XXXIV - Will you marry me?

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Já era a quinta vez que acordava atrasada.

Me levantei num pulo, correndo em direção ao guarda roupa, pegando qualquer peça que aparecia em minha frente, tirando a remela dos olhos com cuspe e prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo desleixado. Eu havia marcado de encontrar Sasuke em frente ao chafariz da praça do bairro, e pelo horário ele já esperava pouco mais de dez minutos.

Corri com a bolsa sobre meu braço pouco dobrado, esbarrando em algumas crianças que brincavam sobre a calçada.

— Me desculpe. Me certifico de que te darei outro! — Gritei já virando a esquina, depois de pisar no boneco de algum daqueles meninos.

Avistei ao longe Sasuke sentado no banquinho de madeira, olhando seu relógio enquanto batucava seus pés no chão. Provavelmente chamaria minha atenção, como havia feito durante os meus últimos três atrasos.
Paralisei, caminhando normalmente. Levei minha mão em direção aos meus lábios, soltando ar para ver como me encontrava.

Eu havia esquecido de escovar os dentes.

— Droga! — Bati um dos pés no chão, procurando rapidamente algo em minha bolsa que pudesse camuflar o mal cheiro. — Oh, graças a deus! — Levei a mão no peito, enquanto um pequeno orgasmo pós tensão invadia meu corpo. — Um chiclete de menta. Boa, Sakura! — Comemorei sorrindo, enquanto abria o embrulho retomando meus passos.

Sasuke se espantou ao me avistar, se levantando rapidamente do banco enquanto ajeitava sua blusa social. Ele estava perfeitamente atraente, como um personagem de webtoon.
Parei em sua direção, mastigando o chiclete com rapidez, enquanto jogava o alimento de textura borrachuda por todos os mínimos canto da minha boca. Sasuke franziu as sobrancelhas em descrença após me ver tão detalhadamente, e então apenas parei de mastigar e o encarei como um cãozinho após revirar algum lixo.

— O que foi? — Retomei minha postura, fazendo um bico.

— Se atrasou outra vez? — Olhou o relógio. — Ao menos se arrume direito. — Cruzou os braços, fazendo bico igualmente. — Não acredito que me arrumei todo pra encontrar uma garota que, se quer, escovou os dentes. — Resmungou, olhando qualquer coisa que não fosse meu rosto.

— Está tão na cara? — Abaixei o rosto, olhando-o apenas com os olhos erguidos.

— Sakura, tem farelo de pão no canto da sua boca. Pelo amor! — Passou a mão sobre a sujeira, tirando todos os vestígios com certa grosseria. — O que deu em você? Quer que eu te obrigue a ir morar comigo? Se você dormisse na minha cama, não sofreria desse mal.

— Já está se aproveitando. — Revirei os olhos, caminhando em passos firmes até o carro.

Sasuke apenas me seguiu, andando como um mini deus peregrinando por pastos verdejantes. Fiquei parada em frente a porta, esperando que ele abrisse para que eu pudesse entrar, mas ele simplesmente deu a volta, entrando no carro como se não estivesse me visto.

Filho da puta!

— Ao menos seja um cavaleiro. — Reclamei após passar o cinto. — Eu estou grávida. Olha só o tamanho dessa barriga! Não posso simplesmente fazer as coisas.

— Não só pode, como deve! — Sorriu zombeteiro, pegando a chave do bolso, dando engate para que o carro pudesse andar.

Ele colocou alguma música aleatória em seu som, e então pude perceber o quanto somos perfeitamente diferente nos gostos. Sasuke, embora divergente a mim, era bem estiloso, em todas as áreas da sua vida. A batida de alguma música R&B que entoava no vácuo do carro me trazia ótimas sensações.

Eu estava tão entretida no som, que ao menos percebi a mudança brusca de direção ao destino.

Arregalei os olhos com preocupação, olhando rapidamente para Sasuke que se mantinha sereno e concentrado sobre a estrada.

Metade da Lua - [ CONCLUÍDA ]Onde histórias criam vida. Descubra agora