Capítulo 16

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CALEB

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CALEB

O jogo da virada

Sentado à mesa da cozinha, pincéis e tintas ao meu lado, eu me dediquei a desenhá-la novamente; daquela vez, lembrei-me do dia em que a vi vestida de palhacinha. Toda a graça e alegria dela se traduziam no papel em branco, e eu sorria à medida que trabalhava nos detalhes de formato do seu rosto. A peruca, o nariz vermelho, a pintura... tudo fluindo conforme a minha memória me ajudou. Desenhar era um bom hobby; descarregava minha mente e passava meu tempo.

De repente, a porta se abriu, e meu coração deu um pulo. Se fosse a Karen, eu nunca mais teria paz na minha vida. Mas então percebi que estava enganado e havia uma opção pior ainda. Kevin.

Ele se achegou, encarando o desenho sobre a mesa com um sorriso no rosto. Nem tive reflexo para esconder. Engoli em seco.

— Conheço essa palhaça — Referiu-se ao retrato de Maya. Meu rosto ficou quente.

Kevin se aproximou, claramente se divertindo com a situação. Pegou o papel e ficou perscrutando cada centímetro.

— Como você entrou? — perguntei, impaciente, puxando meu desenho de volta. A presença constante do meu mais novo amigo às vezes me dava nos nervos.

— Seu sobrinho bonitinho abriu pra mim.

— Bonitinho coisa nenhuma.

Ele gargalhou e sentou-se à mesa, como se estivesse em casa.

— Cara, eu tô todo quebrado — esticou a coluna, fazendo careta. — Precisamos fazer um evento diferente hoje. Nada de passeios na madruga.

— Tenho uma ideia — falei, levantando-me e guardando todos os materiais dentro de uma caixa organizadora. — Que tal você ir pra sua casa e descansar por uns três meses?

Kevin mostrou-se ofendido. Mesmo assim, prosseguiu como se não tivesse escutado minha sugestão carregada de sinceridade.

— Por que você não foi à inauguração da clínica?

— Não podia.

— Mas foi a um evento beneficente, que eu sei.

Eu tinha ganhado um stalker?

— Eu era o patrocinador. Não tive muita escolha.

Ele me analisou.

— Me dá um bom motivo para ter faltado, que eu te perdoo.

Soltei o ar dos pulmões e expus tudo antes que ele me enchesse ainda mais.

— Maya e eu fizemos um trato de nunca mais nos vermos.

A lembrança daquele tratado me fez ficar confuso. Ela não queria mais me ver, mas, ao mesmo tempo, suas atitudes caridosas eram contraditórias. No entanto, quando eu parava e refletia por um tempo a mais, conseguia lembrar que aquela era a essência de Maya. Aquela era ela e isso não tinha nada a ver comigo.

Até que te ameiOnde histórias criam vida. Descubra agora