LITERATURA CRISTÃ | TRILOGIA "ATÉ" Livro 2
"Uma das maiores verdades sobre o amor que eu provei e conheci é que ele é uma escolha."
As vidas de Maya e Caleb se cruzaram uma vez e o resultado não foi bom. Por causa dele, ela saiu da cidade com o cora...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
MAYA
Beleza em vez de cinzas
As batidas na porta fizeram meu coração exasperar-se, principalmente após a ligação de Caleb. Olhei para mami, que estava montando a mesa à luz de velas com a ajuda das minhas irmãs. Estávamos sem energia elétrica e com problemas nas redes móveis.
Mordi o lábio inferior, antes de dizer:
— Eu abro.
Destranquei a chave, girei a maçaneta e me deparei com Caleb encharcado dos pés à cabeça. Minha boca se entreabriu automaticamente. Também engoli em seco, no ato de não saber o que dizer, de imediato.
Lembrei-me da carta que ele me entregou e eu nunca li porque perdi. A minha vergonha disso não me deixou entrar em contato para perguntar o que Caleb tinha escrito lá, logo, eu fiquei, desde aquele dia, com mil e uma teorias na cabeça e nenhuma ideia da verdade, de fato.
Vê-lo por mais de um minuto ali parado, com os lábios roxos e todo se tremendo, no entanto, me fez acordar no choque inicial e tomar uma iniciativa coerente.
— Por favor, entre — dei espaço.
Melanie apareceu ao meu lado.
— Nossa, Caleb! — arregalou os olhos. — Vem, você precisa se enxugar.
Ele negou, balançando a cabeça negativamente.
— Obrigado. Mas eu... preciso conversar com a Maya.
Meu coração pareceu falhar ali. Segurei no batente da porta, sentindo as pernas darem uma leve cambaleada.
Minha irmã olhou-me para confirmar e eu assenti, depois de dar passos para fora e fechar a porta atrás de nós. Ficamos sob a varanda, que estava com um cheiro forte de terra e madeira molhada.
Meus olhos se desviaram para o chão e, quando ele falou, se fixaram nele.
— Desculpe aparecer assim, do nada. Eu tentei te ligar e...
— É, eu atendi, mas não dava para entender nada. A ligação estava falhando. Acho que é por causa da chuva, sabe? Estamos até sem energia elétrica. Olha ali os postes, todos desligados. Nesse horário, a luz amarelada deles já é possível ser vista. Tomara que os técnicos não demorem a vir consertar. No seu bairro também está assim?
— Sim. — ele pareceu responder no automático, ao balançar a cabeça para recobrar a fala. — Quero dizer, não sei. Eu não estava em casa.
Notei suas roupas formais. O terno, a gravata mal amarrada, o sapato e uma maleta na mão. Estava bonito, como sempre, mesmo com o visual afetado pela chuva.
— Podemos sentar?
Fiz que sim com a cabeça e nos chegamos ao banco de madeira que sempre ficava na parte de frente da varanda debaixo. Estava até um pouco mofado por causa da umidade e o vento trazia alguns respingos sobre nós. O frio me alastrava por fora, mas em meu interior eu me mantinha aquecida com a simples presença de Caleb ao meu lado.