26° Capítulo

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26 - O que você fez mãe?

Uma pequena muda de roupa social cobria uma foto amassada. Uma criança sorria nela, o cabelo cor de ouro e as bochechas rosadas estampavam a foto. Os olhos verdes e o sorriso exibicionista. Com a mão a boca e o choro preso na garganta, Kate se perguntou o que significava aquilo. A criança a sua frente era a sua amiga. A  voz da menina de dez anos ecoava em sua mente como uma música antiga a ser tocada. A voz maldosa e o olhar sério a tomava por inteira. Engoliu em seco e revirou a foto encontrando uma letra garfal atrás. Uma data marcava a foto em baixo.

''Te amo querida, com amor e para sempre. De seu querido papai, Clark ''

Largou a foto no lugar e se levantou assustada. Cambaleou para trás tropeçando na bola de basquete que Thomas havia largado no meio do caminho. 

'' De seu querido papai Clark... '' 

O sussurro da voz de Clark se repetia em um emaranhado de pensamentos. Sua amiga era a filha de Clark. O sorriso zombeteiro  entrava em sua mente. O choro rouco de Jake do outro lado da linha a perturbava mais ainda. O incêndio, sua amiga. Clark... Um quebra cabeça que não estava conseguindo montar.
Tirou todas as roupas da mala. Um perfume caro, um cinto de couro, algumas camisas sociais, um sobretudo e mais uma foto. Uma mulher carregava a mesma menina no colo, uma mulher magra de cabelos lisos como o da menina. Clark sorridente posicionado ao lado das duas ao lado da foto. Conhecia aquela mulher e não havia mais duvidas de que também  conhecia aquela menina. Mas Clark? Quem era Clark afinal?

Jake andava de um lado para o outro em seu apartamento

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Jake andava de um lado para o outro em seu apartamento. Com o celular em uma das mãos e uma foto de Kate em outra.

— Você não pode fazer nada. Não agora. — disse uma voz masculina. — Não é o momento Jake, ela precisa enxergar tudo sozinha.

— E se ela não estiver bem? — perguntou passando a mão no cabelo. — Puta merda, eu não sabia que estava acontecendo tudo isso.

— Relaxa Jake. Se desesperar não vai adiantar agora. 

— Vocês tem provas? — perguntou encarando a figura masculina. — Vão dá um tiro no escuro?

— Estamos atrás de provas Jake, estamos quase lá.

— E por que não contar a ela? Por quê não ser sincero? Por favor, deixe-me ligar para ela.  

— Não! — exclamou o homem fortemente. — Com você ela fica vulnerável. Vai dar tudo certo cara. — levantou-se e deu leves tapas em suas costas. — Toma um café e respira fundo. Agora tenho que ir. 

O homem vestiu seu paletó e foi em direção a porta.

— Ela vai ficar bem, não vai?  — perguntou Jake antes que o homem fosse embora.

DesesperadaOnde histórias criam vida. Descubra agora