1 mês depois...
1 mês se passou desde aquele dia horrível, nosso convívio tá insuportável, todo dia é uma briga diferente, não posso respirar perto dele que já é motivo pra ele surtar. As agressões estão virando costume. Já tentei dar de maluca e sair saindo umas 3 vezes, mas esses vapor pau mandado dele sempre me cagueta. Foram 3 tentativas frustadas que acabaram comigo apanhando feio.
Toda vez que ele faz alguma merda, ele vem pedir desculpa depois, trás presentes...faz de tudo pra me agradar, como se fosse apagar as coisas ruins que ele fez, mas agora ele não faz mais nada, parece que ele gosta de fazer o que ele faz comigo. Ele tá cada vez pior, já to ficando doida dentro dessa casa.
Se eu falar que quase todos os dias eu penso em matar ele dormindo, sou uma pessoa muito ruim?
Ultimamente to me sentindo muito mal, to vomitando quase todos o dias, muito fraca e ontem senti uma vontade terrível de comer fandangos com leite condensado.
Choro só de pensar na possibilidade de tá grávida, Playboy não quer um filho e muito menos eu, por isso tomo meu remédio certinho. Mas não tem outra explicação pra essas coisas que to sentindo. To grávida.
Acordei disposta a tirar essa dúvida hoje, esperei Playboy sair e pedi dois testes de gravidez na farmácia. Não to me aguentando, é uma mistura de ansiedade, com medo, com preocupação...
Alguns minutos depois o motoboy entregou os testes aqui em casa. Corri pro banheiro e fiz os dois testes. Roí todas as minhas unhas esperando o resultando. Subiu uma linha e de repente, outra linha. Olhei o outro teste e duas linhas também.
Puta que pariu!
Meu Deus eu to grávida, grávida de um homem que eu não amo e que não me ama, grávida de um homem que só me faz sofrer, esse bebê é fruto de um estupro. O pai dessa criança é um covarde que não merece que eu carregue uma vida no meu ventre.
Fiquei um bom tempo no banheiro encarando aqueles testes, pensando no que eu vou fazer, como vai ser minha vida agora? Como eu vou embora desse morro carregando um filho do Playboy? Minha cabeça tá a mil.
Levantei e fui pro chuveiro, não conseguia parar de pensar nisso. Sai do banho e deitei na cama chorando.
O que eu fui arrumar pra minha vida? Agora to mais presa do que nunca.
Depois de um bom tempo ali chorando, coloquei uma roupa e respirei fundo. Não tem jeito, eu estou grávida, eu estou gerando uma vida dentro de mim, e eu vou seguir em frente, essa criança não tem culpa de nada.
Minha vida de hoje em diante vai tomar um rumo diferente, na verdade eu não sei o que vai acontecer. Eu quero ir embora daqui, não quero criar essa criança aqui no morro, não vou privar o Playboy de ver o filho, por mais que ele não mereça essa criança eu não vou fazer isso, ele pode sim ser um bom pai, mas se ele não quiser esse filho, eu não vou tirar!
Coloquei um filme na tv enquanto esperava o Playboy chegar, vou contar pra ele hoje. Uns 20 minutos depois de começar o filme ele chegou e foi direto pra cozinha, nem falou comigo. Respirei fundo e fui pra cozinha também, o mesmo estava encostado no balcão mexendo no celular e bebendo uma cerveja.
- Playboy? - falei na porta da cozinha
- Fala - disse sem me olhar
- Preciso conversar com você
- Fala porra - disse ainda sem me olhar
Grosso como sempre.
- É que...você lembra da última vez que a gente...quando você me estuprou? - falei a última parte rápido
Ele levantou o olhar e me encarou, bloqueou o celular e colocou em cima do balcão.
- Te estuprei? - riu - Eu te dei o que você queria
- E quando foi que eu disse que queria que você transasse comigo sem o meu consentimento? - perguntei puta
- De qual foi Melissa, ta tocando nesse assunto por quê? - perguntou de braços cruzados e seu olhar carregava ódio
- Acontece que você não usou camisinha
O medo que eu tava de contar já tinha sumido, Playboy tem uma capacidade surreal de me estressar toda vez que tento dialogar com ele.
- Você ta doente? - perguntou preocupado
- O que? NÃO!
- Fala então porra, ta enrolando por que? Qual foi Melissa, tô nem entendendo a sua
- Eu tô grávida Playboy - falei e o encarei, seu olhar que antes carregava ódio agora eu não conseguia decifar qual sentimento ele sentia no momento
- Grávida Melissa? - perguntou descruzando os braços
É Playboy, eu to grávida - falei nervosa
- Como é que você deixou isso acontecer? Você ta maluca? Você não toma remédio? Caralho, você pegou barriga de propósito né piranha - gritou e grudou no meu cabelo
- Que peguei barriga de propósito, tá maluco? Me solta!
- Toma - jogou várias notas de cem em cima da mesa - Tu vai tirar essa porra!
- Vai tomar no cu! - gritei
- Ta maluca mandando sujeito homem tomar no cu? - Me deu um tapa na cara
- Sujeito homem? Que sujeito homem manda abortar o próprio filho? Que sujeito homem bate em mulher? Que sujeito homem estupra uma mulher? Você não é sujeito homem não Playboy, você não é homem nem aqui e nem na China, você é um moleque. Sabe o que você faz com esse dinheiro sujo? Enfia ele no seu cu - joguei o dinheiro nele - eu não vou tirar o MEU filho, eu vou continuar com essa gravidez quer você queira ou não! Não vou matar uma vida inocente porque você não é homem o suficiente pra assumir o seu próprio filho, se você não honra a porra do piru que você tem no meio das suas pernas eu não posso fazer nada, eu é que não vou honrar por você, pode ficar puto, me xingar e até me bater mas eu não vou tirar o meu filho, e se você ta pensando em me matar pode matar, se for pra me bater bate pra me matar! mas carrega pra sempre o peso da culpa de que VOCÊ matou o seu filho, sua cria, sangue do seu sangue! - cuspi as palavras nele e vi seus olhos encherem de ódio
Cavei a minha própria cova.
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A mulher do dono do morro
Teen FictionMelissa é a famosa "mulher de bandido", vive em um relacionamento com Playboy, dono da favela do Juramento, sua vida se resume a altos e baixos, é independente, mas com o marido que tem, tudo fica mais difícil. De repente ela conhece o dono do Compl...
