O Elevador

4.4K 207 15
                                        

-Estou quente até agora, você tinha que ter visto, aquele peitoral, aquelas costas largas com a tatuagem.- uma das universitárias que morava no meu prédio, que deveria ter uns 18 anos  falava sem parar de um homem, revirei os olhos, adolescentes e seus hormônios.

-Ouuuuu Beatriz, você é sortuda hein.

-Eu ?Como assim? – perguntei confusa para a loira que eu sabia que morava no ap abaixo do meu.

-Ter a sorte de morar do lado do bombeiro gostoso, seria meu sonho. Ainda mais depois de ontem.- ela falou enquanto fazia um gesto com a mão, como se estivesse se abanando pelo calor.

-Como assim depois de ontem? – perguntei assustada, como medo de que elas pudessem ter visto ou ouvido a cena na lavanderia.

-Então, parece que ele ficou preso na lavanderia de noite, o coitado teve que arrombar a porta para sair, a Júlia viu ele, todo suado, só de calça e bota, quem dera eu estar lá pra ajudar.- ela deu uma risadinha maliciosa.

Graças a Deus o andar delas chegaram e pude respirar aliviada. Minha cabeça latejava cada vez mais, a tempos que não tinha uma crise de enxaqueca tão violenta quanto a de ontem.

Me lembro de como cheguei em casa, quebrei o primeiro vaso que vi pela frente, me amaldiçoando por ser tão fraca e me entregar assim a quem mal conhecia e  não merecia.

Diante do meu alto nível de estresse, minha cabeça começou a querer explodir, me tranquei no banheiro,  joguei fora tudo o que estava no meu estômago tamanha a dor que sentia, após o banho me entupi de analgésicos e tentei dormir, mas batidas insistentes na porta me atrapalharam, eu tinha uma vaga noção de quem seria, mas decidi ignorar.

Estava abrindo a porta do meu ap, quando mãos fortes seguraram minha cintura.

-Mas que inferno, pare de me assustar.- gritei irritada e meio zonza pelo susto. Nem precisava me virar para saber de quem se tratava, o cheiro forte, masculino e amadeirado penetrou minhas narinas.

-Você é muito distraída. Não tenho culpa.- Hélio soltou despreocupadamente, enquanto se abaixava para pegar minha sacola de medicamentos que havia caído no chão.

-O que você quer? Não disse para ficar longe de mim?.- o interroguei já nervosa por estar tão perto dele, e pior, dessa vez ele se encontrava todo fardado, com a calça e camiseta do quartel que tinha um crachá com seu sobrenome bordado, vagamente notei que aquele sobrenome era  familiar.

-Vim falar com você sobre ontem.- Hélio já não estava com a expressão de divertimento no rosto e sim parecia meio arredio. Pude notar que do lado esquerdo de sua face tinha uma pequena marca vermelha, certamente um vestígio de meu tapa, minha diaba interior sorriu maliciosamente com isso.

-Não tenho tempo pra falar e se veio pedir desculpas, eu recuso.

-Eu só peço desculpas quando estou arrependido de algo, o que claramente não é o caso aqui. Pra ser sincero eu gostaria de repetir a dose.- abriu um sorriso largo, mostrando suas adoráveis covinhas. Tão lindo. MAS O QUE? O que estou pensando?

-Você é muito descarado, deveria ter um pingo de vergonha na cara.- cara muito linda aliás, quis me socar por cada pensamento incoerente que saia da minha mente quando estava perto dele.

-Qual é, somos dois adultos, sei que também gostou de ontem, poderemos nos beneficiar com isso.

-Você acha que sou o que pra me sujeitar a isso? Veio no apartamento errado.

-Acho que é uma mulher madura com vontades e que pode aproveitar muito bem as oportunidades, afinal, não é pecado nenhum sentir prazer, ainda mais á dois.-  piscou para mim enquanto mordia os lábios. Foco Beatriz, FOCO.

Meu Vizinho BombeiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora