1° Capítulo

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1- A volta

Kate acordou em um quarto branco, com tubos presos em seu peito. Sentiu o cheiro forte de remédio entrar pelas suas narinas. Não se lembrava muito bem do que havia acontecido, não sabia muito bem o que havia feito para estar ali, naquele hospital, de novo.

— Como se sente, senhorita? — perguntou uma enfermeira com uma prancheta em mãos e um olhar sério no rosto. — Se sente melhor?

— O que estou fazendo aqui...? — Kate perguntou, querendo montar o quebra-cabeça.

— Não se lembra, senhorita? — a enfermeira perguntou, dando-lhe um olhar interrogativo. — A senhorita tentou se matar... — disse em uma voz terna.

Kate se lembrou então do que havia feito, dos remédios tomados, da taça de vinho e da água tapando seus olhos.

— A senhora ficou desacordada por dois dias. — continuou a enfermeira, checando seus tubos e levantando um pouco mais a sua maca. — Teve muita sorte, senhorita. Muita sorte. — sorriu — Irei chamar o doutor; a senhorita havia acordado ontem e já esperávamos que fosse realmente acordar hoje.

— Estou sozinha? — Kate perguntou, já sabendo a resposta.

— Sim, está.

— Quem me trouxe? — perguntou, lembrando-se da voz feminina que falava com ela.

— Uma mulher, uma amiga, a trouxe no dia e depois não veio mais... Pagou todas as despesas do hospital e foi embora. Sinto muito, senhorita...

Kate ficou confusa. Quem a ajudaria e iria embora em seguida?

— Tudo bem... Já estou acostumada. — respondeu levemente corada.

— Irei chamar o doutor, não saia daí.

Claro, até porquê tem como eu sair daqui, não é mesmo? Kate pensou em responder, mas não queria parecer mais louca do que já estava parecendo naquele momento.

Pensou no que iria fazer depois dali, para onde iria, se seria obrigada a voltar para a casa vazia em que vivia. Ela não queria mais viver; era difícil entenderem isso?!

Jake rondava a casa de Kate mais uma vez, imaginando-a morta e fria em seu interior

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Jake rondava a casa de Kate mais uma vez, imaginando-a morta e fria em seu interior. O pensamento arrepiou seus pelos, e ele se perguntou o que diria se ela atendesse à porta.

"Oi Kate, lembra de mim? Sou eu, seu namorado de adolescência. Então, vamos sair? Beber alguma coisa, sei lá..." Jake sabia que soar patético era inevitável.

Ele estava ciente dos problemas de Kate e da vida conturbada que ela levava, mas ainda assim manteve distância. O medo do pai de Kate e a instabilidade da mãe o impediram de se aproximar.

Lembrou-se da última vez que a viu, com lágrimas nos olhos, dizendo que não aguentava mais o abuso dos pais. Na época, Kate tinha apenas 15 anos, e Jake pôde ver claramente a dor que explodia de seu olhar.

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