- Thiago Narrando -
- Já tô chegando já mano, aguarda na disciplina porra - falei no radinho enquanto dirigia pra Rocinha
Na moral esses cana tem que tomar muito tiro pra aprender. Ganham a vida só com a propina que pegam no meu morro e ainda vem querer invadir essa merda, vai tomar no cu! Tô só o ódio, me tiraram da minha pocahontas no final de semana que era só nosso, vai se fuder geral nessa porra
Cheguei no Juramento já era uma 16h e pouca, o cara que nós tem lá dentro já deu o papo que eles vão invadir hoje, eu tô puto e puto, sem papo
Cheguei na boca e acendi o calmante, bolei a nossa estratégia e passei a visão pra cada um, minha tropa tá mais que treinada, os moleques são sagaz, só menor treinado pique guerrilheiro, muita bala pra cima deles
Lá pelas 18h os fogos começaram. Começou a guerra, dia a dia nós tá nessa, perigo de levar um tiro nós corre todo dia, mas é nesses dias de operação que o bagulho fica louco mesmo, nós tá aí na pista desde menorzinho, nós sabe todo o proceder e vamos pra guerra sem medo, o bagulho é trocação firme, aqui os mano só anda de fuzil, AR-10, AK47, M16 pra cima, se brotar fica fudido!
Sai da boca com os mano ja boladão pronto pra meter bala em geral, joguei o colete, atravessei um fuzil nas costas, colei um no peito e portei de glock na cintura, mochila recheada de munição e fui pra guerra.
Subi em uma laje e fiquei de lá só mirando na cabeça, Menor me passou um rádio falando que na entrada do morro o bagulho tava doido. Desci da laje e comecei a descer pra entrada atirando em quem aparecesse na minha frente, subiram 3 blindados e a tropa já tinha derrubado um.
Entrei num beco pra cortar caminho e os menor ficaram na rua de baixo trocando com os filhos da puta. Tava derrubando sangue por onde eu passava, tava uma uva.
Avistei de longe um otário no beco passando a planta pelo rádio, não pensei duas vezes, desci o dedo no filho da puta, ele caiu tremendo e eu joguei uns 5 na cara do viado, esse aí vai ser caixão fechado.
De repente senti um cano gelado na minha nuca, ali eu já sabia o que ia acontecer
- Coloca a arma no chão filho de puta! - o viado gritou e eu continuei parado - Coloca a arma no chão porra - gritou de novo e eu continuei calmo - Tu quer morrer? Coloca a arma no chão - pensei em tentar reagir mas pensei na minha pocahontas, eu não sabia quantos tinham ali com ele, eu podia matar ele e morrer logo em seguida.
Coloquei a arma no chão e senti uma ardência na perna. Levei um tiro. De repente, outra ardência, dessa vez no braço. Outro tiro.
É isso que deixa nós cheio de ódio, fiquei na disciplina no bagulho e esse filho da puta desceu o aço. Nós não tem medo da morte não, nós tem medo da juraria. Não é porque esses otários são a lei que eles seguem ela não, Bope tá pior que bandido!
Cai no chão e eles me levantaram, tinha uns 6 na minha frente
- Ih, olhei aí quem é comandante - o viado que atirou em mim disse e um velho saiu de trás de outro viado que estava mais pra trás
- Grande Th - o velho ficou na minha frente - Demorou, mas enfim nos encontramos né? - riu
- Eai? Esse vai pro inferno? - o outro lá trás perguntou
- Esse vai pro inferno sim, mas pro inferno da terra - o comandante riu - Tu tem muita sorte garoto, se não fosse eu aqui, tu já estava no colo do capeta
- Essa honra eu vou deixar pra você - falei e ele riu
- Tu não dura uma semana lá dentro - disse e me deu um soco, logo depois outro e outro
- Cadê o Terror chefe do tráfico agora? Cadê o rei da Rocinha? - riu e chutou meu estômago
Na corvadia todo mundo é homem, todo mundo é rei. É só isso aí que eles sabem fazer, só sabem agir na judaria, já vi vários irmãos nessa, mas nunca me imaginei passando por isso. Eu tô com sangue nos olhos filho, vão tirar minha liberdade na covardia.
Depois de muita porrada eles me algemaram desceram comigo, me colocaram na viatura e me levaram pra delegacia, eu estava fudido, não conseguia nem andar direito, nem abrir o olho eu conseguia.
Tinha repórter em todo lugar, no morro, delegacia. Minha cara já estava estampada em todos os jornais. Só sinto ódio nesse momento.
Passei pelo atendimento médico e passei a noite na delegacia, com dor pelo corpo todo, mas sem reclamar nenhum momento. No dia seguinte de manhã me levaram pra bangu. Pior lugar que tu pode imaginar.
Só passa na minha cabeça a minha pocahontas, tudo que ela me disse, que não era pra eu ir, pra eu ficar. Se eu pudesse voltar no tempo, mas Deus sabe de todas as coisas, graças a Deus eu tô com vida ainda, não vão me derrubar agora não, já superei muita coisa, não vai ser uma cadeia que vai me fazer cair agora, ainda vou encontrar minha pocahontas de novo!
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A mulher do dono do morro
Teen FictionMelissa é a famosa "mulher de bandido", vive em um relacionamento com Playboy, dono da favela do Juramento, sua vida se resume a altos e baixos, é independente, mas com o marido que tem, tudo fica mais difícil. De repente ela conhece o dono do Compl...
