LITERATURA CRISTÃ | TRILOGIA "ATÉ" Livro 2
"Uma das maiores verdades sobre o amor que eu provei e conheci é que ele é uma escolha."
As vidas de Maya e Caleb se cruzaram uma vez e o resultado não foi bom. Por causa dele, ela saiu da cidade com o cora...
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CALEB
"Ó Deus, tu és o meu Deus,
Eu te busco intensamente;
A minha alma tem sede de ti!
Todo o meu ser anseia por ti,
Numa terra seca, exausta e sem água" *
A última leitura que havia feito ressoava em minha mente, enquanto meus olhos observavam o céu grandioso diante de mim. Era como uma paleta de tons, variando de laranjas vibrantes e vermelhos ardentes a rosas suaves e tons de roxo. Mais um pôr do sol, mais um dia chegando ao fim. Com misericórdia incompreensível, Deus me mantinha ali. O Criador dos céus e da terra via em mim algo que eu mesmo não conseguia enxergar, algum motivo para manter meu fôlego de vida.
Talvez minha fé não fosse sensível o bastante. Ou, quem sabe, meu coração, duro demais. Na pior das hipóteses, todas as dúvidas perturbadoras na minha cabeça poderiam ser apenas uma forma de punição pelos meus pecados.
No final de tudo, eu só tinha perguntas e mais perguntas e nenhuma conclusão. Teria que continuar procurando por aquele de quem a minha alma tinha sede.
***
Enquanto voltava para casa, depois de um breve passeio pela biblioteca da cidade, vi uma figura diferenciada embaixo do meu alpendre. Dentro do carro, tentei reconhecer quem era, mas quando não foi possível, assumi a possibilidade de ter que interagir. Estacionei meu automóvel do lado de fora do portão e entrei desconfiado, a lentos passos, em meu próprio terreno.
— Boa tarde — puxei o capus para acobertar meu rosto. O restante da luz solar poderia evidenciar minhas feridas e eu não queria me sentir vulnerável naquele momento.
— Boa — o cara era da minha altura, tinha um semblante amigável e os cabelos eram claros. Ele estava encostado numa das colunas da varanda, com a postura meio largada. — Você que é o Caleb?
— Por quê?
— É ou não?
Olhei-o com curiosidade. De que buraco aquele cara tinha saído...?
— Qual é? — ele pôs o ar de seus pulmões para fora. Depois, endireitou a coluna e foi até a porta, apertando a campainha várias vezes seguidas como um sem noção — Estou aqui te esperando faz horas...
Caio e Karen deviam ter saído com o pivete deles na minha ausência e, distraidamente, deixaram o portão aberto.
— Conheço você de onde? — fui até a porta e abri-a, na intenção de que ele se tocasse e parasse de mexer naquilo que não lhe pertencia.
— Meu nome é Kevin — apressou-se a entrar primeiro que eu. Minha paciência já começou a se esgotar a partir daí. Que cara folgado...
Analisei-o por alguns instantes, enquanto me auto regulava emocionalmente. Quem era ele e o que queria?