CAP.34 - O início da chuva.

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Já nos encontrávamos há três dias naquela ilha, quando finalmente a paciência do príncipe se esgotou. Buks fora a única a apresentar alguma melhora, enquanto Cielo e Abil permaneciam desacordados. O caso do elfo era o mais grave, o que requeria uma maior atenção dos escravos mais velhos, que passavam pastas malcheirosas feitas de plantas e cantavam canções que me davam arrepios. Eles pareciam entrar em uma espécie de transe, revirando os olhos e dando tapas no peito, diziam coisas em uma língua a muito esquecida e faziam barulhos perturbadores.

Porém, aquilo pareceu ajudar Buks, que se recuperava até bem para todos os ferimentos sofridos.

No meu caso, eu passava o dia inteiro deitado, ainda me curando. Estava completamente exausto, porém, Ulthred me apoiava a não parar o fluxo de magia, dizendo que a cada minuto eu me tornava mais forte, e que aquela era a estrada de um Elemental. Apesar de meus braços estarem dormentes de tanta magia usada, aquilo me animou a continuar.

Já o príncipe passou bastante tempo com Agnes e o sorriso era farto entre os dois. Na noite do segundo dia ambos desapareceram, e uma coisa de recolher memórias é saber todo o ocorrido, mesmo sem estar presente.

Naquela noite Rick levou a menina até uma colina, onde poderiam ver toda a cidade ao longe, ficaram um bom tempo sem palavra até que a menina quebrou o silencio.

— Você se arrepende? — A pergunta surpreendeu o príncipe que apenas deu de ombros sem entender a que ela se referia. — De ter me salvo do dragão?

— Obvio que não! — Quase berrou mal deixando a menina terminar a frase.

— Às vezes eu penso que tudo isso é culpa minha. — Continuou a menina olhando para o horizonte. — Se o sacrifício fosse realizado, talvez.

— Talvez faríamos a mesma viagem, a guerra era iminente, Agnes. Pelo contrário, eu não poderia contar com você para me ajudar, caso o sacrifício fosse realizado.

— Mas... — A menina finalmente encarou o olhar de Rick. — O que eu fiz até agora? Não fui útil no torneio de Thor, não fiz praticamente nada na batalha de Paradiso.

— Você se saiu bastante bem contra o Obsidiana, foi de uma coragem extraordinária! — O príncipe já havia se acostumado com a presença da menina, mas com o sorriso que ela lhe deu naquele momento, sentiu-se corar como um bobo.

— Não fui nada, você e os outros apenas me protegem. Eu não fiz nada ainda.

— Apesar de não ser verdade. . . — A timidez tomou conta do príncipe, gerando dúvida na menina.

— Continue!

— Não vejo problema em te proteger, sempre que for necessário. — Dois tons abaixo do normal, finalmente falou.

— Mas você é o príncipe, isso é a sua função. Deve ser pesado ter esse tipo de responsabilidade — A menina retornou o olhar para as luzes da cidade.

— Mas com você é diferente. — Praticamente sussurrou o príncipe, fazendo com que o olhar da menina voltasse a sua direção rapidamente.

— Por quê?

— Não quero que nada ruim lhe aconteça. — Continuava num tom de voz baixíssimo, precisando do esforço da menina para ser compreendido.

— Não quer? — Sendo respondida por um sinal de negativo do príncipe. — Eu também não quero que nada lhe aconteça. — Foi a vez de a menina falar baixo. — Quando eu vi o Obsidiana te atacar, me deu algo, que eu não sei explicar —

— Me atacar?

— Eu também quero te proteger, Rick. — Finalmente disse, dando-lhe um dos raros sorrisos. — E não é só porque você é o príncipe. — Completou, pintando o rosto pálido de cor. Aquilo estourou uma série de reações no menino, seu coração se acelerou, sentiu o suor correr-lhe a testa. Não sabia o que deveria ser feito, mas ela tomou a rédea da situação. — Eu sei.

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now