XXXII

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"A vida não é tão simples quanto parece, nem tão complicada quanto achamos."

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O primeiro dia na escola era realmente assustador na minha cabeça. Acordei indisposta, imaginando várias perguntas de teor constrangedor e muitas pessoas me olhando torto, como se eu fosse alguma vagabunda. Eu não sabia dizer o quanto sabiam, já que segredos da família Uchiha vazava continuamente, com muita facilidade, mas eu torcia para que o bom senso reinasse no coração de cada uma daquelas pessoa.

Me levantei com preguiça, tomando um banho gelado para despertar até a última gota de indisposição da minha alma. Embora não estivesse tão frio, decidi vestir um moletom grande e pesado, para disfarçar a barriga que já crescera suficientemente para me constranger. Eu já havia desistido das minhas roupas cós altas que tanto amava. O uniforme já não mais me servia, então foi necessário conversar com o Sr.Minato para resolver minha situação. Naruto ousou dizer mais do que deveria, mas agradeci infinitamente a ele após receber uma ligação do seu pai, dizendo que eu estava isenta de usar meu uniforme escolar. Por esse motivo, havia tirado a tarde do dia anterior para comprar novas calças com tecido elástico.

— Vai dar tudo certo Sakura. Você está grávida, não com uma doença contagiosa. Você não fez nada de errado para que te tratem diferente. — Repetia continuamente em frente ao espelho do banheiro, que era grande o suficiente para refletir até a direção do meu joelho. — Vamos lá. Você consegue. Fithing.

Assim que fechei a porta quando saí, reparei a nova casa que morávamos. Após todo o meu incidente, mamãe decidiu, junto à Mikoto, se mudar para o mesmo bairro que os Uchihas, pois ficaria melhor tratar dos assuntos considerados familiar. Diferentemente do alojamento anterior, desta vez tínhamos quintal, com um gramado verde vivo e um lindo jardim. A entrada continha caminhos de pedras tão lindos quanto nos filmes americanos, mas havia algo ali que me fazia triste.
A cena do meu skate largado no canto da varanda, com todos os apetrechos ao lado, me fez suspirar enquanto esquentava a mão em meu bolso.

Mamãe me proibira de usá-lo até que eu finalmente tivesse em condições. Aquilo era frustrante pois, por mais que eu estivesse saudável, era como se eu tivesse uma doença seria, do qual eu tinha que me privar de coisas para que eu pudesse me curar. O único problema era que esse "tratamento" duraria tempo o suficiente para que eu esquecesse tudo o que eu mais gostava de fazer. Era doloroso e difícil.

Encarei meu relógio de pulso com pesar. O tempo passava tão mais depressa quando eu desejava que ele não passasse. Suspirei olhando o céu por um tempo, e quando caminhei em direção a calçada para seguir o meu destino, uma buzina chamou minha atenção, me fazendo olhar em sua direção.

— Sobe aí. — Retirava o óculos, fazendo um estilo que não combinava muito com o momento.

— O que faz aqui? — Curvei as sobrancelhas. — Apenas vá. Eu não estou com pressa.

— Você apenas vai querer chegar comigo. Confia em mim. — Saiu do carro, caminhando em direção ao carona, abrindo a porta para que eu pudesse entrar. — Eu já resolvi tudo, mas preciso de você tanto quanto você precisa de mim.

— E quem disse que eu preciso de você? — Dei as costas, retornando a andar pelo caminho da qual não deveria ter me distraído.

Sasuke apressou os passos, segurando no meu pulso, fazendo com que eu o encarasse.

— Você não pode apenas vir comigo? — Murmurou. — Você não tem noção do quanto esperei por isso. Eu não estou pedindo demais ... estou?

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora