Tínhamos uma grande viagem a frente, mas segundo o viajante, não seria tão longa quanto tivemos de Soleria a sua ilha de origem. Chutou que em uma semana e meia de ventos bons conseguiríamos chegar a Ilha Paradiso.
Lembrei no mesmo momento, do conselho do velho mestre de Ulthred a respeito dessa ilha na qual estávamos a caminho. Ele havia nos dito sobre a covardia de seus senhores e isso ficou preso a minha cabeça. Parecia que Rick lia meus pensamentos e foi ele quem perguntou.
— Por que Alfred falou aquilo a respeito da próxima ilha? — Ele havia quebrado um silêncio a muito estabelecido e sua voz criou surpresa em todos que pareciam perdidos em seus próprios pensamentos.
— A Ilha Paradiso é a maior fornecedora de metais e pedras preciosos de todo o arquipélago. — Ulthred respondeu quase sem vontade. — Eles são fortemente guardados pelos Guardiões Preciosos, guerreiros de força extrema e poderosas armaduras que os torna segundo a lenda local, impossíveis de serem feridos por qualquer arma do mundo.
O engraçado que nesse momento nossos espíritos cresceram ter guerreiros desse tipo em nosso exército seria de grande importância, guerreiros que não podiam ser tocados por nenhum tipo de arma! Aquilo seria incrível.
— Fora que eles também são mestres em seus elementos, tornando-os magos espetaculares.
Eu ficava cada vez mais animado com as declarações de Ulthred a respeito daqueles poderosos guerreiros, de como eles seriam úteis à nossa causa.
— Porém, eles são fiéis ao rei de Paradiso, que é denominado nos mares como o Guerreiro Diamante. Para falar a verdade, eu sei muito pouco a respeito desse povo, mas segundo as histórias que contam, os mostram como pessoas extremamente cruéis. Dizem que além de fornecerem as melhores pedras preciosas, eles também fornecem escravos para todo o arquipélago.
Todos se entreolharam, buscando entender o que o viajante tinha acabado de falar, porém, a dúvida era comum a todos.
— Vocês não sabem o que são escravos, não é? — Perguntou Ulthred com sua impaciência comum aos fatos que desconhecíamos. — São pessoas que trabalham sem nenhum tipo de pagamento, para um senhor que tem seu domínio.
— Entendi! Então todos somos escravos, porque todos trabalhamos para o Grande Rei, que é o nosso senhor e tem o nosso domínio! — Disse Buks com incrível orgulho, querendo demonstrar toda a sua esperteza.
— Errado! Eles pegam pessoas a força de suas casas e os fazem trabalhar contra a sua vontade, muitas vezes maltratando essas pessoas e forçando-os até a morte. Eles pegam principalmente pessoas da Mãe Terra, um continente inteiro que fica fora de nosso arquipélago, a muitos dias de viagem. Eles fazem expedições para pegar essas pessoas e trazem famílias inteiras para trabalharem para eles, estuprando mães e filhas, enquanto os pais são obrigados a trabalhar nas minas até morrerem de doença, de maus tratos ou assassinados.
Ninguém respondeu. Nem perturbamos Buks pela idiotice que tinha dito. Apesar de a Mãe Terra não fazer parte do Arquipélago do Escudo e o Grande Rei Gerard não ter domínio sobre essas pessoas, não era possível alguém ser tratado do jeito ao qual Ulthred nos alertava.
Lembrei então do aviso de Alfred a respeito de não arranjarmos problemas desnecessários na ilha, mas era praticamente impossível escutar tudo o que o viajante havia dito e ficar impassível de ser tomado pela raiva. Deixar pessoas morrerem pela ganância de outras. Eu realmente não entendia o sentido do dinheiro naquela época o que me causou maior fúria e mesmo se soubesse o quanto aquelas pedras valiam, mesmo assim, seria muito difícil conviver sabendo do sofrimento daquelas famílias.
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Soleria - A Canção de Dama Lua
Kỳ ảoFilhos sempre querem ter histórias maiores do que as dos seus pais. Mas quando você é filho do maior mago do reino e melhor amigo do príncipe, isso se torna algo bastante complicado. É para isso que se tratou a vida de Tai, criar histórias que invad...
