CAP.42 - Os dois Vikings.

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Teríamos então mais dois dias na Ilha da Solidão, enquanto esperávamos Cielo aprender a controlar o vento. Rick decidiu conhecer a ilha, enquanto os Vikings e os prateados realizavam a manutenção de Quebra-ondas.

Estávamos na praia esperando Buks acabar de se arrumar, ele havia dito que queria causar uma boa impressão para todos os habitantes da Ilha. E estava se vestindo como se fosse para o combate, enquanto o príncipe e eu vestíamos apenas camisas e calças leves por conta do calor.

— Eu preciso visitar uma pessoa. — Disse Alfred, causando surpresa em Ulthred.

— Você irá vê-lo? — Perguntou o viajante.

— Obvio que vou, já que estou nesse fim de mundo. — O velho Viking começou a andar na direção do vilarejo, se é que podíamos chamar toda aquela imundice assim, sendo seguido por Ulthred. Rick e eu apenas nos entreolhamos e fomos com os dois.

— Me espera! — Berrou o anão descendo do Quebra-ondas correndo. Carregando duas ombreiras de metal e um pesado escudo. Ambos até o momento não haviam sido utilizados e para falar a verdade não sabíamos que o anão havia trazido toda aquela parafernália. Mas ele andava confiante e feliz com sua gloria de guerreiro e isso bastou.

O velho Viking nos deu um sorriso nervoso, estava assim desde que o príncipe disse que queria conhecer a ilha. Pude ver alguns soldados aparecendo, todos com algum tipo de problema físico, que muito provavelmente não teriam serventia alguma na guerra que travaríamos, e ao ver o viking todos se agitaram.

— Senhor Alfred! — Um deles se aproximou. — Johnson, servi com o senhor na campanha contra a frota francesa. — O General olhou para o rapaz, sem memória aparente. — Eu acabei perdendo a mão na batalha. — Disse ele mostrando o cotoco de braço. — O senhor disse que eu lutei bem. — Disse ele dando um sorriso amarelado. Alfred colocou a mão no ombro do soldado e lhe ofereceu um gentil sorriso.

— Eu me lembro de você, realmente você foi muito corajoso naquele dia. — Disse um tom mais alto do que falaria normalmente, percebi que aquilo era para elevar a moral do soldado que já deveria estar na casa dos quarenta anos.

— Obrigado senhor! — Disse o soldado com um grande sorriso orgulhoso. — Falei que ele se lembrava de mim! — Disse para outro homem que parecia não enxergar muito bem.

— Alfred, eu não entendi algo. — Indaguei. — Vocês mandam seus soldados para a guerra e quando estes se ferem são simplesmente jogados aqui? — Minha pergunta atraiu a atenção do príncipe, do anão, do viajante e do pirata.

— Eita! — Respondeu o pirata para a nossa surpresa.

— Por Thor, Thomas! — Berrou Alfred ao vê-lo. — Quando você apareceu? — Perguntou colocando a mão no coração.

— Apenas responda a pergunta, general. — Respondeu o prateado com escarnio.

— É fedelho, infelizmente eu não consigo comandar tudo o que ocorre nesse mundo. — Respondeu entre dentes o General.

— Você nem se lembra dele, não é? — Cutucou o pirata.

— Obvio que não. Se eu soubesse todos os nomes dos soldados que serviram ao meu comando, talvez não sobrasse mais espaço para nada em minha cabeça.

— E mesmo assim eles se lembram de você. — Disse o príncipe. — Todos esses homens, seguiram suas ordens e mesmo assim são jogados aqui. — Nesse momento passávamos por um conjunto de casas que parecia mais um amontoado. O cheiro das necessidades era forte naquela região, que ficava na direção oposta a praia onde estávamos aportados.

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now