CAP.19 - Em busca da Terra Normanda.

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Dois dias se passaram, desde que tínhamos nos despedido dos piratas prateados. Tempo suficiente para que o tédio retornasse a nossa embarcação. Buks ainda soltava partes das tripas em jorros fedorentos, alimentando os peixes e sendo o único motivo de nossas brincadeiras. Mas até isso já se tornava chato.

No final do terceiro dia avistamos duas embarcações, seguindo na mesma direção do que a nossa, o que gerou alguma emoção em nossa equipe. Criamos várias teorias a respeito, até que Ulthred disse seriam embarcações normandas, o que deu algum entusiasmo a todos, menos ao próprio.

Sem querer acabamos perseguindo as embarcações por mais dois dias. Reparamos que uma delas era muito mais rápida do que a outra e perdia velocidade propositalmente para fazer um reconhecimento de nossa embarcação, mas após alguns poucos instantes de visibilidade corriam pelo mar, como se fossem puxados a cavalos. Podíamos ver poucas coisas a respeito dos estranhos que nos vigiavam, porém, o brilho de cotas de malha, capacetes e lâminas eram vistos de longe.

Achamos aquilo estranho, já que nossa vela tinha uma gigantesca insígnia de Soleria, o viajante vivia falando que aquilo seria um sinal em todos os continentes que havia viajado.

Mais três dias se tomaram e finalmente vimos terra. Chegava a hora dos heróis de uma terra esquecida, alistar os bravos guerreiros daquela nação para talvez a maior batalha já vista. Seríamos considerados lendas e teríamos bebidas e comidas a nossa espera, assim como um povo acolhedor, querendo saber mais informações sobre o reino principal. Nossas fantasias não eram nada humildes e o viajante apenas sorria, parecia prever o que iria nos acontecer. Em como mais uma vez tudo o que idealizávamos passaria distante da realidade.

Passava um pouco da metade do dia, quando finalmente chegamos ao porto da ilha, avistamos dezenas de pessoas que ali estavam, não para o movimento diário de chegada e partida de navios. Novamente notamos o brilho metálico de espadas, machados e escudos.

Achamos estranho, pois, segundo o viajante, seu pai sempre contava estórias a respeito do reino perdido e a gigantesca vela com o símbolo do Sol deveria ser um convite, ao invés de uma ofensa.

Percebemos que o porto Normando era bem parecido com o da Vila azul, porém em proporções maiores, onde casas eram erguidas em madeira e cipó, algumas mais para o centro tinham pedras formando paredes e telhados de palha. Os pássaros do mar já nos sobrevoavam em curiosidade, se esgueirando a procura de alguma coisa que pudessem furtar de nossa comida, mas após alguns instantes nos abandonaram desapontados.

Nesse momento, escutamos um assobio quase mudo vindo pelo ar. Uma flecha caiu próximo aos pés de Agnes, fazendo-a estremecer com o perigo que chegava sem aviso. Não tivemos tempo de entender a situação do porque do ataque, pois quando olhamos novamente, o céu havia se tornado negro de centenas de figuras maldosas feitas de madeira e metal, sedentas por nossas vidas.

Abil só teve tempo de se jogar ao chão e a madeira do convés de Quebra-ondas se ergueu para cima fazendo um grande escudo em curva, que nos protegeu do primeiro ataque. O barulho do choque das flechas na madeira era desesperador e se não fosse por aquela medida, teríamos sido espetados até não sobrar nem alma para contar a história.

Foi de Cielo a estratégia mais plausível para o evento, piratas deveriam usar a bandeira de Soleria, para atacar portos, pois segundo relatos do viajante, aquilo deveria abrir portas por onde passasse. Porém, a ideia mais sombria veio de Rick, os normandos poderiam ter feito algum trato ou até terem sido derrotados pelo exército do mundo inferior, em um ataque estratégico para tomar a ilha mais próxima ao alvo.

Consegui observar o olhar sombrio do príncipe ao construir aquela estratégia. Pensei no perigo que corríamos principalmente o navio do príncipe Roger, que não teria o aviso do pirata. Senti o peso que os irmãos carregavam, pois se aquilo fosse verdade, sua causa teria terminado sem antes mesmo ter começado.

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now