XV - Can We Still be Friends?

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"Sei que tem se perguntado por que tenho ligado, como se eu tivesse segundas intenções. Sei que não terminamos tão bem, mas você sabe que tínhamos algo tão bom. Então, eu estava pensando... Ainda podemos ser amigos? (Friends - Justin Bieber)"

Algumas longas semanas não foram o suficiente para amenizar o sentimento ruim de ver meu time perder o jogo na primeira vez que joguei. Eu havia parado de frequentar o ginásio, me afastado dos meninos do time e retornado para minhas atividades triviais e rotineiras no grupo de xadrez. Eu não costumava ser tão boa quanto era na quadra. Nada do que eu fazia parecia surtir o mesmo efeito da adrenalina de saltar além dos corpos esguios dos jogadores. Nada era tão animador quanto bater o recorde de sacanada mais distante.

Eu observava Sasuke passar pelos corredores com sua bolsa de esporte ao seu ombro. Ele não mais me olhava, muito menos tentava puxar assunto. Nos tornamos meros desconhecidos que, por alguma razão, se conheciam. Kiba havia se tornado meu único melhor amigo ... talvez em nível elevado até mesmo que Ino, Hinata e Tenten. Ele me visitava algumas vezes, me levava comida e fazia os trabalhos de escola comigo.

Algumas vezes eu tinha o azar de cair no mesmo grupo de  trabalho que Sasuke, mas por alguma sorte divina, Kiba também estava entre nós, fazendo a intermediação precisa para que o grupo desse certo. E assim foi durante essas últimas semanas, mas não seria dessa vez.

Kakashi tinha o pequeno fascínio em me juntar no mesmo grupo que o Naruto. Mas como se não bastasse, daquela vez ele havia escolhido além do que minha paciência suportava. Ele denominou o grupo Uchiha, Uzumaki, Haruno como o Time 7 e a nossa missão seria preparar uma ornamentação para a despedida e dias de férias.

Ele havia dado ornamentação para dois garotos que a única coisa que sabiam fazer era jogar uma bola numa cesta.

Naruto se mantinha neutro quanto aos problemas que envolviam seu amigo bipolar e sua amiga orgulhosa, mas eu evitava sua presença pois em todas as vezes ele insistia em repetir que um dia seríamos um casal. Aquilo me irritava de uma maneira tão grande, que por um tempo eu senti raiva dele, mas já havia passado.

Eu estava sentada em uma das mesas de xadrez da sala de xadrez — que coisa, não? — quando Sasuke se aproximou de mim, colocando sua bolsa ao lado da sua cadeira.

— Eu realmente espero que isso não demore. — Resmungou.

— Eu não pedi por isso, então trate de ser educado e compreensivo.

Sasuke me encarou com a cabeça baixa e com suas mãos sobre um smartphone ligado. Não me segurei na curiosidade de saber o que tanto ele fazia naquele aparelho. Concertei minha postura, espiando com cuidado a tela brilhosa do celular do moreno.
Não me surpreendi ao olhar que ele conversava com Karin. Eles se tornaram tão próximos durante esses intervalos da minha vida que se ela aparecesse de aliança e um pedido de casamento, não me abalaria nem um pouco.

Reparei o rosto do Sasuke, que se concentrava ao seu aparelho tóxico. Talvez ele estivesse mais magro, cansado e abatido. Eu já sabia que o consumo de cigarros dele haviam aumentado o dobro depois do amistoso da escola. Eu também sabia que Sasuke andava frequentando prostíbulos durante a madrugada. Eu sabia de tudo isso, mesmo. Tantas foram as vezes em que Mikoto aparecia em casa abatida, sem saber o que fazer com seu próprio filho. Eu nem mais frequentava a casa deles, pois não aceitava a ideia de que ele estava se afundando por nada mais que nada.
Itachi também reclamava vez ou outra. Dizia que o quarto do irmão vivia com garrafas de bebidas alcoólicas espalhadas pelas mesas e cômodas do local, que ele já não era mais o mesmo e não entendia o porquê de uma mudança tão repentina. Mas eu sabia. Claro que eu sabia.

— Eu sei que você está me olhando. — Sasuke continuava mechendo no seu celular, balançando suas pernas. — O que tanto te interessa em mim?

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora