Capítulo treze

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DOIS ANOS APÓS...

Hoje era meu aniversário de vinte anos. Amorim havia feito uma grande festa pra mim, e chamou algum dos clientes que me ajudaram o tempo todo, por assim dizer. Márcio era um desses, quase toda semana ele vinha me ver, mas claro, deixamos de ter a relação há algum tempo, ele começou a namorar e também não nos sentiamos confortáveis sendo amigos e transando. E essa foi uma escolha dele. Mas eu não deixei de ter clientes, não mesmo, eu era o melhor garoto de programa da casa, dizia o próprio Amorim que afirmava nunca ter visto uma pessoa tão encantadora quanto eu naquele trabalho.

Mesmo que eu não gostasse dessa vida, era a única forma de eu sobreviver. O Taniel não existia mais por causa disto, eu escolhi ser chamado de O Ruivo dos Sonhos e eles atendiam-me por este nome. 

- Deixa de ser pensativo, e vem para piscina. - Falou Márcio totalmente bêbado se agarrando com outro cara. A festa tinha bastante gente, parecia ser até aquelas festas que nós vemos em Miami Beach nos filmes. 

Eu queria poder deixar essa vida um dia, mas mesmo após os dois anos, não vi nem uma forma de ganhar a vida a não ser vendendo meu corpo. Queria prestar vestibular para odontologia, mas como? Eu não sabia nem uma merda e fazia anos que eu não via nada, se duvidar, nem multiplicar eu sei mais. 

Um dia eu resolvi comentar à respeito disto com um dos meus assíduos clientes, o Malvino, ele disse que se eu quisesse iria me ajudar de todas as formas, nem que fosse pagando um cursinho, mas claro, neguei e disse que queria preservar minha dignidade e recomeçar uma vida sem precisar de ajuda de ninguém. Ele bufou e disse: ''Ruivo, assim que você é adulto, você perde toda sua dignidade...'.

E ele estava certo, todos nós perdemos a dignidade algum dia, cedo ou tarde... Precisamos nos humilhar por algo que queremos.

'E outra, não conseguimos nada sozinhos, a não ser a miséria e a solidão, aceite minha ajuda. Se não aceitar, lembre-se que eu estarei aqui quando precisar, tenho que te recompensar de alguma forma por ter deixado eu provar de você, e quero recompensar não com dinheiro, e sim mudando sua vida.' - Completou.

No dia seguinte eu passei o dia todo pensando em suas palavras, mas percebi que eu não queria de toda forma, mesmo que aquilo que ele falasse fosse verdade. Um novo recomeço seria o melhor de tudo, um novo recomeço onde eu não fosse garoto de programa.

- Ruivinho, vem cá fazer seu discurso. - Amorim estava no palco e me chamou. Nunca tinha visto ele tão alegre e sem preocupações como estava naquele momento.

Amorim é um cara misterioso, nunca soube muito bem sobre sua vida, a não ser que ele tinha família, e essa não sabia sobre sua vida e como fazia pra ganha-lá, já que ele chegava a ser um milionário.

Fui até lá e subi no palco. 

- Vintão né? - Ouvi uma voz masculina e ri. Abaixaram o som e deixaram eu falar um pouco.

- Agradeço a todos por participarem de minha vida, inclusive agradeço bastante ao Amorim por me dar uma oportunidade de vida, poucos conhecem como foi meu passado antes de entrar neste trabalho, mas enfim, hoje não quero falar disto. Quero falar de quantas vezes todos vocês me fizeram sorrir e me animar, quando pensei em abaixar a cabeça vocês me mandavam alguma mensagem ou qualquer porra que seja, vocês me fazem e me fizeram feliz em todos os momentos, para que durante esses dois anos eu não pensasse em tentar suicidio, posso dizer que meu passado foi marcado de pessoas ruins que queriam meu mau, mas essas pessoas já não existem mais para mim, em minha vida só há felicidade e amor, e isso por causa de vocês. Finalmente posso sentir-me uma pessoa amada! Que venha menos dez anos! - Ri.

Eu realmente não queria envelhecer nem tão cedo, os vinte anos chegaram tão cedo que nem percebi direito.

Bateram palmas e gritaram algumas coisas que não deu para me entender muito bem.

- Vamos acender a vela do bolo agora? - Amorim falou no microfone.

Trouxeram um grande bolo, acho que devia ter uns cinco quilos ali, sendo que eram cinco andares, parecia até bolo de casamento.

Muitos vieram para perto, a maioria, já que estava muito lotado.

Quando estava perto de terminar, ouvimos bastante gritaria, não via o que estava acontecendo, sai empurrando um monte de pessoas que estavam apavoradas, quando cheguei perto da piscina, vi muito sangue... Ninguém de lá estava vivo, continuavam a atirar, assim que eu vi a primeira mesa, fui debaixo dela, estavam matando todos de lá...


SUPREMOS - ContosOnde histórias criam vida. Descubra agora