CAP.33 - O homem no espelho.

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O príncipe se encontrava preguiçoso deitado em sua cama, ao seu lado, viu o anão se mover e gemer de dor. Sentiu uma dor no peito, por ver o amigo em tais condições. Para falar a verdade se sentiu responsável por aquilo.

De imediato lembrou-se das palavras do irmão, antes de partirmos dizendo a respeito de que aquelas pessoas o seguiriam até o final do mundo caso ele pedisse. Mas aquela confusão toda na ilha Paradiso não havia sido sua decisão, pois ainda se encontrava no umbral quando tudo aconteceu. Mesmo assim o seu exemplo de comportamento, levou os outros a tomarem decisões a sua maneira e ali estava as consequências de seu comportamento imaturo e impulsivo.

Levantou-se com preguiça e se espreguiçou tentando fazer o mínimo de barulho possível. Atentou o corpo do amigo esticado em sua cama, as mãos enfaixadas novamente e percebeu a dor que ele deveria carregar em silêncio. O orgulho de guerreiro de Buks deveria estar esgotado, finalmente admitia que não era capaz de controlar o próprio elemento e conhecendo o aliado, sabia que aquilo era algo muito difícil.

Deu dois passos e encontrou consigo refletido em um espelho antigo, feito de um metal brilhante e amassado pelo passar dos anos. Percebeu que ha muito não olhava a sua imagem, e que devia estar algum centímetro mais alto. Encarou seus olhos, e viu a íris refletir o castanho avermelhado que sempre possuía um brilho incandescente. Mas percebeu que naqueles dias eles estariam opacos.

Pensou no estado do anão e logo em sua mente veio Abil. Aquele ao qual havia feito um juramento, que o protegeria com a sua própria vida. E o mesmo há dias estava desacordado. O peso em sua consciência ficou maior. O elfo havia travado a maior das batalhas até o momento e seu estado de saúde era lastimável. Não sabia se o mesmo iria conseguir sobreviver.

O próprio Cielo, que tinha uma antipatia inexplicável pelo príncipe, também estava em tais condições e ao pensar no motivo que seus companheiros se jogaram naquela batalha, enquanto ele mesmo não estava disponível para tal, a voz de Roger ficou mais clara em sua mente. "Eles te seguirão até o fim do mundo".

Uma lágrima escorreu o rosto do príncipe, ele se sentia responsável por todos os seus amigos estarem naquelas condições. O seu ímpeto e a sua forma de pensar que sempre trazia confusões a quem estivesse perto. Lembrou-se de como fiquei na batalha contra o dragão de metal, em como que a sua ideia quase me deixou sem vida.

Agora as lagrimas eram abundantes em seu rosto. Não conseguia parar de encarar os seus olhos. A imagem que se refletia era de alguém patético, que até o momento, não havia feito nada de relevante, apenas ter colocado os amigos em perigo. E naquele momento reconheceu pela primeira vez na vida que seu irmão seria um rei melhor.

Roger sempre teve tudo muito bem calculado, gostava de planejar o próximo passo. Era um estrategista nato e apesar das pessoas gostarem mais de Rick, o irmão mais velho era o ideal para o reino. "Eu preciso de você! " As palavras do sucessor do reino vieram a sua cabeça.

— Eu que preciso de você. — Disse o príncipe em um sussurro. — O que eu fiz? —

— Está chorando? — O anão se levantou com desânimo. — Se machucou?

— Não. — disse o príncipe colocando a mão rapidamente no rosto e batendo com a bola de chumbo no olho, soltando um miado de dor.

— Está sim. — O anão se sentou.

— Vocês se machucaram por minha causa

— Está falando o que?

— Buks, não tem necessidade de vocês se machucarem em minhas confusões. No dragão de metal, o Tai quase morreu e agora todos estão machucados.

— Você não pediu nada. — O anão foi enfático em seu comentário. — Não se ache o centro das atenções, Rick. Você dividiu a sua visão de um mundo melhor conosco e acreditamos que por essa visão, vale a pena arriscar as nossas vidas. Então não venha com esse discurso de bom moço que nos machucamos por você. — Essa última frase o anão fazia gestos com a mão e voz de menina. — Parece uma garotinha choramingona.

— Buks...

— Buks porra nenhuma, vai se danar. Idiota, estamos todos aqui no mesmo objetivo. E se tiver que lutarmos até o final, não é por sua causa e sim porque nos acreditamos que somos capazes de realizar aquilo que nos foi proposto.

— Alguém acordou irritado. — Eu desci as escadas, para ver como o anão estava reagindo.

— Essa menininha está chorando, falando que nos machucamos por causa dele. — Olhei de maneira zombeteira para o príncipe, que estava com uma expressão inconformada por conta das alegações do anão.

— Não entendi? Nos que nos machucamos e você quem chora? — Perguntei, acompanhando o espirito zombeteiro do anão.

— Não é isso. — Rick não conseguia raciocinar direito.

— Está chorando igual a uma garotinha de quatro anos. — Eu falei.

— Acho que o mar está te fazendo mal, não me lembro de você ser chorão assim. — A expressão do príncipe mudou, para uma crescente raiva. — Eu sempre soube que esse cabeçudo era um frangote! — O anão mal terminou de falar, e Rick me agarrou pelas pernas e me jogou para a cama de Buks.

— Vou mostrar o frangote. — Berrou o príncipe, tomando impulso e pulando em cima de nós dois.

— Eu estou machucado. — Berrava o anão.

— Está chorando? — Perguntava o príncipe gargalhando.

— Sai de cima! — Berrei caindo no riso também.

— Vocês são. . .

— Os melhores amigos que alguém pode ter.... — Completou o anão remendando o que o príncipe havia dito antes de partirmos de Soleria.

— Não ia dizer isso.... São duas bolas de pelos inúteis. — Berrou o príncipe dando tapas em nossas cabeças.

— Minha mão! — Berrava o anão.

— Que caralho? — Perguntou Ulthred aparecendo na porta. Rick me deu um daqueles olhares ao qual eu sentia falta, fez gesto para a direita e eu soube que era por ali que eu deveria atacar. — O quê vocês estãooo... — Pulamos no viajante e o jogamos por cima do anão que soltou um miado agudo. — Mas que porra! —

— Ataque múltiplo! — Berrou o príncipe se jogando no ar e caindo pesadamente no viajante, enquanto eu esperei ele cair para jogar todo o meu peso em cima dos três.

— Porra Tai, não sabe brincar. — Berrou o anão, fazendo com que os outros dois sorrissem e eu ficasse um pouco sem graça.

— Mas é verdade, vocês são os melhores amigos que alguém poderia ter no mundo. — O príncipe voltou a sorrir, pena que esse riso se encerraria logo. 

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now