com tudo isto.

Ouvi as gargalhadas depois que falei isto.

- Tá com sorte, hein Márcio. Promovido no emprego, solteiro e agora vai pegar um apertadinho? Passa essa sorte pra mim, rapaz! - Um dos outros caras falou, ele parecia ter trinta e oito anos, era um pouco rechonchudo, negro, careca, barbudo e olhos castanhos. As garotas ali só riam por qualquer besteira que eles falavam e bebiam algumas doses.

- Vamos lá, vou perguntar ao Amorim quanto é. - Ele falou levantando-se e pegando em minha cintura. 

- Até parece um casalzim. - Debocharam algum dos caras ali na mesa.

- Ignora eles... Minha primeira vez aqui também. - Ele sussurrou em meu ouvido. 

- Quem é Amorim para começar? - Perguntei.

- Seu chefe... Ele te dá o preço.

Que legal... Agora tenho a certeza que todos nós valemos algo, mas era triste de ver que valemos pouco, mesmo sendo cheio de sentimentos, cheio de vidas, e precisamos nos vender para ter algo... Para sermos felizes... Era só o começo do que eu precisava enfrentar ali, disso eu tinha a certeza.

Fomos até lá e Amorim como sempre, estava todo com o cabelo bagunçado e fazendo mil coisas ao mesmo tempo.

- Ô Amorim, quanto é o preço dele?

- Novato, dezoito anos. Hm... 300 reais. 

Eu olhei para o cara e ele tirou o dinheiro da carteira, e percebi que aquilo era muito pouco para ele, se duvidar, mais rico que o Nathan.

- Já te explicaram onde é os quartos, jovem? - Amorim perguntou ao Márcio.

- Sim, me dá a chave.

- Vou te dar o melhor quarto daqui, o quarto Doce de Barão. Se divirtam. - Amorim falou sorrindo. - Daqui a pouco chega mais bebidas, se não quiserem ser atrapalhados, é só clicar no botão perto da porta, ok?

- Ok. - Ambos responderam ao mesmo tempo, e eu deixei para o tal Márcio me guiar até lá. 


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