XX - Feelings Discovered

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Era a décima vez que olhava o celular, ainda esperando uma mensagem ou ligação de Itachi avisando de que tudo estava bem. Meus dedos batiam com lentidão sobre as costas do aparelho, enquanto meus olhos fixavam algum ponto aleatório no cenário da minha sala. Eu havia acordado cedo, em uma noite mal dormida. Havia me retirado do evento sem antes me despedir de quem quer que fosse. Talvez, alguém se prontificou a sentir a minha falta, mas não acreditava que deixariam sua diversão para se aborrecer ao ter que procurar uma doida varrida, que expõe pessoas no microfone do DJ.

— Oh, você está aí?! — Mikoto assustou-se ao abrir a porta de entrada. — Vim buscar algumas coisas para a sua mãe.

— Tudo bem. — Silêncio. — Dona Mikoto, a senhora, por um acaso, sabe me dizer sobre Itachi?

Mikoto estava subindo as escadas, paralisando ao ouvir minha voz. Ela sorriu, retornando seus passos até mim.

— Ele se encontra bem. Já está no hotel. — Sorriu outra vez. — Ele não te ligou? — Olhou-me com estranheza. Neguei, torcendo meus lábios. — Já tentou mandar mensagem? — Assenti. Mikoto me analisou por curto tempo, retornando a andar. — Vai ver, está ocupado. Não precisa se preocupar.

Não precisa se preocupar. Pensei comigo mesmo, enquanto mordiscava a ponta da capa do smartphone. Não precisa se preocupar, claro que não precisava, afinal, o que poderia acontecer com Itachi além de estar próximo da ex-namorada?

Meus pensamentos me deixaram inquieta por um longo espaço de tempo. Meus olhos se movimentavam por todos os cenários com rapidez, procurando algo do qual pudesse ofuscar meus tormentos. Esperei algum sinal de Itachi por uma, duas, quatro horas. Ele não havia me ligado, ou ao menos me dado a graça da sua existência. Realmente não havia nada do qual eu pudesse me preocupar? Realmente aquilo não era um alarde?

Eu caminhava sobre as ruas do bairro com lentidão. Minhas mãos se esquentavam sobre o blazer marrom, enquanto olhava as coisas ao meu redor. Um grupinho de amigos caminhavam ao meu lado, conversando animadamente enquanto brincavam e faziam coisas divertidas. Um casal jovem passou do outro lado, com seus braços entrelaçados e sua cabeça sobre o ombro do seu amado. Por um momento meus pensamentos viajaram e a imagem de um corpo esguio, com suas mãos sobre o bolso de sua calça jeans, tomaram minha visão. Um sorriso ardente, de canto, com uma malícia inocente me fez sorrir como retribuição.
Como pode um coração ser tão infiel à nossa mente?
Minha mente sonhava com o dia em que finalmente viveria feliz ao lado de Itachi. Talvez, um dia, de vestido com vel e grinalda, eu pudesse dizer sim definitivo para o meu tão amado destino ao seu lado.

Talvez ...

Mas todas as vezes em que eu mantinha uma certeza imutável em minha mente, meu coração tratava de dizer que não, eu não tinha controle sobre o meu destino. Minha mente dizia Itachi. Meu coração ansiava por um desejo rebelde e insistente.

— Sasuke ... — Suspirei, enquanto encarava o céu. — Por que tem que ser tudo tão complicado?

         .oOo.

Tudo pronto? — Mamãe dizia, enquanto me olhava ajeitar as malas próximo da saída.

— Eu realmente estou curiosa sobre o meu motorista mamãe. — Me sentei no sofá, amarrando o cadarço. — A senhora disse que iria me levar, mas mudou de ideia tão de repente.

— Tive um imprevisto no trabalho. — Sorriu. — Eu não posso dizer quem é, pois a pessoa pediu para que fosse segredo. — Coçou o topo da cabeça. — Mas acho que você vai gostar. São grandes amigos.

Somos grandes ... amigos? Estranhei. Meu único amigo naquele momento se resumia em Naruto e Kiba. Sasuke estava fora de cogitação. Primeiro que, ele não ia querer me ver nem mesmo pintada de ouro, e segundo que, eu não queria vê-lo nem mesmo pintado de ouro.

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora