CAP.38- O nascimento de Dama Lua.

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Finalmente o navio aportou e uma linha de soldados brancos formou uma parede de escudos junto aos Vikings. Aquilo não adiantou Agnes praticamente flutuou para a grossa linha feita de madeira, homens e metal e com um único movimento as sombras da noite faziam os homens agonizar em tortura.

— Retirem-se! Berrou Alfred. — Seus cova-rasa malditos, vocês não podem contra isso!

Corremos para onde a batalha se iniciava, enquanto eu via os companheiros de Brown permaneciam no navio, aleatórios a tudo o que ocorria. Percebi finalmente a expressão de Agnes, aquela não era a nossa companheira de viagem, aquilo era um ser maligno que havia se apoderado da doce menina.

Senti algo estranho quanto mais perto eu chegava daquele grotesco cenário. O ar parecia mais carregado, eu sentia um cansaço anormal e um frio sobrenatural. Eu já havia sentido aquilo antes, quando fui jogado no limbo, mas aquilo era diferente. Apesar de estar no mundo real, o medo parecia maior. Uma onda de sentimentos ruins tomou a minha mente, um misto de agonia, tristeza, desespero e fúria irrompiam meus pensamentos a cada passo que eu dava.

— Agnes pare! — Berrou o príncipe. — Você irá matar esses homens, pare Agnes!

Ela parecia não se abalar com o desespero do príncipe e coube ao prateado lançar um ataque de luz, para chamar a sua atenção, que não surtiu efeito em nada, a menina apenas estendeu a mão na direção do pirata que ficou paralisado, parecia que o ar sumia de seus pulmões e ele começava a agonizar, junto aos outros.

— Agnes, sou eu Buks... olha para mim! — Berrava o anão desesperado chamando a menina, e ao ver a situação um soldado branco conseguiu acertar um golpe de espada no ombro de nossa companheira. Aquilo fez com que ela ficasse mais fora ainda de si, pois antes permanecia calada, agora começava a falar palavras incompreensíveis, gesticular para frente e para trás enquanto o soldado tentava desprender sua espada. No momento seguinte a menina parou todos os seus movimentos e encarou o soldado que a atacou.

— Morra. — O soldado começou a ter suas veias escurecidas e proeminentes a pele, tornando-o um espetáculo de puro horror. Seus olhos começaram a sangrar enquanto ele fazia uma expressão desesperada. Sua pele se rachava e por ela esvaia um liquido negro e de cheiro ruim.

-Não... — Ouvi Rick falando consigo. — Não Agnes.

— Maldita, solte meus homens! Berrou a caçadora, juntando as mãos e soltando uma poderosa onda de vento, que derrubou a menina.

Agnes agora parecia uma criatura maligna. Ela batia no chão, como havia feito contra os soldados preciosos, gritava cânticos a muito proibidos e sangrava pelos olhos, nariz e ouvidos. Pela primeira vez vi alguma movimentação no navio de Brown, a tripulação parecia estar em pânico. Muitos choravam abertamente, entre as chagas espalhadas por todos os corpos.

— Dama lua! — Era a única coisa que Alfred conseguia dizer. — Ela se entregou. Não podemos contra isso fedelhos, tomem distância e ataquem com tudo o que tiverem, Vikings posição!

— Ninguém vai atacar a Agnes! — Berrou o príncipe, tomando a dianteira da situação.

— Pirralho, a garota já era! Vai existir uma chacina aqui se não fizermos nada!

O numero de soldados que caiam mortos, oriundos do primeiro ataque da menina, aumentavam a cada instante, eu conseguia contar 6 ou 7 corpos já sem vida no chão. Enquanto Agnes começava a rastejar para frente, fazendo com que toda a parede de escudos Viking desse alguns passos para trás.

— Ela é apenas uma menina! — Berrou um dos piratas, mas isso não trouxe coragem para todos os outros lutadores realizarem mais ataques.

— Thomas! — Berrava Ulthred, tentando tirar o irmão da agonia constante ao qual ele estava exposto.

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now