Capítulo onze

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Passei a tarde em um banco na praça, já estava anoitecendo e toda pessoa que passava, me olhava de um jeito estranho por eu estar com uma mala no colo. 

Um futuro mendigo?

Uma pessoa até falou com o guarda e logo o guarda me encarou, se aproximou um pouco de mim, mas seguiu o caminho. Acho que ele queria me tirar de lá.

Todos sabemos como as pessoas são com mendigos, parece que eles são coisas de outro mundo. Na verdade, algumas coisas deles são de outro mundo. Quer saber quais? A fome, a miséria, a sede, a falta de amor, tudo isso é coisa de outro mundo e eles enfrentam e ainda tem que aguentar críticas de pessoas mesquinhas.

Pessoas chegavam e iam embora, isso foi quase o dia todo, até que o sino da igreja tocou marcando meia noite. Quem estava na rua aquela hora? Se estivesse de carro, ricos. Se estivessem a pé, pessoas pobres ou ladrões. Esse era o senso comum.

Haviam dois guardas ainda rodeando a praça, e todos os estabelecimentos haviam fechado. Exceto alguns bares e alguns cabarés perto de lá. Um guarda se aproximou a minha frente.

- O que está fazendo ainda aqui com esta mala? - Ele falou pegando seu cacetete. 

- Nada, estava esperando um amigo, mas acho que ele não vem.

- Passou quase o dia todo esperando este seu amigo? - Ele disse ainda curioso, tentando tirar alguma informação de mim.

- Sim, ele vem pra cá de férias, e marcamos de nos encontrar aqui. Mas provavelmente, ele ainda não chegou de viagem. Acho que vou esperar em algum lugar aqui. - Falei tentando levantar-me.

- Não tem quase nem um lugar aberto agora... A não ser os piores bares da cidade e o lar das pessoas sem escrúpulos. Você frequenta algum desses lugares? - Falou tentando me amedrontar.

- Frequento. - Falei piscando o olho para ele e saindo com o passo rápido de lá, ele ficou boquiaberto. 

Logo em minha frente havia um lugar chamado 'Pronto pra fuder'. Era óbvio do que se tratava. Entrei logo para o guarda não me atazanar mais, era bem fácil dele dizer que eu portava alguma arma ou droga e me prender. Era o que eu menos precisava naquele momento, era de problemas. 

Deus queira que meus problemas se transformem em dinheiro e felicidade, por que se continuar desse jeito, a coisa tá ruim, hein...

Assim que eu cheguei, havia vários bancos, em alguns tinha homens sentados e mulheres em seus colos, a maioria, se não todos, estavam bebendo. Vários haviam alianças.

Cheguei até o balcão e fiquei lá parado com a mala. Um dos atendentes que estava em uma correria para atender os pedidos se aproximou.

- Quer o que? - Perguntou, olhou para baixo e viu minha mala. - Quer trabalhar aqui? Só temos uma profissão disponível. E você sabe bem qual é. 


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