O dia seguinte nasceu preguiçoso, achei estranho ninguém vir me procurar por conta da notícia do ocorrido com Rick. Acredito que as pessoas tenham achado de bom tom dar um tempo para que pudéssemos digerir aquilo da melhor forma. Levantei mais cedo do que o habitual, eu me deixava ser bem preguiçoso depois de velho, já havia acordado cedo vezes demais. Deixei Maggie dormindo e lhe dei um leve beijo em sua testa, estava ávido por um gole de água e ao me dirigir a cozinha, escutei barulhos no terraço.
Subi sem pressa, já tendo alguma ideia do que se tratava.
- Iaaaaa!!!! — Berrou JP girando duas réplicas dos machados de Ragnar, feito em madeira. — Morra dragão!— Berrou ele enquanto soltava outro poderoso golpe no ar.
Elric e Arthur estavam concentrados no estudo de magia. O sucessor do reino tentava gerar qualquer tipo de energia entre suas mãos, enquanto o primo mais velho disparava Raios de luz nos alvos, sempre tentando aumentar sua intensidade. Fiquei olhando para aqueles meninos por algum tempo e me lembrei de quando Rick e eu tínhamos aquela idade e queríamos toda a aventura que eles fantasiavam. Respirei fundo com a dor da perda em meu peito, quando senti ser abraçado.
- Acordou cedo! — Olhei para trás e ví minha bela Glorinha, aquela que havia salvado minha vida antes mesmo de nascer. Forcei um sorriso para ela.
- Minha querida, você não deveria estar aqui. Como estão as coisas no castelo?
- Precisava sim, pai. Eu queria vê-lo antes de qualquer coisa. Donga permaneceu conosco ontem, ela está muito ocupada com todos os detalhes do funeral. A princesa está inconsolável. — Encarei a mãe de Elric enquanto falava de minha outra filha, e buscava entender tudo o que ela me falava.
- Mãe! — Elric correu e deu um longo e apertado abraço em minha filha. É engraçado como a pouco tempo era ela a correr para me abraçar.
- Meu príncipe! Como estão as coisas? — Ela perguntou também fingindo um sorriso.
- Tio Rick! — O menino respondeu antes de irromper em lágrimas. Achei tudo aquilo muito estranho, pois no dia anterior o menino parecia chateado, mas se manteve firme como uma rocha. Deduzi que o abraço de uma mãe é capaz de confortar o mais angustiado leito. Senti pena de mim mesmo, pois só pude abraçar a minha apenas uma única vez.
JP e Arthur se aproximaram e também abraçaram a tia, mas não choravam como o sucessor do rei fazia.
- Sua mãe pediu para falar, que as coisas estão complicadas no castelo, então não iremos almoçar juntos. — Fiz um pequeno gesto de entendimento com a cabeça, enquanto o pequeno príncipe se soltava do aperto da mãe, limpando suas lágrimas de maneira envergonhada.
- Você quer ir comigo, meu lindo? — Perguntou Glorinha para o filho, que me encarou de repente.
- Não, o vovô está contando a história do Dragão de metal. — Respondeu forçando a expressão para uma seriedade cômica, com o rosto todo inchado com seu choro.
- O dragão de metal! Esse era muito perigoso. — Respondeu Glorinha, com uma expressão divertida.
- Não era nada, se ele aparece aqui agora eu... eu... — JP girava o machado de madeira, quase o acertando em sua tia, que foi salva no último instante por Arthur.
- Menos. — Censurou o irmão maior.
- Está bem então, eu já vou. Qualquer coisa me chame que eu volto correndo. — Essa última frase foi para mim, respondi com uma piscadela liberando-a de qualquer preocupação.
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Soleria - A Canção de Dama Lua
FantasyFilhos sempre querem ter histórias maiores do que as dos seus pais. Mas quando você é filho do maior mago do reino e melhor amigo do príncipe, isso se torna algo bastante complicado. É para isso que se tratou a vida de Tai, criar histórias que invad...
