Íntimos?

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Sair de um carro nunca foi tão bom.

Meu coração ainda estava palpitando, minha respiração estava irregular. Eu olhava para Alex, tentando não parecer maluca, mas também tentando achar alguma verdade no que vi.

Nada.

Ninguém viu o que vi. Era desesperador.

Ok, talvez fosse coisa da minha cabeça. Ou não. Eu só saberia se visse outra vez, mas não queria ver nunca mais, nunca mai senti aquilo, como se o mundo tivesse parado e apenas eu conseguisse me mexer.

Alex me olhava normal, até me mostrou o novo livro que estava lendo. Mas fora ele que tinha me mostrado aquela coisa nos jardins de alfazema. Eu deveria perguntar, mas eu tinha medo. Lembrei do frasco de remédio que deixei no banheiro.

Será que voltei a ter alucinações?

Eles não podiam ficar sabendo disso, voltariam a me ver daquela forma, como se eu fosse maluca. Eu não queria mais isso, se isso voltasse a acontecer, nenhum deles saberia outra vez.

Não sou louca.

Respirei fundo e decidi esquecer o que vi, não podia lidar com minha mente naquele momento, ela não ia me pregar peças.

Desci do carro com minha mochila nas costas. A terra afundou sobre meus pés e ela me consumiu, uma felicidade genuína brotou nos meus lábios. O cheiro de terra molhada, a brisa leve, o barulho da cachoeira no fundo da mata... era tão reconfortante. Sentia uma conexão estranha com aquele lugar, que sempre me trazia de volta.

Caminho até a trilha que vai para mata adentro, vejo a imensidão das árvores se estreitar pelo caminho sinuoso. Nós que fizemos aquela trilha, correndo pela floresta, brincando de esconde-esconde. Escuto as vozes da minha família atrás de mim, cada vez mais distante, quando observo a terra a minha frente.

Passos. Pegadas frescas afundaram a terra molhada, tinha chovido e tudo parecia muito recente.

Estreitei os olhos, os vizinhos não costumavam frequentar nossa trilha. As casas eram distantes uma das outras.

Meu olhar segue em volta, procurando algo pela floresta. Mas não vejo nada. Minha respiração fica pesada ao perceber que tudo ali parecia silencioso demais. Instintivamente lembro daquele figura me observando, como se pudesse ler meus pensamentos, sentir minha própria alma. O medo me consome.

—Querida?- a voz dela me assusta e eu viro de repetente

Minha avó está sorrindo pra mim, enquanto eu estou em completo choque.

—Meu Deus, vó! Que susto!- eu levo a mão ao peito, ofegante

Ela sorri

—Que isso, minha filha. Você está tão nervosa, vem, vamos entrar. - ela envolve seus braços no meu ombro e me direciona para a casa.

Não consigo conter meu olhar para a floresta, ela está silenciosa e pela primeira vez, misteriosa...

...
A casa era bonita. Mas velha, antiga e empoeirada.
Tinha um tom de madeira vivo, porém pela camada de poeira, parecia mais antigo do que era. Havia uma varanda com acesso por uma escada pequena, que rangia quando passávamos por ela.

—Assim não tem como passar despercebido pela madrugada- brinco

Max passa por mim, bufando

Venha Até Mim (Concluído)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora