Declaração

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*PONTO DE VISTA DO HÉLIO*

Entrei apressadamente no andar da sala de reuniões, verifiquei meu relógio de pulso novamente só para constar o quanto eu estava atrasado.

Meu filho seria órfão de pai, pois Beatriz com certeza me mataria e jogaria os pedaços na rua.

-Desculpa Hélio.- Marcelo, um dos funcionários do setor administrativo disse ao esbarrar em mim.

-Tudo bem cara, tá com pressa né.- brinquei para descontrair vendo que ele estava visivelmente nervoso.

-Vou buscar um padre, sua mulher está possuída hoje.- ele disse sério enquanto limpava um filete de suor que escorria por sua testa.

-Está tão ruim assim?

-Em meia-hora de reunião, dois funcionários foram demitidos e os que não foram estão chorando.

-SÉRIO?-perguntei alarmado e pensando no quanto as coisas estavam perigosas la dentro.

Ele riu diante disso.

-Talvez eu tenha exagerado na parte do choro, enfim, deixe eu voltar ao trabalho antes que Beatriz me faça ter um visita no RH.- se despediu de mim voltando a correr novamente.

-Isso está errado e muito mal editado, espero que não tenha erro da próxima vez.- a voz de Beatriz era a única a ser ouvida dentro da sala. –Paulo, pode voltar ao trabalho e me enviei tudo ainda hoje.- o pobre coitado do Paulo correu bem mais que Marcelo para sair da sala.

Entrei à francesa, me sentando o mais distante possível de Beatriz. Zé acenou para mim e apontou para o relógio, dei de ombros sem mais explicações.

-Que bom que deu o ar da graça senhor Hélio.- alguns dos acionistas soltaram um risinho, não sei se pela fala formal da Bia ou pelo fato de que talvez meu corpo tenha tremido um pouco de medo ao escutar sua voz fria e cortante direcionada a mim me causando uma estranha excitação. Um “déjàvu”  da época que não estavamos juntos.

-Desculpe, tive uma emergência.- sorri da maneira mais amorosa que pude, quem sabe assim ela se acalmasse um pouco.

-Claro que teve.- ela disse com desdém revirando os olhos, é pelo visto não funcionou.

- Zé adiante a papelada para que o atrasadinho assine.

Zé veio para o meu lado tentando esconder o riso, notei as olheiras em seu rosto.

-Como você está?- perguntei preocupado.

-Se eu sobreviver a hoje, estarei muito bem.- falou apontando com a cabeça para minha namorada enquanto me passa alguns documentos que precisavam de minha assinatura.

Namorada….por enquanto.

Enquanto olhava para as letras a minha frente permiti que minha mente vagasse. Me senti um pouco culpado por não dar a devida atenção ao meu primo nas últimas semanas, principalmente agora que Alice estava a uma semana viajando a trabalho.

Mas quem poderia me culpar? Os problemas foram resolvidos. Meu único foco era em Beatriz e no nosso filho, nada no mundo externo me chamava a atenção o suficiente para me manter longe deles.

Desde meu acidente eu havia me ausentado do quartel. O que era bom e ruim ao mesmo tempo.

Bom, pois eu tinha mais tempo para Bia, confesso que agora estou me acostumando e minha ficha caiu finalmente por tudo o que aconteceu nos últimos meses, mas eu não conseguia me afastar por muito tempo dela.

Ruim, pois sentia falta do meu trabalho e de toda a ação e realização que ele me trazia.

Mas se no momento eu teria que focar em algo, minha família era a primeira opção e sempre seria.

Meu Vizinho BombeiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora