Nathan não quis ir ao restaurante, aliás, depois da vergonha que passamos no restaurante, ele estava com muita raiva, tanto é que nem um 'a' depois conversou comigo. Nem olhou pra minha cara, se duvidar.
Chegamos em casa. Ele não abriu a porta pra mim. Nathan saiu correndo, ele não estava chorando, menos mal? Não sei. Não queria vê-lo triste e nem ao menos com raiva, eu só não sabia ainda bem como eu me sentia com ele, era simplesmente isso.
Andei lentamente até a porta com vários pensamentos em minha mente. Por que eu pensava que estava gostando dele? Eu queria que ele gostasse de mim, mas não sabia bem se eu gostava dele. Me sentia feliz ao lado dele, mas o amor era só isso? Pra mim, eu idealizei o amor como se sentir aceito pelo outro, se sentir feliz e se sentir compreendido em todos os momentos. Não importe as brigas, ele estará do seu lado, nem que os problemas seja mais do que os dois possam aguentar.
Entrei, e acho que ele já havia subido para o quarto. A casa estava tão silenciosa. Subi a escada cabisbaixo. O que eu faria agora? Eu não queria um relacionamento como este que fica indo e voltando diversas vezes. Uma hora ele me trata bem, outra hora não. Se há um problema, ele explode e não olha nem pra minha cara. Que que isso? Isso não é uma vida que eu quero ter. Quero me sentir feliz, animado, alegre, quero me sentir no ápice de minha vida ao lado da pessoa que amo, e não me sentindo culpado de algo que eu não fiz, de algo que eu não sou culpado. Mas que porra! Que merda tá acontecendo em minha vida?
E o pior, é que se eu saísse de sua casa, eu não tinha pra onde ir. E se meu pai descobrisse onde eu estava, provavelmente ele me mataria. E mesmo que ele aceitasse que eu voltasse a casa dele, eu não queria, pois seria igual o Nathan, eu sabia que meu pai iria explodir muitas vezes, e o tranco iria sobrar apenas pra mim.
Não tinha de modo nenhum como eu ficar na casa do Nathan. Eu não queria seguir mais um ''relacionamento'' com ele, se é isso que podemos chamar de relacionamento. E ao seu lado, eu me sentia apenas como uma putinha de um gângster que a sustenta. E se eu pedisse a ele pra terminar e deixar eu ficar na casa dele, eu tenho a certeza que não iria ficar um clima bom entre eu e ele. Sempre iria ficar algo tenso no ar. E não era isso que estava nos meus planos.
Eu estava perdido. Totalmente perdido. Bem mais que antes. Sem saber se eu estava apaixonado, fodido, incompreendido, infeliz, e possívelmente sem-teto. O que seria de mim? Como eu iria conseguir um lugar pra viver? Dinheiro para comer? Dinheiro para pagar médico, caso eu fique doente? Uma cama, um cobertor que me aqueça? Ás vezes temos que aproveitar os momentos bons da vida, pois quando estamos nos piores momentos, não conseguimos mais ter os bons de voltas.
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SUPREMOS - Contos
RomansaContos da série Supremos. Contos que antecedem os livros da série.
