Capítulo 29

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MAYA

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MAYA

Beleza em vez de cinzas

As batidas na porta fizeram meu coração exasperar-se, principalmente após a ligação de Caleb. Olhei para mami, que estava montando a mesa à luz de velas com a ajuda das minhas irmãs. Estávamos sem energia elétrica e com problemas nas redes móveis.

Mordi o lábio inferior, antes de dizer:

— Eu abro.

Destranquei a chave, girei a maçaneta e me deparei com Caleb encharcado dos pés à cabeça. Minha boca se entreabriu automaticamente. Também engoli em seco, no ato de não saber o que dizer, de imediato.

Lembrei-me da carta que ele me entregou e eu nunca li porque perdi. A minha vergonha disso não me deixou entrar em contato para perguntar o que Caleb tinha escrito lá, logo, eu fiquei, desde aquele dia, com mil e uma teorias na cabeça e nenhuma ideia da verdade, de fato.

Vê-lo por mais de um minuto ali parado, com os lábios roxos e todo se tremendo, no entanto, me fez acordar no choque inicial e tomar uma iniciativa coerente.

— Por favor, entre — dei espaço.

Melanie apareceu ao meu lado.

— Nossa, Caleb! — arregalou os olhos. — Vem, você precisa se enxugar.

Ele negou, balançando a cabeça negativamente.

— Obrigado. Mas eu... preciso conversar com a Maya.

Meu coração pareceu falhar ali. Segurei no batente da porta, sentindo as pernas darem uma leve cambaleada.

Minha irmã olhou-me para confirmar e eu assenti, depois de dar passos para fora e fechar a porta atrás de nós. Ficamos sob a varanda, que estava com um cheiro forte de terra e madeira molhada.

Meus olhos se desviaram para o chão e, quando ele falou, se fixaram nele.

— Desculpe aparecer assim, do nada. Eu tentei te ligar e...

— É, eu atendi, mas não dava para entender nada. A ligação estava falhando. Acho que é por causa da chuva, sabe? Estamos até sem energia elétrica. Olha ali os postes, todos desligados. Nesse horário, a luz amarelada deles já é possível ser vista. Tomara que os técnicos não demorem a vir consertar. No seu bairro também está assim?

— Sim. — ele pareceu responder no automático, ao balançar a cabeça para recobrar a fala. — Quero dizer, não sei. Eu não estava em casa.

Notei suas roupas formais. O terno, a gravata mal amarrada, o sapato e uma maleta na mão. Estava bonito, como sempre, mesmo com o visual afetado pela chuva.

— Podemos sentar?

Fiz que sim com a cabeça e nos chegamos ao banco de madeira que sempre ficava na parte de frente da varanda debaixo. Estava até um pouco mofado por causa da umidade e o vento trazia alguns respingos sobre nós. O frio me alastrava por fora, mas em meu interior eu me mantinha aquecida com a simples presença de Caleb ao meu lado.

Até que te ameiOnde histórias criam vida. Descubra agora