XXXIII

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 Quando o amor deixa de ser uma situação e passa a ser um milagre, a vida se torna mais doce e as dificuldades mais simples.

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Já iremos formar os casais para a briga de galo! — Kiba saiu do meu lado, gritando para que todos pudessem escutar.

Fiquei observando toda aquela gente com um sorriso no rosto, totalmente despreocupadas com o amanhã. Pensar que até ontem eu era uma delas, e de repente não era mais, me trazia sentimentos ruins. Olhei novamente para minha barriga, já redonda o suficiente para me lembrar que não tinha mais para onde fugir. Alisei sua superfície, contraíndo os lábios. A fase era difícil, os sentimentos confusos, mas eu sabia que iria ultrapassar os obstáculos com louvor. Eu sabia que um dia olharia para trás e riria dos meus próprios medos.

— O que faz aqui? — Observei Sasuke se aproximar, sentando-se ao meu lado. — Você é a única excluída.

— É que agora eu sou diferente. Ninguém me trata mais como antes ... — Dei um dos ombros. — Até mesmo você demorou para me notar, quem dirá os outros.

Sasuke me analisou por um tempo, juntando suas sobrancelhas com descrédito. Passou seus olhos novamente sobre a piscina, onde as pessoas se divertiam em brincadeiras sem sentidos, depois me olhou outra vez  contraíndo seus lábios.

— Você quem está se excluindo. — Respondeu por fim. — E eu já havia te visto, mas não sabia o momento certo de me aproximar, já que você não tem falado muito comigo. Achei que seria invasivo me aproximar do nada.

— Não é nada pessoal. Eu não tenho me aproximando nem mesmo de mim, quem dirá dos outros.

— Essa alto rejeição me preocupa. — Estalou os lábios, guiando sua mão esquerda até meu cabelo, concertando a madeixa solta sobre meu rosto. — Eu realmente perdi boa parte das situações mais difíceis da sua vida. Eu gostaria de ter tido uma brecha, mas você fechou todos os caminhos possíveis, e quando achei que finalmente conseguiria entrar, você se escondeu outra vez.

— E você ainda tem vontade de tentar entrar? — Perguntei, abaixando meu olhar, olhando-o logo após.

Sua expressão era doce, serena, nada sarcástica. Os acontecimentos haviam amadurecido o Sasuke de algum modo e ele tentava sempre se mostrar responsável, mesmo no fundo sendo apenas um garoto imaturo e despreparado para ultrapassar as barreiras da vida, assim como eu também era.

Sasuke me encarou por algum tempo, voltado sua visão para frente logo após. Seus lábios se curvaram em um sorriso tímido e seus olhos desceram até suas mãos entrelaçadas.

— Você me daria espaço para entrar, ou eu teria que forçar a porta? — Respondeu com certo cansaço. — Eu não gosto muito da segunda opção.

— Mas você já fez isso. — Olhei-o. — Foi assim que me fez se apaixonar por você.

— Mas não quero fazer isso de novo, entende? Eu gosto de você muito mais do que gostei ontem e isso não parece certo. Não gosto de pensar que você me ama apenas porque eu "forcei a barra". — Suspirou — Então me responda: A porta vai estar aberta para mim?

"Mas ela nunca esteve fechada", era isso o que gostaria de ter dito, pois de uma forma ou outra, era realmente uma verdade, mas olhando em seu ponto de vista, minhas ações vazias e distantes só demonstravam desinteresse e era mais que provável que que se sentisse rejeitado, de alguma forma.

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora