XXXV - Yes

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— O que faz sozinha?

Enquanto me escondida de todos, sentada sobre o meio fio da calçada em um dia pouco nublado, senti a presença familiar de alguém se aproximar. Permaneci calada, olhando a estrada movimentada de um dos bairros nobres do Japão. Sem me preocupar com vestimenta, aparência ou o valor que Sasuke teve de gastar comigo ... eu apenas havia fugido sem me preocupar com o que aconteceria com ele.

— Não é óbvio? — Resmunguei, retirando os sapatos dos meus pés. — Eu não sei lidar com surpresas. O que eu deveria dizer?

— Sim ... deveria dizer sim. — Ele se aproximou de mim, sentando-se ao meu lado. — Já chegamos até aqui. Existe surpresa maior do que uma gravidez indesejada? — Neguei. Ele riu, olhando o horizonte. — Então do que tem medo?

Apertei os lábios, tentando responder aquela pergunta visualmente tão simples. Por mais que eu procurasse por uma repostas concreta, eu não as tinha. Por mais que eu procurasse uma razão, ela também não existia. Eu estava em uma briga onde meu maior inimigo era eu mesma.

Itachi sorriu antes de tocar minha cabeça e se levantar. Olhei em sua direção, agora tão distante de mim, e tentei procurar uma resposta através dos seus olhos, mas o que fazer quando a resposta já habitava dentro de mim? Eu só precisava ter uma maneira de entende-la.

Por questões pessoais, decidi não retornar ao evento familiar. Ir embora e sumir era minha melhor alternativa, então apenas o fiz. Chegar em casa após um dia confuso e me deitar seria algo reconfortante em algum momento longínquo da minha vida, mas não mais. Minha casa deveria ser meu lar, mas por qual motivo eu sentia que meu lar era os ombros magros de um adolescente de dezenove anos e não mais a cama que eu tanto me refugiara?

Rolei para o lado, olhando a parede de cores claras e muitos posters de idols colados ao redor. Eu era apenas uma menina. Que triste fim para alguém que almejava tantos planos ...

— Não sei se você pode me entender, Yuki. Mas as coisas tem sido difícil aí dentro, certo? Você pode sentir meus sentimentos daí? Será que você achou a resposta que preciso?

Passei minhas mãos sobre a superfície redonda da barriga e um pequeno chute me fez sorrir. Yuki estava me dando o ar de sua graça, me fazendo perceber que eu não me encontrava sozinha. Tudo o que eu tinha que fazer era mostrar a ele que eu sabia lidar comigo mesma e que tudo ficaria bem.

— Falta tão pouco pra você finalmente ver o mundo ... conhecer seus pais. — Olhei o teto, rindo logo após. — Que loucura! — Coloquei a mão na minha testa. — Espero que todo esse problema envolvendo seu pai e Sasuke não te afete de qualquer modo. Eu sempre irei te ensinar a não se envolver com membros da mesma família. — Me sentei, abaixando minha cabeça em direção à pequena bola oval que tomava conta do meu corpo. — Faça o que digo, mas não faço o que eu faço!

.oOo.

O ônibus para a excursão já se encontra presente. — Diretor Minato se posicionava de pé no palco de apresentações do pátio. — É importante lembrar que não seremos responsáveis por quaisquer que seja os pertences a sumir. Tenham responsabilidade e cuidem bem das suas coisas. Sakura ... — Me olhou, fazendo toda a minha sala e mais outras duas me encararem. — Gaara irá te acompanhar, já que são da mesma sala. Não se esforce muito.

Assenti, mesmo a contra gosto. Não pelo Gaara, pois ele era um excelente menino, mas tudo o que eu queria era poder ter Sasuke ao meu lado, mesmo após o dia embaraçoso que tivemos.

Todos se levantaram após o fim da fala do Diretor Minato, pegando suas bolsas pequenas que continham poucas coisas, caminhando calmamente em direção ao ônibus escolar. Como uma aluna comum, apenas fiz o mesmo, mas senti as mãos de alguém tocar minha bolsa, retirando-as do meu ombro.

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora