Havia se passado uma semana desde que eu entrei na prisão, eu acho né. Quando você fica isolado de tudo, é como se sua mente se perdesse em uma floresta, é quase impossível de saber mesmo se os dias estão passando ou se eles estão parados no tempo.
Nesse tempo todo não fiz nenhuma amizade e também nenhuma inimizade. Amizades na prisão quase sempre nas séries terminavam muito mal, ainda me lembro de um filme que assisti, onde irmãos na prisão, um havia matado seu próprio irmão, eu fiquei perplexo, mas isso era só uma amostra do que realmente somos em momento de tensão e dificuldades, somos capazes de tudo.
A coisa era a mesma todos os dias, acordar, fazer uns exercícios lá fora, depois era para comer, quem quisesse voltava pro quarto ou ia pra biblioteca, que lá não tinha muito literatura diversificada, na maior parte do tempo, Evan ficava fazendo exercícios, então, ninguém para me atrapalhar, nessa semana trocamos poucos olhares, mas não olhares intensos. Eu não fazia nenhum exercício, comia e voltava pra cama, tomava banho, voltava pra cama e só, esta era minha rotina.
A maior parte do tempo eu passava em cima da capa, deitado e pensativo, minhas ideias já estavam se esgotando, acho que quando eu saísse da prisão já estaria louco.
Estava sem dinheiro para comprar um caderno na lojinha que ficava na prisão, não sabia como iria conseguir, mas eu precisava anotar todas minhas ideias, ou fazer um diário pra anotar tudo, ou até mesmo quem sabe, escrever um livro? Só minha mente poderia dar a resposta para isso.
Sai da cama, e sempre, quase sempre, o mesmo cara alto e magro me observava, seu olhar era perturbador, mas, talvez ele tivesse dinheiro, e provavelmente ele estivesse afim, eu fiquei parado um tempo, como eu cheguei a esse ponto de fazer sexo por dinheiro? Na verdade, eu já fiz isso muitas vezes, mas foi por bebidas nas festas.
Aproximei-me dele. Ele simplesmente desviou seu olhar quando percebeu que eu estava indo em sua direção.
– Oi. – Falei, sentando na cama dele, ele virou e me olhou com um ar duvidoso.
– Oi. Algum problema? – Perguntou.
– Ahn... – Pensei em o que ia falar. – Não. Só quero ter umas amizades. – Ri ao falar e ele esbanjou um sorriso.
– Como é teu nome, mano? – Perguntou.
– Hiago, e o teu? – Perguntei.
– Gustav. – Respondeu.
– Tu é bonito, hein. – Elogiei.
Meu Deus, como eu era ridículo.
Provavelmente ele já estava desconfiando que eu só queria algo e em troca e eu faria o que ele quisesse, mas só agora eu tinha percebido que talvez ele também não tivesse nem um centavo no bolso, como eu. E assim eu só ficaria com uma fama horrível de vadia da prisão, e olha... Ter essa fama em qualquer lugar é ruim demais para qualquer pessoa.
Ele não falou nada, ficou só me olhando, aquele seu olhar, era perturbador demais mesmo, chegava até a me assustar.
– Obrigado. – Falou baixo.
– Tá aqui por quê? Tu acreditas que os policiais me pegaram logo quando estava com as droga na mão? – Falei. – Peguei cinco meses. – Falei.
– Sorte a tua. – Falou ele cabisbaixo.
– Ahn? Está falando essas merdas por quê? – Acho que errei em falar merda, e estava quase pra levar uma surra.
– Quando minha sentença acabar, eu já estarei queimando no inferno. 20 latrocínios, 15 anos pra cada.
Eu fiquei horrorizado ao ouvir, qualquer um esperaria isso, mas não eu, meu bairro podia ser violento, mas nunca tinha visto isso, e se ele fez isso mesmo, eu ficaria mais horrorizado ao ouvir ainda as histórias dos outros detentos.
Não sabia o que fazer depois de ouvir aquilo, só pensava em falar tá fodido mesmo. Por que realmente ele estava fodido.
– Vish, cara. – Falei, dei um pequeno sorriso, levantei e voltei pra minha cama.
Deve ter outros jeitos de conseguir dinheiro...
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SUPREMOS - Contos
RomanceContos da série Supremos. Contos que antecedem os livros da série.
