Capítulo 27: Quem é o inimigo?

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Abri os olhos assustada, sem saber por um breve momento onde eu estava. Virei-me para o outro lado da cama, deparando-me com as pálpebras de Álvaro cerradas, ele dormia profundamente. Levantei-me em silêncio e fui avaliar minha aparência no espelho. Mesmo na penumbra da noite, meu rosto inchado era notório, eu parecia uma enorme bolacha que acabara de arrancar os quatro sisos. Sorri com meus próprios pensamentos.

– E agora Olívia?– cochichei para meu reflexo– O que eu faço com a senhorita? Está completamente sem rumo na vida.

Inspirei fundo sentindo o pesar da derrota sobre minhas costas e tossi. O cheiro de queimado invadiu minhas narinas e adentrou meus pulmões sem aviso prévio.

– Mas o que...– tossi novamente, com mais força. Olhei rapidamente para Álvaro, com medo de acordá-lo.

Andei até a janela, alarmada. Alguma coisa estava pegando fogo, eu espero que não seja as plantações. A paisagem estava gloriosa, como sempre, tudo em perfeita ordem, mas o fedor de queimado apenas se intensificava... Será que...

– Oh meu Deus!– coloquei a mão na boca– É a casa! É a casa! ÁLVARO!

Corri até ele, balançando seu corpo com força.

– Á LVARO– berrei nos seus ouvidos.

– Olívia!– ele sentou-se assustado– O que significa isso? O que acon...

– A CASA!– empurrei seu corpo pesado para fora da cama– Está pegando fogo! Saí daí! Vamos embora!

Ele inspirou fundo e tossiu, dando-se conta do perigo que a gente estava enfrentando.

– Mas o que...– ele segurou meus braços e correu até a porta, arrastando-me praticamente– Será que foi a lareira?

– Não sei, não sei. Vamos sair daqui!

Álvaro agarrou a fechadura, mas a porta não abriu. Ele tentou mais cinco vezes antes de olhar para mim com os olhos arregalados.

– ONDE ESTÃO AS CHAVES?– ele gritou, segurando meus ombros.

– Eu não sei! Elas estavam na porta hoje quando entramos, eu tenho certeza disso...

– Merda! Onde estão aqueles escravos malditos que não percebem que a casa está pegando fogo?– ele gritou, estressado. Seu rosto estava vermelho e eu não sabia dizer se era por raiva ou por medo.

– Álvaro, poupe-me. Se eu fosse eles eu também te deixaria morrer queimado nesta casa e ainda organizaria uma festa de comemoração.

Ele me encarou com ferocidade.

– Desculpe-me, mas esta é a verdade– Ergui os ombros– Agora me ajude a derrubar esta porta.

– Não, vamos pela janela– ele me empurrou na direção da janela, mas estava muito alto, alguém acabaria quebrando um braço ou aconteceria algo pior com a queda– Tudo bem, vamos pela porta.

O encarei, acusando-o pela falta de confiança em mim. Ele correu até a poltrona, segurando-a com dificuldade sobre o braço. Mirando a poltrona na porta, Álvaro contou até três e a jogou com esperança que a porta quebrasse com o movimento. Nada.

Eu tossi freneticamente por demorados minutos, o fogo rapidamente invadirá o segundo andar da Casa Grande e matará nós dois.

– Alguém causou isto, tenho certeza– disse Álvaro, suando pelas tentativas de esmurrar a porta– Vamos pular a janela, ou não sairemos vivos.

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