A gritaria era contida, quando os escravos viam o Obsidiana, passando entre eles.
Pude ver novamente algo diferente em Xavier. Diferente dos outros que usariam a magia e tirariam todos de sua frente com um golpe Elemental, ele apenas os empurrava tirando-os de sua direção. Apesar de tudo eu havia gostado dele.
Tentei me levantar, porém minha tentativa foi em vão. Não estava tão mais fraco, mas ainda era incapaz de mover meu corpo livremente. Olhei ao redor e pude ver todos os meus amigos nas mesmas condições do que eu. Tínhamos que levantar, não sabíamos ao certo o que tinha acontecido. Temia que Xavier tinha se juntado na batalha do Guerreiro Diamate contra Abil, isso me deu um certo frio na barriga.
A maioria dos escravos que viam o nosso combate havia tomado a direção da outra batalha, que ficava a mais ou menos 200 metros da nossa. Uma menina tentava levantar Buks, que se deixava ser ajudado dando um sorriso tenso para a mesma.
Ao ver aquela cena, lembrei-me da menina que havia me ajudado no umbral. A doçura dela aliviou minha mente tenebrosa e me deu forças para levantar. O mundo precisava ser um lugar melhor para essas crianças. O engraçado é que na época, eu mesmo era quase uma criança e tinha toda essa responsabilidade nas minhas costas.
Observei também o príncipe se levantando, apoiando-se em Dente de Dragão cheia de mossas das batalhas, voltei meu olhar para Cielo, que não possuía mais o olhar vítreo, porém estava em péssimas condições. Parei de me curar e fui ajuda-lo.
— Logo você me curando. — Disse ele com um sorriso no rosto. — Te chamei tantas vezes de incompetente, se eu fosse você me deixaria aqui para apodrecer. — Apenas respondi a seu sorriso.
— Tenho certeza que não. — Respondi notando um brilho em seus olhos, enquanto todos os outros passavam por nós em direção a outra batalha. — Agora cale-se, a luta ainda não acabou.
Alguns escravos mais velhos vieram em nossa direção, me afastaram do mago azul e começaram a fazer um tipo de cântico, enquanto passavam uma pasta fedorenta em suas feridas. Não pude sentir magia normal naquele tipo de cura que eles faziam, porém, um arrepio tomou todo o meu corpo ao ver alguns daqueles anciões baterem no peito falando palavras incompreensíveis. Nunca entendi a magia espiritual da Mãe Terra, lar de todas aquelas pessoas.
Arrastamo-nos como pudemos e em um segundo momento, os escravos começaram a nos carregar rapidamente para o local onde Abil travava sua batalha.
Vimos o broto saindo pelo o lugar onde ficava o peitoral do Diamante, porém a surpresa maior foi que a armadura parecia estar vazia. Conforme a planta ia crescendo a ombreira começou a inchar, sendo desencaixada lentamente, caindo ao chão e aumentando assim os murmúrios, de todos que assistiam.
— O que é isso? — Perguntou Xavier indignado.
Do capacete que pendia preso a parte de trás da armadura, vimos pequenos pés tentando tatear alguma coisa. A planta continuava a crescer empurrando a outra ombreia fazendo com que todas as placas da poderosa vestimenta do Guerreiro Diamante viessem ao chão.
O céu já vestia seu manto negro repleto de pequenas fagulhas azuis, os capatazes improvisaram tochas que davam uma débil iluminação a tudo o que ocorria, enquanto todos permaneciam perplexos aos acontecimentos. O capacete havia caído no chão e rolado alguns centímetros para trás. Pudemos ouvir um miado, parecido com um gato sofredor, enquanto a parte da armadura continuava a rolar.
— Não pode ser. — Quase resmungou Ulthred, chamando toda a atenção de nosso grupo.
Xavier se aproximou lentamente do capacete, colocando-o em suas mãos. Podíamos escutar uma reclamação vinda do mesmo, porém o Guerreiro Obsidiana o ignorou.
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Soleria - A Canção de Dama Lua
FantasiFilhos sempre querem ter histórias maiores do que as dos seus pais. Mas quando você é filho do maior mago do reino e melhor amigo do príncipe, isso se torna algo bastante complicado. É para isso que se tratou a vida de Tai, criar histórias que invad...
