De longe eu observava o meu bombeiro.
Abraçado a ele estavam os primos Tânia e José Filho. Mesmo já tendo ouvido falar no filho mais velho nunca o tinha visto.
Os boatos que corriam era que ele e o pai não davam certo, aos 18 anos em um rompante o filho ainda adolescente decidiu ir para a guerra, voltou dois anos depois, após ter sido dispensado por se ferir em combate.
O pai não satisfeito desde o início com o ato, não o aceitou novamente em casa, estão o jovem saiu pelo mundo viajando por anos, até que finalmente se instalou na Europa onde concluiu sua faculdade de Direito e continuou sem contato com o pai, apenas contatando esporadicamente com sua irmã.
-Sinto vontade de sair correndo cada vez que Tânia abre a boca.
-Renata, não fale assim, você não entende a dor que ela está sentindo.- a adverti. No fundo eu concordava com ela, desde que chegamos ao local do funeral de José Sanchez, Tânia estava dando um verdadeiro show, muitos gritos seguidos de choros excessivos, ela já havia ameaçado desmaiar umas 3 vezes e sempre procurava apoio nos braços de Hélio.
Eu respirava fundo cada vez que isso acontecia, não poderia ser insensível a ponto de não respeitar a dor deles e definitivamente não era hora e nem lugar para meu ciúme falar mais alto.
-Aqui Bia, trouxe um pouco de água com açúcar pra você, essa agitação toda não te fará bem.- eu agradeci Alice, esposa de José Filho, que mesmo a conhecendo em pouco mais de 1hr, já pude notar o quanto era uma pessoa prestativa e um tanto quanto elétrica.
É impressionante como as coisas funcionam rapidamente quando se é rico e influente, assim que recebemos a notícia da morte, um pouco mais de 3 hrs depois praticamente todos já sabiam. Nunca cheguei a ver tantos magnatas quanto nesse funeral, aumentando e mais a minha noção do quanto meu patrão era um homem poderoso e conhecido.
Hélio olhou para trás mais uma vez, talvez fosse a centésima vez em 10 min que ele fazia isso, lancei um sorriso fraco e triste pra ele, tentando convencê-lo que estava bem.
Na verdade desde quando dei a notícia a ele, sua expressão continuava a mesma, vazia. Não houve choro, não houve incredulidade, não houve raiva, ele ficou olhando para o nada por cerca de 5 min até que seu olhar se voltou para mim, demonstrando preocupação.
E mesmo ele alegando que eu precisava ficar em casa descansando e evitar stress não sai do lado dele, talvez mais por medo de que ele pudesse desabar a qualquer momento.
-Já é hora de irmos.- Hélio disse quando se aproximou de mim, assenti sem ter o que dizer levantando e o acompanhado até a saída de onde estava acontecendo o funeral, e de lá seguimos para o cemitério.
-NÃOOOO. PELO AMOR DE DEUS PAPAI, VOLTA.- Se antes Renata achava que Tania estava fazendo escândalo, imagine agora.
Hélio suspirou ao meu lado, apertando fortemente minha mão cada vez que escutava um grito da prima, não pude deixar de notar que ao redor de nós estava cheio de seguranças e havia até mesmo alguns policiais, tremi levemente quando a ideia de que meu bombeiro pudesse estar correndo algum perigo.
-Foi bom te ver meu primo, apesar das circunstâncias.- Hélio disse enquanto abraçava fortemente José F, que mesmo com seu jeito pacífico, a vermelhidão em seu rosto e olhos mostrava que ele já havia tido seu momento de luto.
-Digo o mesmo meu primo, assim que eu encontrar um lugar e me instalar , te procuro para conversarmos.
-Pensei que ficaria na casa de seu pai.
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Meu Vizinho Bombeiro
Romance"Terrivelmente sedutor...esse era Meu Vizinho Bombeiro." - Bia. "Não tenho medo de me queimar, só não suporto perder você, minha Fênix." -Hélio. Completamente opostos. Intensidade a primeira vista, mas tudo em excesso faz mal...será? Faíscas saem a...
