XXXVI - Half Full

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   Muitas coisas acontecem sem razão ou porque. Muitas coisas passam despercebidos, sem que possamos nos testificar de sua intensidade. Destino não é como uma única estrada do qual somos obrigatoriamente designados a peregrinar sobre ela, mas inúmeros caminhos que escolhemos seguir.

  O destino é como um itinerário com roteiro, do qual escolhemos a dedo qual filme iremos protagonizar. Nós somos os donos do nosso próprio destino, mesmo quando o mundo nos faz acreditar que o futuro quem nos comanda antes mesmo de se tornar presente.

  Quando comecei minha vida, achei que tudo pudesse ser simples, porque eu era simples. Nunca imaginei que situações externas e pessoas desconhecidas tornaria minha vida tão dramática e, de certa forma, interessante. Eu costumava ser uma garota normal em algum país aleatório quando me mudei para o Japão, e permaneci sendo apenas mais uma entre milhões quando entrei para o Ensino Médio em Saitama. 

   A parte mais gozada de ser uma simples adolescente em uma escola gringa no Japão era ter o pensamento de que nada iria sair de seus trilhos e que um ensino médio de cabeça para baixo não iria acontecer comigo.
  
     Pobre garota.

    A separação de meus pais não foram o pivor de tudo o que aconteceu até aqui, mas a consequência de conhecer pessoas aparentemente deslumbrantes me fez uma boba adolescente por um grande e longo tempo. Afinal, que tipo de garota não se apaixonaria de imediato por um jovem rapaz cujo a aparência se assemelha aos deuses e seu modo de falar como a de um príncipe? Eu havia tirado a sorte grande e desfrutada docemente cada dia, mesmo que em um próximo futuro, tudo pudesse se desmoronar.

    O engraçado de sermos pessoas intensas é acreditar que tudo é pra sempre, mesmo que o pra sempre sempre acabe partindo. E a parte legal de ser alguém otimista, é ver o muro inteiro desmoronando e ter a coragem de ergue-lo de seus escombros, mesmo que isso manche nossas vestes. Eu havia experimentado o fim de uma eternidade e a destruição de um muro, mesmo que tudo soe metafórico.

   De certo modo, eu agradeço por todas as dificuldades pela qual me permiti passar, pois hoje vejo o quão forte sou e quantas coisas sou capaz de suportar.

    Olhar os olhos ansiosos do Sasuke durante o momento mais importante da minha vida me fez perceber que o destino pela qual escolhi era realmente deslumbrante. Eu tinha ao meu lado não o homem pela qual sempre sonhara, mas o homem do qual sempre precisei; que me ama, me protege, me respeita e além de tudo, vivência todas as fases da minha vida com calmaria e brilho no olhar.

— Sasuke! Sasuke! — Chamei por ele, enquanto tentava me manter calma.

Alguns meses voam tão rápido quanto um foguete. Bastou piscar os olhos para que minha barriga estufasse ao ponto de parecer que iria explodir. Meus nove meses de gestação foram despreocupados, saudáveis e de certo modo, mágico. Em todos os seus momentos livres, Sasuke insistia em ficar ao meu lado, e conforme os meses foram passando a sua ansiedade o impedia de se afastar.

Era uma tarde de quarta quando senti um dor aguda em meu ventre e um líquido quente e pegajoso escorrer sobre minhas pernas.

— Droga! — Rosnei, procurando com urgência a presença de Sasuke, que havia saído para comprar um pão doce pela qual eu havia implorado. — Merda ... droga ... merda! — Continuava dizendo, enquanto finalmente pude avistar Sasuke se aproximar com dois pães em suas mãos, ambos enrolados em um guardanapo. — Sasuke! — Puxei a gola de sua camisa com força, fazendo seu corpo ir contra o meu, caindo um dos alimentos sobre o chão enlamaçado pela chuva da noite anterior.

— Tá louca, Cereja? — Fez bico, contraindo suas sobrancelhas em surpresa e desgosto, se abaixando rapidamente em direção ao pão caído. — Meu pobre pão doce ... — Choramingou.

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora