Kate Sulivan é uma jovem de 22 anos cuja vida foi virada de cabeça para baixo após o assassinato de seus pais e o suposto desaparecimento do seu irmão mais velho. Isso resultou em ela viver sozinha na casa onde tudo aconteceu. Kate desenvolveu uma s...
Kate devolveu as roupas a mala e respirou pesadamente sentindo um misto de raiva e rancor dentro de si. Sentiu-se cansada de ser a mocinha irrelevante que todos achavam que ela era. Sempre ficou claro em sua mente que era uma mulher bem vivida, carregada de dores que não sabia ao menos explicar o porquê. Não queria mais ser a mocinha indefesa e com problemas psicológicos, seria a protagonista principal de sua própria história. Sabia que estava na hora de exercer seu papel de mulher madura.
Subiu as escadas rapidamente e bateu a porta do quarto com força. Pegou sua mala com a pouca quantidade de roupa que tinha e guardou as duas fotos na mesma. Olhou a boneca sorridente em frente a ela e a segurou com o mesmo sorriso débil que a boneca exibia. Puxou a cabeça da boneca separando-a em duas partes. Avistou em cima da cama as duas caixinhas de comprimidos que nunca havia tomado. Não era louca, nunca esteve. Limpou o rosto que estava manchado com a pouca quantidade de maquiagem que havia borrado por conta do suor excessivo que descia sobre sua face e respirou mais uma vez pensando no que iria fazer. Chegou a conclusão que estava sozinha o tempo todo, que no fundo ninguém realmente a queria ajudar por amor e sim por pena e compaixão. Amou Jake como nunca amaria alguém novamente, mas se ele esteve disposto a deixa-lá então estaria disposta a deixa-lo também. Mas não antes de saber o que aconteceu.
Andou de um lado para o outro do quarto observando cada canto do móvel. Quando estava nervosa tinha um calculo incrível sobre as coisas. Percebia a pequena mancha ao lado da cama e os fios despencando da cortina antiga. Percebia pequenas coisas que aos olhos das outras pessoas talvez não fosse tão perceptível. Pegou um pequeno caderno com poucas folhas e uma caneta que estava dentro da gaveta. Sentou-se no chão do quarto e estava na hora de montar seu próprio quebra-cabeça. Anotou os nomes de todas as pessoas que apareceram na sua vida nos últimos tempos.
Jake
Clark
Josh
Mandy
Amelia
Derick
Talvez estivesse se esquecendo de alguém, alguém não muito relevante. Tilintou a caneta em seus lábios em uma forma pensativa e se viu vendo cenas de semanas atrás.
Sidney!
Sibilou cada nome fazendo uma linha em baixo de cada nome e se sentiu um pouco mais no controle. Olhou as horas e se perguntou se Amelia e Derick já estavam chegando com Thomas e Kian. Pela primeira vez na vida desejou que uma criança estivesse mal a ponto de não voltar para casa agora. Iria fazer uma geral. Fuçaria cada canto da fazenda em busca de mais uma peça do seu quebra cabeça.
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Jake caminhava em direção a rua de Kate de uma forma involuntária de fazer algo. Chegou em frente a casa da mulher sentindo uma sensação nostálgica lhe atingir. Não havia estado ali a algum tempo. A frente da casa desgastada. As poucas flores nos jarros mortas. O vento fazia o mensageiro do vento tilintar fracamente. As folhas soltas na varanda, As janelas fechadas e a pouca movimentação de pessoas ali. Olhou ao lado da casa de Kate e se lembrou da senhora que teve a sensação de conhecer. Andou até a frente da casa florida e tocou a campainha enquanto esperava com as duas mãos dentro do bolso da calça jeans.
— Quem é? — perguntou a senhora abrindo vagamente a porta e pondo metade do rosto do lado de fora.
— Eu me chamo Jake. A senhora deve se lembrar de mim, estive aqui a um tempo atrás.
— O que você quer? — perguntou a mulher mal humorada.
— Será que poderíamos conversar? — disse Jake encolhendo os ombros como um menino pedindo mais um biscoito. — Por favor, é importante senhora...
— Sidney. — completou. — O que você quer? — perguntou novamente fazendo Jake respirar fundo em busca de paciência.
— Eu gostaria de conversar sobre a Kate, a senhora se lembra dela, não lembra?
Sidney fechou a porta bruscamente fazendo Jake arquear uma sobrancelha sem entender o porquê da reação. Ouviu o som de cadeados e fechaduras sendo abertas até que a mulher abriu totalmente a porta apertando um roupão de dormir no corpo.
— Entre. — disse enquanto Jake dava mais um passo para frente. — Tire o tênis, por favor, não quero sujeira na minha sala.
O home retirou o tênis com um revirar de olhos a adentrou a casa da mulher que andava em sua frente. Os móveis antigos, uma cadeira de balanço ao lado de um sofá velho e uma poltrona desgastada. Quadros enfeitavam a parede. Uma foto preta e branca com um casal sorridente a frente, deduziu que fosse a mulher ao lado de seu marido quando mais nova.
— Sente-se. — disse, fazendo Jake sentar no sofá desajeitadamente enquanto balançava os dedos dos pés descalços. — O que tem essa mulher? — perguntou.
— Bem... para ser sincero eu não sei ao certo o que estou fazendo aqui. — Sidney passou a mão nos cabelos grisalhos. — A senhora é vizinha dela e bom, suponho eu que a conhece a muito tempo.
— Eu conheço a família Sullivan com a palma da minha mão velha, meu filho. Vi aquela menina crescer aos arredores da minha residência. — contestou como se fosse um fardo lembrar daquilo.
— O que a senhora sabe sobre ela? — perguntou sem jeito — Sobre a família dela?
— Lembro-me de ti. Era um jovem muito bonito por sinal. Eram namorados, eu via o carinho que tinha por ela. Aquela menina era um pequeno monstrinho de duas pernas. — passou as mãos nos braços como se um vento forte tivesse batido em seu corpo. Jake fez sinal para que continuasse. — A mãe dela, bem... foi uma cobra! Lembro-me do dia que a menina chegou aqui carregada no colo adormecida.
— Como assim? Quando ela chegou aqui?
— Ela nunca te contou? Era de se imaginar. — crispou a mulher — Kate era adotada. Chegou aqui pequenina nos braços de uma mulher jovem e bonita. Lembro bem, ah se lembro. Eu estava na varanda quando tudo aconteceu. Os olhos vacilantes da mulher olhando a cada canto da rua. A mãe adotiva da Kate, que Deus a tenha, não é mesmo?! Era uma mulher de bom coração e o seu marido um homem trabalhador e de boa conduta.
Se remexeu no sofá tentando entender o que a mulher estava tentando dizer com aquilo. Lembrava-se bem dos choros diários da menina de 15 anos que conhecia. O Medo, os lábios trêmulos e a cor pálida que sempre via em Kate quando se encontravam. Foi embora por medo de sua família, medo da família que Kate havia dito ter.
— Tudo bem querido? — chamou a mulher tirando-o de seus pensamentos — É horrível, não é? — perguntou olhando em seus olhos vacilantes — É horrível achar que conhece uma pessoa quando na verdade você nunca soube a verdade sobre ela.
— Quem é a Kate? — perguntou engolindo em seco, sentindo o gosto seco de sua garganta se fechando.
— Você já se perguntou quem é James? Ao menos já viu ele alguma vez na vida?
— Sim. Quer dizer, acho que sim. — respondeu receoso. — O meu irmão o via mais que eu.
— Não querido, vocês viram alguém se passar pelo James. Na verdade, ele nunca existiu.